Educação

Greve da Educação em São Paulo

Educadoras de SP seguem em greve pela vida, apesar dos métodos antidemocráticos do SINPEEM

Após mais de um ano de fechamento do sindicato para a categoria, a direção do SINPEEM finalmente realizou ontem, 09/04, a primeira assembleia da categoria entre o ano atual e o anterior. Porém, como lamentavelmente já era de se esperar, apenas Claudio Fonseca falou e não houve qualquer oportunidade para que os trabalhadores da categoria, em greve 10/02 contra o retorno inseguro às aulas, pudessem efetivamente expressar suas posições e defender perante a categoria, com a base definindo os rumos da greve. A direção do SINPEEM usa “problemas técnicos” para seguir impedindo a categoria de ter voz. Novos tempos, velhos métodos.

sábado 10 de abril| Edição do dia

A primeira assembleia do SINPEEM, depois de mais de um ano de fechamento do sindicato, aconteceu após 59 dias de nossa greve e no mesmo dia em que, em seguida ao anúncio do governo de João Doria (PSDB) de colocar o estado na fase vermelha permitindo a reabertura das escolas, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou o retorno presencial das aulas na rede municipal de São Paulo a partir do dia 12 de abril, próxima segunda-feira. As escolas serão reabertas num momento da pandemia que é ainda pior do que quando iniciamos nossa greve dia 10/02. Ou seja, mais do que nunca é necessário que nossa luta seja fortalecida, construída junto a base da categoria. Para isso, precisamos poder contar com toda a estrutura material disponível de nosso sindicato e dos que compõem o Fórum das Entidades Sindicais para seguir lutando por nossas vidas, pelas vidas de nossos alunos e seus familiares.

Precisamos de democracia em nosso sindicato e direito a voz, para decidirmos como seguir em nossa luta a fazê-la crescer para ser vitoriosa, podendo ser um ponto de apoio para em todo o país nossa categoria resistir ao retorno inseguro que todos os governos, também atores do regime golpista que descarrega a crise em nossas costas, tentarão impor. No entanto, mais uma vez a direção do SINPEEM, representada na figura de Claudio Fonseca, atuou como um freio para que nós, trabalhadoras e trabalhadores em greve tomemos em nossas mãos os rumos da greve.

Na assembleia, foi aprovada a continuidade da greve, por 85% dos presentes. Uma mostra do quão inaceitável é o retorno das aulas presenciais de forma totalmente insegura, no pior momento da pandemia. Entretanto, é preciso dizer que enquanto Claudio Fonseca falava que havia 7mil educadores online na assembleia, o número de participantes visível aos presentes não passou de 400, tendo sido excluída uma ampla margem da categoria desse único espaço de decisão entre o ano passado e este. Um sindicato com a estrutura do SINPEEM que não garante uma plataforma que dê acesso aos seus filiados e sequer realiza uma transmissão desta mesma assembleia com um número tão limitado de trabalhadores, realmente não presa por qualquer participação e democracia.

Assim como, se apoiando em problemas técnicos, foram mantidos nos novos tempos – de reuniões virtuais, os velhos métodos de silenciamento. Nenhuma ou nenhum educador teve o direito de se expressar, defender seus encaminhamentos ou ter voz na assembleia, nada! Mais uma vez e de forma ainda mais escandalosa, com microfones fechados vivenciamos Claudio Fonseca, atuando como um ator profissional fingindo que havia muito mais educadores presentes na plataforma escolhida para a transmissão de seu monólogo.

Há que se destacar que desde quando convocada já ficava claro o caráter burocrático dessa assembleia – fechada para todos aqueles que não fossem filiados ao sindicato, fato que também não concordamos. Após poucos minutos da disponibilização do link, choviam nos grupos da categoria reclamações de que o acesso estava negado. Se uma parte maior da categoria pode acompanhar a assembleia foi porque os próprios trabalhadores da base criaram links em outras plataformas para espelhar a transmissão. A mesma base que tem tocado a greve até aqui e que criou fundos de greve solidários frente a omissão do SINPEEM, que só agora anunciou um fundo de greve que ainda está organizando. Fica cada vez mais claro, que se ao menos parte das lições de solidariedade e auto-organização que construímos desde a base da categoria, fossem minimamente absorvidas por essa direção burocrática, que por esse caráter não o fará, teríamos ainda mais condições de lutar. É preciso denunciar também que desde o início da assembleia sequer o chat estava habilitado para os participantes, apenas por um momento pudemos colocar no chat propostas de encaminhamento e avaliação da greve, porém eles não foram lidos e ficamos apenas com a promessa de que seriam levados ao fórum das entidades sindicais do município, para serem discutidos novamente pelas costas da categoria. Impossível acreditar!

Nós do Movimento Nossa Classe Educação, que estamos junto com a categoria que vê na luta junto a comunidade escolar e na greve o único meio de defesa de nossas vidas, defendemos que o SINPEEM faça um chamado as Centrais Sindicais e à CNTE pela construção de uma campanha nacional contra o retorno inseguro às aulas, em defesa do direito de Greve das educadoras do município de São Paulo e por um fundo de greve para que tenhamos condições de seguir lutando. E que nos unifiquemos com os metroviários que fizeram um indicativo de greve sanitária para o 20/04 pelo direito a vacinação e contra os ataques e a retiradas de direito promovida por Doria e o Metrô de São, para elevarmos nossas vozes, exigindo vacinas para todos em nome de todas as vidas da nossa classe, ceifadas pela irresponsabilidade dos governos na gestão da crise sanitária.

Para que nossa greve se fortaleça precisamos de democracia e solidariedade da nossa classe; com as entidades buscando dar visibilidade nacional a nossa luta. Só aí poderemos derrotar a narrativa imposta por Doria, Covas e todos os atores desse regime golpista, como Bolsonaro, o Congresso, os militares, a justiça e todos os defensores dos lucros dos empresários, que arriscam nossas vidas fazendo com que paguemos pela crise. Nossa categoria quer decidir o conteúdo das nossas ações, dar visibilidade as nossas demandas e decidir os rumos da nossa da luta. Por isso, defendemos assembleias semanais e sempre que necessário, em uma plataforma onde o conjunto da categoria tenha acesso, não só de forma consultiva ou como espectadores, mas com direito a voz nas intervenções e não apenas via chat. Assim como que sejam reconhecidos os comandos de greve regionais, que através da base da categoria sustentou até aqui a maior luta de nossa história, em defesa de nossas vidas e de toda comunidade escolar.




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