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Economia brasileira fechou 2020 com retração de 4,05%, aponta prévia do BC

O Banco Central informou nesta sexta-feira (12) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) da instituição, considerado uma "prévia" do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), aponta que a economia brasileira encolheu 4,05% em 2020.

sexta-feira 12 de fevereiro| Edição do dia

O resultado oficial do PIB, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, será divulgado somente em 3 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mercado, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, estima uma retração de 4,3% para a economia brasileira em 2020.

O Ministério da Economia também estima uma queda de 4,5% e, para o BC, o tombo será de 4,4%.

O resultado disto, para os trabalhadores, se mostra nos dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,1% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2020, e de mais da metade dos empregos abertos em 2020 não tem jornada nem salário fixos.

Foram mais de 73,1 mil no formato intermitente. Essa modalidade soma 230 mil vínculos empregatícios no país atualmente no qual o funcionário recebe apenas pelas horas trabalhadas, sem uma jornada estabelecida. O chefe convoca o empregado com antecedência para suprir uma demanda temporária.
É um tipo de contrato com carteira assinada e não tem prazo para ser encerrado, deixando o trabalhador sem garantia nenhuma se continuará ou não naquela função.

Outro exemplo dos efeitos dos dados divulgados é o absurdo anúncio de fechamento da Ford no Brasil, que mesmo com um lucro líquido de U$2,4 bilhões no primeiro trimeste de 2020, seis vezes maior que no mesmo período de 2019, vai deixar na rua não só os pouco mais de 5 mil trabalhadores efetivos, mas toda uma cadeia produtiva que envolve efetivos e terceirizados.

O impacto do fechamento das fábricas da empresa pode afetar direta ou indiretamente à vida de mais de 100 mil famílias em todo o país, o que em meio ao aumento da pandemia e da crise só tende a tomar contornos mais graves.
Aliado a isto, o setor privado demitiu 11,5 milhões em um ano no Brasil no período entre setembro de 2019 e 2020, o que soma quase 6 vezes o número de demitidos do setor no período entre 2015 e 2016, quando o país passava por um período de crise econômica e política.

O fim do irrisório auxílio emergencial, no qual nesse momento Paulo Guedes e Bolsonaro buscam prorrogar pra retomar a popularidade do governo, com um valor ainda mais insuficiente, de 250 reais, enquanto gastam mais de 1 bilhão com leite condensado, com a contra-partida de atacar ainda mais os trabalhadores, com o ultra liberal ministro da economia acenando pra mais reformas visando retirar o que puder dos direitos trabalhistas, dá o contorno da tragédia que os capitalistas querem fazer desaguar sobre a população mais pobre do país.

A retração de 4,05% em 2020 somente escancara que ao contrário do que alardeiam os que defendem esses ataques, sejam esses Bolsonaro e Guedes ou o Congresso golpista, o STF ou a Rede Globo, aliados contra o interesse dos trabalhadores, não tratou de gerar mais empregos e aumentar o nível de renda da população.

A reforma trabalhista e previdenciária apenas visa descarregar a crise econômica e agora sanitária nas nossas costas, aliado às MP’s de Bolsonaro, medidas absurdas que permitem que os patrões diminuam ou deixem de pagar direitos e inclusive o próprio salário dos trabalhadores.

Por isso, nós do Esquerda Diário defendemos um auxílio emergencial de 2.000 reais e nos somamos à solidariedade a todos os demitidos da Ford e do setor público, como a "meta" estipulada pelo Banco do Brasil demitir mais de 5 mil trabalhadores neste ano de 2021.

É necessário que os trabalhadores se organizem e se unifiquem para barrar as demissões, as reformas e todos ataques aprovados por Bolsonaro e toda a corja parasita golpista.

É mais urgente do que nunca, que as centrais sindicais organizem um plano de luta com assembleias, reuniões e espaços que garantam que os trabalhadores possam se organizar e decidir como enfrentarão esse ataque. Não é possível confiar em acordo e negociações com a Justiça, o Congresso, governadores ou qualquer setor desse regime apodrecido.




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