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1º DE MAIO INTERNACIONALISTA DA FRAÇÃO TROTSKISTA | EUA: "O movimento pelas vidas negras e latinas revelou ao mundo o caráter profundamente racista dos EUA"

Intervenção de Tristan Taylor no Ato Internacionalista de 1º de Maio da Fração Trotskista - Quarta Internacional (FT-QI).

sábado 1º de maio | Edição do dia

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Tristan Taylor é um ativista residente em Detroit, membro fundador da Detroit Will Breathe (DWB) e membro do Left Voice, organização irmã do MRT do Brasil. Tristan foi parte do maior levante da história dos EUA: a fúria antirracista expressa nas manifestações do Black Lives Matter no ano passado, que rompeu a passividade da pandemia em resposta ao brutal assassinato de George Floyd.

Confira a fala dele no ato:

“A luta contra o racismo e a xenofobia tem mostrado sua força nos últimos anos. No ano passado nos Estados Unidos, o movimento pelas vidas negras e latinas liderou uma rebelião em resposta aos assassinatos racistas de George Floyd e Breonna Taylor. As mobilizações populares, combativas em muitas ocasiões, que são caracterizadas como as maiores mobilizações na história dos Estados Unidos, que levaram 26 milhões às ruas, obrigaram o Estado a levar o policial que matou George Floyd a julgamento, no qual um juiz de Minneapolis o declarou culpado das três acusações feitas contra ele.

O veredito de culpado é um grande golpe contra a impunidade que policiais tem para usar uma força brutal e mortal contra os negros e latinos. Também é um grande golpe contra os Departamentos de Polícia em todo o país, os sindicatos de policiais e o Partido Republicano, incluindo sua ala trumpista. O movimento demonstrou ser mais forte que as mobilizações reacionárias massivas que queriam manter a economia aberta, e que logo se transformaram em apoio ativo aos policiais, frequentemente liderados por organizações trumpistas e proto-fascistas, as mesmas que também participaram da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro.

O movimento pelas vidas negras e latinas revelou ao mundo o caráter profundamente racista do Estado dos EUA e o vínculo inseparável entre capitalismo e racismo. O movimento se enfrentou com a violência policial e deixou claro que o racismo é um problema estrutural que surge da história de como se estabeleceu o poder de Estado aqui, baseado na escravidão e depois nas leis segregacionistas de Jim Crow.

A crise atual do imperialismo estadunidense abriu novos cenários de luta de classes em 2020. No entanto, nós estamos em um momento no qual a administração de Biden conseguiu trazer um senso de estabilidade ao país que foi reafirmado pelas políticas reformistas que implementa que são mais ou menos apoiadas por figuras e organizações progressistas estadunidenses como o Squad (das deputadas Democratas Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Rashida Tlaib), Bernie Sanders e o DSA. Ainda assim, a classe trabalhadora e especialmente os oprimidos precisarão encarar a contradição que esse governo apresenta, um processo que vai acelerar as recentes tendências da luta de classes ou reativá-lo, como resultado do ódio às condições econômicas e sociais que não dão respostas às necessidades mais sentidas das massas. Devemos nos preparar para as lutas que se desenvolverão, mas nenhuma política revolucionária nos Estados Unidos pode ter êxito sem tomar as bandeiras da libertação negra contra a opressão, das minorias étnicas e dos imigrantes.

A classe trabalhadora negra deve liderar a luta pelos anseios de todos os trabalhadores, levantando as demandas da comunidades e da população negra, porque a burocracia sindical e a burocracia dentro do movimento negro e das organizações antirracistas, que atuam como agentes do Partido Democrata, tentam separar incansavelmente a luta contra o racismo da luta contra o capitalismo, insistindo que o racismo “não pode ser combatido pela classe trabalahdora com seus métodos”.

Precisamos construir uma luta implacável contra os grupos protofascistas e a polícia racista. Devemos lutar contra o racismo para unificar as fileiras multirraciais dos trabalhadores e do povo pobre contra os patrões, a grande burguesia e o Estado imperialista. A ação dos trabalhadores em solidariedade com o movimento do Black Lives Matter do ano passado, como as importantes greves dos trabalhadores portuários, ou dos motoristas de ônibus em Minneapolis e Nova York que se negaram a transportar os manifestantes presos, são um exemplo.

A tendência de unificar a luta contra o racismo e a luta contra os patrões se expressou na tentativa de sindicalização de mais de 5 mil trabalhadores, em sua maioria negra, na comunidade de Bessemer, Alabama. Apesar de ter sofrido uma derrota, essa foi uma primeira batalha no caminho da conquista de um sindicato na gigantesca empresa de propriedade do bilionário Jeff Bezos.

Se a burocracia sindical e a burocracia dentro do movimento negro e das organizações antirracistas tiveram um grande êxito em canalizar a rebelião para a candidatura presidencial de Joe Biden, a chama do movimento segue viva. Isso se expressa no surgimento de dezenas de organizações de vanguarda antirracistas em cidades grandes e pequenas, em grande parte independentes do Partido Democrata e das burocracias que os representam. Essas organizações incluem aquela da qual sou parte, Detroit Will Breathe (Detroit Irá Respirar - DWB). Estamos em uma famosa cidade do antigo cinturão industrial do meio-oeste, com o maior proletariado negro dos Estados Unidos; lutamos pela independência política do movimento frente ao Partido Democrata e adotamos a perspectiva da luta de classes.

Esse ano aprendemos não só a nos auto-organizar em nossas comunidades com independência de classe, mas também aprendemos que, para combater essas burocracias que nos mantêm separados e não querem que enfrentemos o sistema de conjunto, é necessário construir uma organização revolucionária nos Estados Unidos. Uma organização de revolucionários que impeça que a energia da luta de classes acabe no cemitério do Partido Democrata.

Por isso acreditamos que a convocatória que está fazendo o Left Voice com este manifesto é muito importante.

O apelo anticapitalista desse chamado tem especial relevância para nós, que estamos no coração do imperialismo mundial. A classe trabalhadora e o movimento negro nos EUA devem lutar contra a opressão econômica, política e militar do imperialismo estadunidense. Também devemos defender as massas oprimidas que se levantam contra o imperialismo em todo o mundo.

Queremos discutir com as organizações antirracistas que estão rompendo suas ilusões nos Democratas, com as bases do DSA que participam de maneira sincera nas lutas contra o racismo, com as organizações socialistas e as organizações da classe trabalhadora e dos oprimidos que são parte da vanguarda criada pela luta do Black Lives Matter e durante a pandemia. Queremos discutir também com todos os setores que combatem a opressão imperialista estadunidense no mundo.

Queremos discutir com todos esses setores quais passos dar na tarefa de construir a organização política que a luta negra e a classe trabalhadora merecem, e da qual precisam, para desafiar o regime que vai do Partido Republicano ao Partido Democrata, esses que governam para os capitalistas e protegem os departamentos de polícia que assediam nossas comunidades.”

Leia aqui o Manifesto internacional O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista




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