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ENEM digital tem abstenção de 71,3% enquanto presidente do Inep se diz satisfeito

Ontem (7) aconteceu o segundo dia de aplicação do ENEM digital pelo país. Novamente, conforme os outros dias de prova, tanto digital quanto impresso, os índices de abstenção bateram recorde no ENEM de Bolsonaro.

segunda-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) teve seu segundo dia de provas digitais neste domingo (7), sendo parte do projeto-piloto do governo para substituir a versão impressa nos próximos anos. Apesar de ser digital, a aplicação das provas é presencial, porém em laboratórios de informática espalhados pelas escolas do país.

A abstenção no primeiro dia do ENEM digital já havia sido grande, quando 68,1% dos inscritos não compareceram. Mas a abstenção do segundo dia conseguiu superar essa marca: 71,3% dos estudantes não fizeram a prova. Ao todo, 26.709 estudantes realizaram a prova, enquanto 66.370 não compareceram. As aplicações do ENEM impresso em janeiro também tiveram recorde de abstenção, com mais de 50% de faltas nos dois dias de prova.

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Mesmo com esses números alarmantes, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, diz se sentir satisfeito com a aplicação do ENEM digital. “Como era nossa primeira aplicação, estamos satisfeitos com o resultado, porque conseguimos entregar o que propusemos, a participação no impresso, e digitação é opção do participante.”, disse ele.

O Ministro da Educação Milton Ribeiro já havia se pronunciado, colocando a aplicação da prova como “um sucesso”.

Essa visão de Milton Ribeiro e de Alexandre Lopes certamente não condiz com a situação dos milhares de jovens das escolas públicas que precisaram prestar o exame após um ano inteiro de defasagem no ensino, com a maioria dos estudantes, e mesmo os professores, sem condições de acompanhar aulas online e sem suporte real do governo para isso. Além disso, o medo da contaminação em meio ao recrudescimento da pandemia também é uma realidade.

Os altos índices de abstenção das provas do ENEM 2020, aplicado mesmo com movimento dos estudantes pelo #AdiaENEM, são a comprovação do completo descaso com a educação pública por parte do governo de Bolsonaro e Mourão e também de todo Congresso e STF que, juntos, permitiram a aplicação das provas em meio ao aumento dos casos e, mais do que isso, são parte do sucateamento histórico do ensino público. O vestibular, que já é por si um filtro social, se torna assim ainda mais excludente, impedindo que os estudantes, principalmente os de escolas públicas, possam acessar a universidade.




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