É preciso lutar por justiça mas também enfrentar o estado capitalista, diz Diana Assunção

Diana Assunção, candidata à vereadora com a Bancada Revolucionária, fala sobre o papel da justiça no estado capitalista, e o seu papel de classe, frente ao absurdo caso de Mari Ferrer.

quarta-feira 4 de novembro| Edição do dia

O caso de Mari Ferrer está gerando uma imensa revolta por todo o país. A absurda sentença de “estupro culposo” escancarou o papel machista do judiciário brasileiro, e a humilhação contra Mari Ferrer foi respaldada pelo bolsonarismo.

Ontem, Diana Assunção, que faz parte da Bancada Revolucionária que concorre às eleições a vereador de São Paulo, declarou que a sentença de “estrupo culposo” é a cara desse judiciário racista.

As redes sociais estão tomadas pela #justiçapormariferrer, e manifestações foram chamadas para este domingo (8) ao redor de todo o país. Até mesmo clubes de futebol saíram em defesa de Mari Ferrer, exigindo justiça.

Para Diana, o caso é uma expressão profunda do machismo do judiciário, e mostra o papel que este mesmo cumpre no Brasil.

“Basta lembrar que o mesmo GIlmar Mendes que hoje faz demagogia defendendo Mari Ferrer, foi o mesmo que condenou Mônica Iozzi alguns anos atrás. O judiciário tem seu papel de classe, e cumpre esse papel ao lado da classe dominante, reforçando seu machismo.

Não podemos ter qualquer pingo de confiança na justiça. Essa justiça que condenou Mari Ferrer tem lado. É a justiça capitalista, dos ricos e empresários que humilha Mari Ferrer. É o mesmo judiciário que condena mulheres por abortos clandestinos, a mesma justiça que mantém mais de 40% dos presos brasileiros sem um julgamento sequer. É a justiça que se fortaleceu na política brasileira desde 2014 e que foi uma das responsáveis e articuladores do golpe institucional de 2016, para poder avançar com ataques contra a população”.

Para Diana, é exatamente por isso que a luta por justiça deve ser acompanhada de um enfrentamento contra essas estruturas.

“É preciso lutar por justiça mas também enfrentar o estado capitalista. A luta por justiça passa por enfrentar esse judiciário, que é um dos pilares da política nacional, e que, como falado antes, cumpre seu papel em defender nos tribunais a classe dominante, atacando as mulheres, e sustentando o patriarcado. Afinal, o advogado que despejou seu reacionarismo em Mari Ferrer, é um apoiador da ultra reacionária Sara Winter, e adorador de Olavo de Carvalho.

Esse judiciário pode muito bem ser representado pelo abraço de Toffoli em Bolsonaro. A representação de um regime político que quer descarregar ataques contra os trabalhadores, contra as mulheres, os negros e LGBTs. O juiz inventou a nova tipificação criminal de ‘estupro culposo’ com o intuito de livrar a cara do estuprador, um empresário rico. Ou seja, segundo a versão da justiça, o empresário não ‘teve intenção’ de drogar a vítima e abusar sexualmente dela. Fica explícito nesse revoltante caso o quanto o judiciário está a serviço da classe dominante, e distorce as leis o quanto for necessário para poupar seus membros de serem condenados por crimes monstruosos como o cometido contra Mari Ferrer.

Por isso, combater esse judiciário é fundamental na luta por justiça para Mari Ferrer, mas também é necessário enfrentar todo o Estado Capitalista, defendido por essa mesma justiça. Combater o regime do golpe no Brasil, que avança com ataques contra os trabalhadores, negros e mulheres, e batalhar por uma alternativa independente.

As mulheres precisam de uma saída independente, aliadas aos trabalhadores. O patriarcado não vai cair cair sozinho, nós temos que derrubá-lo, e isso acontecerá somente lutando contra o capitalismo.

Sem nenhuma confiança em políticos de direita “opositores” de Bolsonaro, é preciso confiar na força das mulheres, auto-organizadas junto aos trabalhadores e trabalhadoras para se enfrentar contra o patriarcado, contra Bolsonaro e todo o regime político no Brasil. Nos locais de trabalho, nas fábricas, serviços, na força das trabalhadoras terceirizadas - em sua maioria mulheres negras - está a nossa força para lutar contra o patriarcado e construir o caminho para derrubar este estado machista, que ataca as mulheres para avançar ainda mais seus ataques contra os trabalhadores.”




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