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Eleição na USP | "É preciso fortalecer a unidade do sindicato e dos trabalhadores" diz Babi, única mulher trabalhadora candidata ao CO da USP

quarta-feira 8 de junho | Edição do dia

No dia 09 de junho, quinta-feira, vai acontecer a eleição dos representantes dos trabalhadores da USP para o Conselho Universitário. O SINTUSP está apoiando os nomes indicados e aprovados em assembleia: Barbara Della Torre (Babi) do HU, Reinaldo Santos de Souza da FE, e Samuel Ribeiro Filipini da FM de RP. Ao todo são 09 candidatos concorrendo, sendo Barbara (Babi), trabalhadora do Hospital Universitário que esteve a frente de várias lutas dessa unidade e da categoria a única uma mulher a disputar como candidata. Apesar de todo discurso da nova gestão da reitoria que fala em inclusão das mulheres e dos negros a verdade é que milhares de mulheres sofrem também dentro da universidade as consequências da exploração capitalista e da opressão machista sustentada pelas instituições, pelo governo Doria também pela reitoria da USP. São as mulheres trabalhadoras, sobretudo as terceirizadas as primeiras a sentir o impacto do desmonte na universidade a começar pela demissão de milhares de trabalhadoras terceirizadas durante a pandemia. Mas são também as mulheres trabalhadoras efetivas, estudantes e professoras que sofrem com o ataque às creches, com a falta de permanência estudantil e com salas de aula superlotadas. São as mulheres trabalhadoras aquelas que adoecem trabalhando nos bandejões, que são a maioria entre aquelas que trabalham no Hospital Universitário, HRAC e em outras unidades de atendimento de saúde. São as mulheres trabalhadoras a maioria que adoece psicologicamente por conta da sobrecarga de trabalho decorrente da falta de contratações pois já carregam em suas costas o peso da dupla jornada de trabalho, o cuidado dos filhos e são vítimas do assédio moral das chefias para que trabalhem mais além de sofrer com o controle rigoroso do ponto eletrônico que não considera as necessidades de cuidados dos filhos, etc. A USP não é isolada da sociedade e reflete no seu interior a dura realidade das mulheres no país de Bolsonaro onde vêm aumentando os feminicídios, a violência doméstica, os abusos e assédios sexuais e onde as mulheres, sobretudo as mulheres trabalhadoras, pobres e negras são também alvo da repressão policial que arranca seus filhos, maridos e familiares como Genivaldo (morto de forma bárbara sufocado em uma viatura da policia) ou perdendo sua vida arrastada pelas enchentes e pela especulação imobiliária como vem ocorrendo no Recife. Um trágico exemplo disso foi o assassinato de Carolina Dini Jorge, trabalhadora da ESALQ – Piracicaba, morta aos 41 anos, vítima de feminicídio. São também as mulheres trabalhadoras aquelas que sofrem inclusive dentro da universidade as consequências da reforma trabalhista, da previdência e todos os ataques aprovados pelo Congresso Nacional e legalizadas pelo Judiciário.

Entrevistamos Bárbara Della Torre (Babi), para saber um pouco mais sobre essas eleições do CO e sobre essa situação da mulher trabalhadora na Universidade

Esquerda Diário: Babi, fale um pouco pra gente sobre o que é o Conselho Universitário
Babi:
O Conselho Universitário é o órgão máximo de poder dentro da Universidade e tem uma composição extremamente anti-democrática, expressando quem manda na Universidade, que são um punhado de cem professores titulares, diretores de unidades, enquanto que a representação dos funcionários não passa de 03 cadeiras. Por isso, parte do programa aprovado em nosso último Congresso do Sindicato é da dissolução do Conselho Universitário e a organização de uma Assembleia Estatuinte Livre e Soberana para decidir os rumos da Universidade e por um governo de estudantes, trabalhadores e professores com maioria estudantil. Esse é o programa da nossa categoria aprovado em Congresso.

Esquerda Diário: Mesmo assim, o Sindicato está apoiando seu nome, o de Reinaldo Souza e de Samuel Ribeiro para essas vagas. Porque?
Babi:
Apesar disso tudo que é o Conselho Universitário, é fundamental ocuparmos esse espaço para poder denunciar os ataques, desmascarar a demagogia dos Reitores e ser porta-voz das demandas da nossa categoria, nesse sentido é fundamental elegermos representantes que sejam comprometidos com as pautas da categoria. Os candidatos apoiados pelo Sindicato foram apresentados e votados democraticamente em assembleia da categoria. Por isso, eles estão comprometidos com as pautas coletivas da nossa categoria e não com projetos individuais. Na assembleia a Diretoria do Sindicato propôs alguns nomes e nós, do Movimento Nossa Classe, defendendo a importância da unidade dos lutadores e de que essa unidade se expressasse em uma chapa unificada para concorrer às eleições de representantes do CO, propusemos o meu nome. A assembleia aprovou então o meu nome, Bárbara Della Torre (Babi) e os nomes de Reinaldo Santos de Souza, da FE, e de Samuel Ribeiro Filipini, da FM de RP, da Diretoria do Sindicato.

Esquerda Diário: Além de vocês três, apoiados pelo Sindicato, a lista tem outros seis candidatos. De todos esses, você é a única mulher. O que você acha que isso representa?
Babi:
É evidente que a participação das mulheres nos espaços públicos ainda é bastante dificultada. Um dos motivos é porque segue recaindo sobre nós, trabalhadoras, as tarefas domésticas e os cuidados, seja com parentes adoentados, seja com as crianças, obrigando que tenhamos uma dupla jornada de trabalho, que diminui nossa possibilidade de tempo livre para nos dedicarmos à vida pública.

Trabalho na USP há vários anos e sempre participei das lutas dos trabalhadores, estudantes e professores em defesa da educação pública e aprendi muito com a trajetória de luta das trabalhadoras e trabalhadores da USP. Nessas lutas as mulheres sempre foram linha de frente e, por isso não vejo e minha candidatura como algo individual mas como parte dessa luta levada a frente por tantas companheiras. Agora mesmo durante a pandemia as mulheres estavam mobilizadas no HU por condições seguras de trabalho, no bandejão várias mulheres tomaram a frente da luta em defesa da saúde e das vidas dos trabalhadores, no HRAC também tem muitas companheiras e mães dos pacientes a frente dessa batalha e nosso sindicato tem lideranças como Neli e Solange que são parte dessa trajetória das mulheres combativas da nossa categoria.

Esquerda Diário: A Reitoria criou uma Pró-Reitoria de Diversidade e Inclusão. O que você opina dessa medida?
Babi:
Olha, no último Conselho Universitário eu coloquei o quanto essa política da Reitoria é uma expressão do reconhecimento da força do movimento negro e de mulheres, que vai muito para além da institucionalidade, e que chega tardiamente na USP justamente porque o Conselho vem de maneira reiterada de costas pra essses problemas. Apesar da nova gestão ter feito todo um discurso em relação a inclusão na universidade, o tema e as necessidades das mulheres e negros dentro da USP não é novo. Por exemplo, o tema das creches. Todos que vão tratar das condições das mulheres na universidade sabem que é fundamental uma politica que garanta creche para essas mulheres, estudantes, professoras, funcionárias e as terceirizadas. Mas o que a Reitoria veio fazendo nesses ultimos anos foi fechar vagas, com a conclusão em 2017 do fechamento total da creche oeste. Por isso não podemos confiar que a Reitoria que está apresentando um projeto de gestão que segue o estrutura da precarização da gestão Zago-Vahan-Hernandez, com a manutenção dos parâmentros de sustentabilidade, e contratações irrisórias, tem algum interesse em conseguir mudanças estruturais na condição de vida dos negros e mulheres nessa Universidade. Por isso, espero ser eleita junto aos meus companheiros Reinaldo e Samuel nessas eleições para representante dos trabalhadores no CO para colocar nossas representações a serviço de fortalecer a luta e organização dos trabalhadores e através da aliança com os estudantes e professores. Só com muita luta e organização vamos conquistar o conjunto de nossas reivindicações como a defesa do Hospital Universitário e a imediata contratação de profissionais efetivos para todas as áreas, a revogação da resolução do CO que desvincula o HRAC de Bauru, a revogação dos Parâmetros de Sustentabilidade, contratações para Escola de Aplicação, creches, bandejões, prefeitura e todos os setores, a recuperação de nossas perdas salariais, a defesa dos trabalhadores terceirizados garantindo para eles iguais direitos e salários, a defesa de todos os direitos das mulheres, a defesa das cotas etnico-raciais rumo ao fim do vestibular.




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