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CRISE SANITÁRIA | É preciso enfrentar a barbárie sanitária no RS com a força da classe trabalhadora

quinta-feira 18 de março | Edição do dia

Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

O Rio Grande do Sul bate recordes de casos, internações, lotações de UTIs e mortes. No dia 16 de março o estado registrou mortes que equivalem a mais de duas boates Kiss. Em 24 horas… analisando os números, a tendência é multiplicarmos as boates Kiss a cada dia. O cortejo fúnebre da gentalha bolsonarista contra o suposto “lockdown” de Leite coincide com as mórbidas filas nos cartórios para registrar óbitos. Homens e mulheres de bem, vestindo verde e amarelo, celebrando frases de Auschwitz e desfilando com fuzis por Porto Alegre chegaram a impedir um carro funerário de retirar um corpo no Hospital Ernesto Dornelles. Esses empresários representam, com requintes de crueldade, os interesses dos capitalistas frente à pandemia: lucro acima de tudo e todos.

É inegável a gigantesca contribuição que o governo negacionista de Bolsonaro deu para a explosão de casos no Rio Grande do Sul e em todo o país. Bolsonaro promove aglomerações, desqualifica a gravidade da doença, boicota a compra de vacinas e parece governar a favor da covid. Seria no mínimo ingênuo, no entanto, não reconhecer a enorme responsabilidade que Eduardo Leite possui na explosão de casos no estado. Apesar da pose de defensor da ciência, sua prática coincide sistematicamente com a política do próprio presidente em priorizar os interesses dos grandes empresários em detrimento da vida da maioria dos trabalhadores, da ciência e da saúde. Além de defender todas as reformas neoliberais que visam destruir as condições de vida dos trabalhadores (que hoje salvam vidas, apesar das retiradas de direitos) Leite fez de tudo para que o vírus circulasse tranquilamente nos meses prévios ao atual colapso.

O governador esperou o carnaval acabar para anunciar bandeira preta em parte do estado. Na época, a curva de casos já estava em plena ascensão e sua principal medida era fechar negócios a partir das 20h, como se o vírus se limitasse a hábitos noturnos. Não obstante, manteve as escolas infantis e ensino fundamental abertas e planejava abrir todas as demais a partir de março. Contrariados, os empresários e prefeitos, liderados por Melo, espernearam e Leite logo cedeu para a cogestão, permitindo regras da bandeira vermelha para Porto Alegre e arredores. Nesse vai e vem, Leite aguardou o sistema de saúde colapsar para suspender a cogestão e obrigar as regras da bandeira preta para metade do estado (exceto para escolas de ensino infantil, que Leite foi até a justiça para tentar abrir e perdeu).

Em dado momento de março, com o sistema já colapsado, o tucano chegou a anunciar a abertura de 20 leitos (sendo apenas 8 de UTI) na Restinga como parte das soluções. Porto Alegre chegou a ter mais de 300 pessoas aguardando leitos de UTI, sendo atualmente 332. Leite, associado aos militares, abrirá apenas 8 leitos de UTI e 12 de enfermaria. Sua bandeira preta conseguiu míseros 34,4% de isolamento social no início de março e agora, no mesmo dia em que batemos o recorde de 502 mortes em 24 horas, o governador anuncia que pretende voltar a cogestão em abril e flexibilizar as aberturas. Enquanto isso, o NOVO e outros apoiadores do governo na Assembleia Legislativa tentam obrigar as escolas a ficarem abertas em meio ao colapso sanitário, sem testes, vacinas nem qualquer medida que possa de fato conter o vírus. O suposto “lockdown” de Leite é uma verdadeira dança das bandeiras onde quem sai perdendo é a maioria pobre e trabalhadora. Bolsonaro, Mourão, os militares, Leite e Melo são responsáveis por acelerar o Rio Grande do Sul na rota do epicentro do coronavírus no país e resolver o problema sem se enfrentar com eles é uma utopia. O combate à política de Bolsonaro, e dos governadores como Leite e de todos os golpistas é parte da solução.

Contra o negacionismo de Bolsonaro e Melo, a barbárie encenada pelo empresariado, e a política de morte de Eduardo Leite, apenas os trabalhadores podem dar uma saída para a dramática situação sanitária e econômica. É preciso lutar por um programa emergencial para a crise.

Isso significa organizar os trabalhadores e a juventude para exigir testagem massiva e garantir uma quarentena racional, não medieval, para localizar o vírus e isolar os pacientes de forma organizada. É urgente que todos os serviços não essenciais sejam paralisados imediatamente, com os patrões garantindo remuneração para os trabalhadores desses serviços. Os trabalhadores não podem pagar pela crise.

Os desempregados e desalentados, que já somam mais de 570 mil pessoas no RS, precisam de um auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo que garanta um sustento básico e o direito à quarentena. O dinheiro para bancar essas remunerações deve ser retirado dos sonegadores bilionários do estado e do fim das isenções fiscais para as grandes empresas. Para isso, é necessário se enfrentar com os lucros dos ricos, o que está longe da agenda neoliberal do governador tucano. É preciso também transformar os hotéis vazios em hospitais de campanha para combater o esgotamento do sistema de saúde, bem como construir centenas de leitos de UTIs como parte de um plano de obras públicas controlado pelos trabalhadores para gerar empregos. Também é urgente contratar todos os funcionários e médicos necessários para a demanda atual, além de aumentar o quadro de trabalhadores de serviços essenciais como o transporte, liberando com remuneração os grupos de risco e evitando aglomerações aos que não podem deixar de sair. 

O passo de tartaruga da vacinação está intimamente ligado ao monopólio internacional de grandes farmacêuticas que também colocam os lucros acima da vida. Por isso é necessário lutar por vacina para todos e pela a quebra das patentes, além de colocar todo o arsenal científico e tecnológico das universidades e laboratórios para produzir e distribuir vacinas. As indústrias devem ser reconvertidas para produção de insumos médicos, respiradores, EPIs adequados e testes para todos. 

Para levar à frente medidas como essas, as centrais sindicais e os sindicatos devem romper sua paralisia e organizar os trabalhadores. O próximo dia 24, quando CUT, CTB e outras centrais sindicais convocam nas palavras um "lockdown dos trabalhadores", deveria ser o início de um plano de lutas nacional para enfrentar essa crise. Para isso é preciso se organizar, virtual ou presencialmente, de acordo com as condições de casa local de trabalho, para exigir que rompam com essa paralisia, formando também comissões de higiene e segurança sanitária para que os próprios trabalhadores fiscalizem as condições de prevenção.

Chamamos as organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, a serem parte dessas exigências nas categorias onde têm influência, através da CSP-Conlutas e das Intersindicais, além de seus parlamentares. Enquanto o RS atinge o pico do colapso sanitário nacional e os trabalhadores sofrem com a miséria, inflação, desemprego e filas de hospitais, PT e PCdoB, que dirigem boa parte dos sindicatos no estado, estão atuando como conselheiros do neoliberal tucano (junto do PSOL através de suas parlamentares). Os sindicatos devem romper sua trégua imediatamente e organizar a luta em defesa da vida, vacina, emprego e combate real à pandemia.




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