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Em Porto Alegre | É preciso derrotar a privatização da Carris com a força dos trabalhadores, estudantes e usuários

Melo quer votar a privatização da Carris nessa próxima semana. Trabalhadores se organizam para parar a Carris para derrotar Melo e os empresários. É preciso cercar de solidariedade ativa a essa importante luta.

sábado 21 de agosto | Edição do dia

Foto: Trabalhadores em assembleia em frente à Carris

Sebastião Melo quer votar a privatização da Carris nessa semana, a partir de segunda-feira, dia 23 de agosto, na Câmara dos Vereadores. Há anos a centenária empresa é a “menina dos olhos” do grande empresariado porto-alegrense que quer lucrar ainda mais. É preciso derrotar esse ataque com a força dos trabalhadores em aliança com os usuários do transporte público e dos estudantes.

A paralisação já está sendo chamada para começar na segunda-feira, às 4h, no dia 23. O senhor Melo está vindo com tudo para passar esse ataque agora e não vai se contentar com ele. Se a privatização for aprovada, outros ataques virão com ainda mais força – os empresários vão se sentir fortalecidos para aprovar a extinção do cargo de cobrador, ainda mais arrocho salarial, mais e mais demissões, sem contar os ganchos e advertências. A história de que vender a Carris vai diminuir a passagem é um conto da carochinha para enriquecer os amigos de Melo.

Nesse sentido precisamos erguer uma enorme batalha. Sabemos que a Câmara dos Vereadores hoje é dominada pela base aliada de Melo, comandada por um vereador do PDT, aliado de Melo, e que querem vender a Carris a todo custo. Mas em 2020 os rodoviários, aliados aos estudantes e movimentos sociais, conseguiram barrar os ataques de Marchezan em uma Câmara dos Vereadores também repleta de amigos dos empresários. A força dos trabalhadores, quando organizada e confiante, pode dobrar ataques desse tipo de magnitude. Não devemos confiar na Câmara e sim na força dos trabalhadores.

Sabemos que Melo vai tentar colocar os rodoviários contra a população, alegando que a suposta “confusão” causada em Porto Alegre justifica a privatização. Nós devemos ganhar a população para o nosso lado, mostrando que a venda da Carris vai significar ainda mais precarização para o transporte público, que foi graças à Carris que o transporte público seguiu existindo durante a pandemia, já que os empresários das privadas não queriam correr linhas com menos usuários pois não dava tanto lucro.

Os únicos a ganharem com a venda da Carris são os que já lucram em cima de baixos salários, pouca manutenção, carros velhos e ônibus lotados. Por isso os trabalhadores, a juventude, os estudantes, toda a população que usa o transporte público deve apoiar a luta contra a privatização. As centrais sindicais e os sindicatos da cidade devem se colocar lado a lado nessa luta, ajudando com fundo de greve (pois a empresa vai tentar cortar o ponto), girando todas as suas forças para fortalecer a luta e engrossar o caldo da mobilização.

O sindicato dos rodoviários está traindo a luta da categoria. Não só eles não organizaram uma luta a altura do ataque, como vem boicotando as ações que os trabalhadores tiraram (como ocorreu na última quinta-feira). O sindicato deveria estar organizando reuniões e assembleias em todas as garagens para unificar a categoria rodoviária contra esse brutal ataque, ao invés de ajudar os empresários a botar as mãos na Carris.

Essa luta não pode parar na segunda-feira. Pode ser que Melo, junto dos aliados na Câmara, tentem desgastar o movimento e botar para votar na terça ou na quarta-feira, para tentar ganhar a luta no cansaço. Mas lembremos, se um ataque desses passa, fica mais fácil para eles passarem mais ataques. Trata-se de um ataque semelhante ao que Bolsonaro está fazendo a nível nacional, como a privatização dos Correios e outras reformas que retiram direitos dos trabalhadores. Nesse sentido é fundamental fortalecer as reuniões dos trabalhadores, as assembleias, essa mobilização auto-organizada para que os rodoviários decidam os rumos da luta.

É essa perspectiva que pode colocar na ordem do dia o controle do transporte público nas mãos dos próprios trabalhadores. Enquanto os empresários demitem, rebaixam salários, fazem plebiscitos fraudulentos, os trabalhadores poderiam gerir o transporte público de acordo com as necessidades da maioria da população e não do lucro de alguns. Ao invés de vender um patrimônio público histórico, deveríamos lutar por um transporte público 100% Carris, mantendo o emprego de todos os rodoviários e readmitindo todos os demitidos, sob controle dos trabalhadores e usuários.




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