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Manifestações 02/10 | "É ilusão procurar apoio da direita que nos ataca junto com Bolsonaro", diz Marcello Pablito

Conversamos com Marcello Pablito, trabalhador da USP e dirigente do MRT, sobre a convocatória para as manifestações do dia 2 de Outubro.

segunda-feira 20 de setembro | Edição do dia

"Diversos setores de direita estão unificados com Bolsonaro para nos atacar. Bolsonaro é herdeiro do projeto do golpe institucional de 2016, realizado pelo Judiciário, tutelado pelos militares, e que aprova e implementa as reformas trabalhista, da previdência, e agora a Administrativa também. Junto a ele estão Arthur Lira (PP), João Doria (PSDB) e vários direitistas.

No dia 12 de setembro, vimos o fracasso das manifestações da direita liberal. Nesse ato já houve um debate sobre unidade com a direita. Nós defendemos que não e não fomos. Ali, a direita convocante era o MBL, Vem Pra Rua, que é contra cotas raciais, defensor de cada reforma que sofremos desde o golpe institucional de 2016 e que apoiou a eleição de Bolsonaro. Teve até grupo supremacista branco, racistas.

Mas nós não podemos esquecer que setores como a Rede, de Randolfe Rodrigues, o Solidariedade, do Paulinho da Força, também apoiaram a Reforma da Previdência. E é com esses setores que a CUT [Central Única dos Trabalhadores], dirigida pelo PT, convoca os atos do dia 2 de Outubro. Essa convocatória saiu de uma reunião feita em Brasília no dia 14 de Setembro entre as cúpulas do PT, PSOL, PCdoB, PSB, PDT, Rede, PV, Cidadania e Solidariedade. O presidente do PDT, Carlos Lupi, ainda disse que há conversas com PSDB, DEM, MDB, PSD e Novo.

É ilusão procurar apoio da direita que nos ataca junto com Bolsonaro. É para iludir os trabalhadores, estudantes, indígenas que demonstram disposição de luta contra Bolsonaro e fortalece um propósito meramente eleitoral para 2022. Como fez Lula se reunindo com a direita, com o Centrão, na caravana dele no Nordeste, chegando até a se reunir com as oligarquias, como fez no Rio Grande do Norte, se reunindo com setores reacionários, como fez com pastor Isidório na Bahia. A real intenção do PT é se colocar como uma alternativa para gerir a crise capitalista sem precendentes que vivemos, do lado dos empresários, dos patrões. Inclusive como Lula chegou a defender intervenção do capital privado em estatais em entrevista com o Mano Brown.

Nossa unidade tem que ser entre trabalhadores, povos originários, juventude, mulheres, negros e LGBTQIA+, para derrotar Bolsonaro, Mourão e os ataques. E não unidade com a direita. Por que a CUT e a CTB não estão apoiando ativa e nacionalemnte as lutas em curso, a luta indígena, as greves que acontecem em diversas partes do país? Pelo contrário, no governo do RN, Fátima Bezerra (PT) chantageia os trabalhadores em greve do Detran. Fazem isso porque não querem fortalecer uma força independente e unificada, que rompa o controle e derrote o governo, o Congresso, o STF, que nos atacam, e superem as direções burocráticas e imponham uma derrota também para os governos estaduais que implementam os ataques.

Por isso fazemos um chamado às organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, colocando o peso de suas figuras, parlamentares, entidades sindicais e estudantis e movimentos sociais que dirigem, a exigir da CUT, da CTB, da UNE, um plano de lutas por uma paralisação nacional. Com assembleias em cada local de estudo e trabalho. Para fortalecer uma saída independente, com congelamento do preço dos alimentos a nível anterior da inflação pandêmica, auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, por exemplo. E não como faz o presidente do PSOL Juliano Medeiros, se reunindo entre cúpulas de partidos, que inclui setores que nos atacam, ou a deputada Isa Penna, que compareceu e fez fala no ato do MBL.

Só podemos confiar nas nossas próprias forças. E é por isso também que a gente coloca a necessidade de impor pela nossa luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com deputados eleitos por bairros e que possam ser revogáveis, justamente para minar a dominação da direita na política, e pra, principalmente, anulação de todas as reformas aprovadas desde o golpe institucional, o combate à fome, o desemprego, o fim do pagamento da dívida pública, reforma agrária radical e os direitos das mulheres, indígenas, negros e LGBTQIA+."




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