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Minas Gerais | "É a ganância capitalista que faz com que as chuvas signifiquem destruição para o povo", diz Flavia Valle

Reproduzimos aqui, declaração da professora em Minas Gerais, Flavia Valle, dirigente do MRT e editora do Esquerda Diário.

segunda-feira 10 de janeiro | Edição do dia

"Janeiro não pode ser mais sinônimo de tragédias anunciadas. Aqui em Minas, a exemplo do que acontece na Bahia, as chuvas têm significado rodovias interditadas, bairros alagados, inundações, perdas de bens e móveis e tristemente, até mortes.

É revoltante a cada minuto ver aumentando o número de desalojados, desabrigados e atingidos. Ao contrário do que os governos querem fazer parecer, não são imprevisíveis desastres naturais, são consequências direta de cidades inteiras organizadas para atender os negócios capitalistas, mesmo que isso cause a destruição da natureza, crise climática, moradias precárias e inseguras, entre outros vários exemplos de um sistema que privilegia o lucro e a ganância de uma classe, ainda que coloque a vida da maioria da população na miséria e em risco para isso.

Bolsonaro não só estava de férias quando as enchentes tomaram conta do país, como delegou o acompanhamento a um ministro que, pasmem, também entrou de férias. É esse governo de Bolsonaro e Mourão, que junto aos militares, governadores, Congresso e STF, trabalham unicamente para aprovar reformas que atacam os trabalhadores e a população, para privatizar nossos serviços e entregar as riquezas naturais do país, que no ano passado cortou 75% das verbas anuais de combate a desastres como as enchentes, enquanto aprovava orçamento secreto para comprar os deputados. Eles são responsáveis!

Para que eles vivam suas vidas luxuosas, 47% da população brasileira não tem acesso à sistema de esgoto sanitário, 16% não tem acesso à agua tratada, mesmo em meio à pandemia, 55% está em situação de insegurança alimentar, pois com a menor renda mensal em uma década, uma cesta básica chega a custar 67% do salário mínimo.

No nosso estado, a situação dos trabalhadores, da juventude, dos negros e das mulheres, ainda contrasta frontalmente não só com as fortunas dos empresários políticos, como a de Zema, cujas lojas da família lucrou mais de 1 bilhão só em 2020, ou de Medioli de Betim, prefeito mais rico do país, mas também com os lucros exorbitantes daqueles que sistematicamente exploram seus trabalhadores e espoliam as riquezas naturais, como a Vallourec, a Vale, Usiminas, Gerdau e outras.

A Vale privatizada a preço de banana, siderúrgicas como a Vallourec, empresários da mineração, do turismo, do agronegócio são beneficiados por esses mesmos políticos que historicamente aprovam a flexibilização de leis ambientais e reformas trabalhistas e da previdência num combo de ataques contra os trabalhadores, a população e o meio ambiente.

Para responder a toda essa situação, são os trabalhadores os únicos que podem gerir um plano de emergência, controlado pela população, que comece por alojar as famílias em hotéis que sejam socializados para esse fim e em moradias desocupadas. Organize restaurantes públicos, abastecido pela produção de agricultores familiares, para garantir alimentação a todas as famílias atingidas pelas chuvas e também às pessoas atingidas pela fome. Que junto às universidades e aos especialistas iniciem imediatamente a vistoria e a manutenção de todas as barragens que necessitem, inclusive a interdição de barragens à montante. Para reconstruir as moradias, escolas, postos de saúde, estradas destruídas também será necessário colocar de pé um plano de obras públicas, em que os desempregados possam trabalhar com remuneração maior que o insuficiente salário mínimo vigente. Todo o recurso para o plano de emergência e de obras públicas, devem ser garantidos pelos governos federal, estadual e municipais, através do não pagamento da dívida pública, da taxação das grandes fortunas com impostos progressivos, confiscando os exorbitantes lucros da mineração, das siderúrgicas, e do agronegócio que não perdeu um centavo durante a pandemia.

Para colocar em movimento essa força, é fundamental que as grandes centrais sindicais, como a CUT(PT) que dirige os principais e a maior parte dos sindicatos em Minas, a CTB (PCdoB), e as entidades estudantis, como a UNE nacionalmente, mas também os DCE’s nas Universidades, como o da UFMG, organizem e impulsionem os planos juntos aos trabalhadores e estudantes para reconstruir as cidades de forma a priorizar a população e não os lucros dos capitalistas.

Esses planos não se dão sem um enfrentamento à organização das cidades para uma minoria, à ganância capitalista e aos privilégios dos políticos, e pode e deve ser parte de construir uma força que batalhe também politicamente, pela anulação de todas as reformas que atacam os trabalhadores e a juventude, pela re-estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular, pelo controle operário das empresas como a Vallourec, que coloca em risco diariamente a vida dos seus trabalhadores contratados e terceirizados, e nesse final de semana, poderia ter causado um novo desastre capitalista no Estado.

Os trabalhadores organizados, junto a especialistas e moradores do local, são também os que podem garantir uma investigação independente frente à queda dos rochedos em Capitólio, mais uma tragédia que poderia ter sido evitada se não fosse o casamento criminoso entre governos e empresários que acham que os lucros deles valem mais que nossas vidas.

Nessa batalha, é possível movimentar forças imensuráveis para lutar também contra governo Bolsonaro-militares, Zema, o Congresso e o STF, e inclusive, para superar governos como o do PT, cuja política de conciliação de classes leva à situação da Bahia hoje e levou à tragédia de Mariana aqui em Minas num passado muito recente. As organizações e parlamentares de esquerda, movimentos sociais e a juventude podem ser um fator para que os planos aconteçam, lutando por eles em cada local de estudo e de trabalho. Nós do Esquerda Diário e do MRT colocaremos nossa força para essas ideias e essas batalhas".




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