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Chile | Dúvidas em torno da conformação do novo gabinete de Boric

Gabriel Boric, recém eleito presidente do Chile, segue se reunindo com representantes dos partidos da ex Concertación [partido central para a preservação da herança pinochetista após a ditadura] para alinhar a conformação de seu primeiro gabinete e o restante dos cargos designados pela presidência. Até agora, tudo parece indicar que a debilidade parlamentar do governo seria remediada com um acordo governamental entre a coalização Apruebo Dignidad [coalização eleitoral de centro-esquerda integrada por Boric] e a ex Concertación

sábado 8 de janeiro | Edição do dia

A poucas semanas do aguardado anúncio de seu novo gabinete, Gabriel Boric, junto a seus assessores próximos, segue em uma intensa agenda de reuniões com representantes de todos partidos do arco da oposição, para definir quais integrarão o governo que assume no dia 11 de março.

Se já está claro que o Partido Socialista será uma peça chave desta nova articulação, ainda há dúvidas em torno do Partido por la Democracia (PPD), do Partido Radical e do Partido Liberal.

O encontro entre o presidente eleito e a presidente do PPD, Natalia Piergentili, tratou justamente sobre o espaço que este partido terá no próximo gabinete. Ao final da reunião, Piergentili sinalizou que a reunião tinha como objetivo esclarecer o papel do PPD no governo, e que seguirá acompanhando se Boric solicitará algum membro do partido para um cargo ministerial.

Qualquer carta colocada sobre a mesa por parte destes partidos competirá com as já apresentadas pelos partidos e organizações políticas e sociais que compõem a coalizão Apruebo Dignidad.

Até agora, o que se demonstra é a linha do novo governo de construir um forte componente de cooptação dos espaços sociais que participaram de diferentes processos de luta nos últimos 30 anos. Por isso, é provável que personalidades e figuras públicas das lutas ambientais, trabalhistas, da educação, entre outras, possam ocupar algum cargo no próximo governo.

Seguindo esta tendência, Boric e sua equipe usarão todas suas cartas para conformar um governo amplo o suficiente, com acordos “nas alturas”, para compensar sua fragilidade parlamentar, mas também nas bases, buscando certa legitimidade entre os setores sociais que o ajude a manobrar as grandes expectativas geradas por sua vitória eleitoral.

Moderar estas expectativas será, certamente, uma das tarefas iniciais mais difíceis que este governo terá nas mãos, e integrar figuras legitimadas nas lutas facilitará este objetivo.

No entanto, a revolta de 2019 se mantém aos olhos de muitos, e a possibilidade de combinação entre problemas econômicos, a oposição da direita e promessas não cumpridas pode ser perigosa para Boric e o governo de Apruebo Dignidad.




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