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Fechamento das bilheterias | Doria planeja jogar mais de mil terceirizados do Metrô e CPTM no desemprego

Circula na internet um comunicado informando da diminuição do horário de atendimento de algumas bilheterias do Metrô de SP e da CPTM e posterior fechamento destas a partir do dia 12 de fevereiro. A medida pode causar a demissão em massa de milhares de terceirizados e a piora da qualidade do atendimento ao público. É preciso unificar metroviários efetivos e terceirizados, em aliança com a população, para combater mais esse ataque privatista de Doria.

quinta-feira 27 de janeiro | Edição do dia

foto: Bilheteria do Metrô Belem fechada. Rivaldo Gomes/Folhapress

Voltou à tona nos últimos dias a ameaça de fechamento de 10 bilheterias do Metrô e da CPTM. De acordo com um comunicado que circula na internet (confira o comunicado na íntegra no final do texto) as estações da CPTM Socorro, Vila Olímpia, Imperatriz Leopoldina e Lapa da linha 9 Esmeralda; estação Jundiaí da linha 7 Rubi; e as estações Pedro II, Guilhermina Esperança, Patriarca, Vila Matilde e Santa Cecília da linha 3 Vermelha do Metrô, de 5 a 11 de fevereiro terão os seus horários de funcionamento somente das 6h às 10h, e das 16h às 20h e encerramento das atividades a partir do dia 12.

Doria busca dar prosseguimento ao seu plano de fechamento gradual das bilheterias nas estações de metrô e trens que foi anunciado no ano passado. As bilheterias das estações Granja Julieta da linha 9 Esmeralda da CPTM e da estação Belém do Metrô, tiveram seu horários de funcionamento reduzidos até dia 21 de outubro do ano passado e suas atividades foram encerradas no dia 22 do mesmo mês, ocasionando muito transtorno à população e aos trabalhadores das estações que tiveram que lidar com máquinas de recarga inoperantes e falhas no aplicativo TOP, que seria o substituto das bilheteria para aquisição das passagens.

Com a desculpa de economizar 100 milhões anuais com o encerramento dos serviços de todas as bilheterias do Metrô e CPTM como já anunciou, Doria quer precarizar o atendimento a população e pretende lançar no desemprego mais de mil trabalhadores terceirizados que hoje trabalham nessas bilheterias. Nos postos de recarga de bilhete único as demissões já começaram e os usuários do metrô já sentem a precarização do serviço com o fechamento dos guichês. Enquanto isso, Doria repassou 10 vezes esse valor para a iniciativa privada, enriquecendo os grandes empresários. Como foi o caso recente, que denunciamos amplamente, em que o governo repassou 1 bilhão de reais para a empresa CCR, que dias depois foi a grande ganhadora de licitação de mesmo valor, arrematando a concessão de duas linhas da CPTM por 30 anos.

Doria mostra que o seu real interesse é acelerar os planos de privatização dos transportes, abrindo cada vez mais oportunidades para empresas privadas lucrarem com esse serviço essencial para a vida da população.

Em nome de uma suposta "modernização" na compra de bilhetes, o governo do Estado pretende aprofundar a precarização dos transportes pra população e destruir milhares de postos de trabalho, justamente dos setores mais precários da nossa classe, os terceirizados, que não tiveram a direito ao isolamento social e nem mesmo fornecimento de máscaras de proteção e álcool gel de maneira adequada sendo um dos setores mais atingidos pelo coronavírus. Aí se mostra a face cruel da terceirização que, além de dividir a classe entre efetivos e terceirizados, baixíssimos salários, péssimas condições de trabalho, humilhações e quase nenhum direito, esses trabalhadores são golpeados pela alta rotatividade dos postos de trabalho e nenhuma estabilidade no emprego.

Para combater a divisão da classe que a terceirização impõe, e fortalecer a luta em defesa dos empregos dos bilheteiros para que triunfe, é preciso que no Metrô e na CPTM efetivos e terceirizados se unifiquem em uma luta só contra o Estado e os planos privatistas de Doria que se aproveita da divisão entre os trabalhadores para atacar seus direitos e condições de vida em todas as frentes. Consideramos importante que nossas assembleias pautem esse ataque e aprovem medidas nesse sentido de unidade, votando um posicionamento de total solidariedade com todos os terceirizados das bilheterias e dos postos de recarga, com a exigência de nenhuma demissão.

Por isso também foi um importante avanço em nosso último Congresso dos Metroviários de SP aprovar como demanda de luta dos trabalhadores a efetivos a defesa da efetivação de todas e todos os trabalhadores terceirizados do Metrô de SP sem a necessidade de concurso público, uma vez que estes trabalhadores terceirizados do Metrô já cumprem as funções que lhe são atribuídas hoje. Essa luta levada a frente pelo conjunto dos trabalhadores e estudantes pode apontar uma saída definitiva à terceirização por parte dos explorados, dando uma perspectiva concreta aos trabalhadores frente ao ataque histórico que significou a terceirização no país.

Nós do Movimento Nossa Classe chamamos todas as metroviárias e metroviários para aderirem às ações de mobilização pelos nossos direitos, aprovados na última assembleia, para barrar o avanço da privatização e da terceirização. Com a retirada de uniforme a partir de 27/01 e participando da assembleia híbrida dia 27/01 às 19h para definir os rumos de nossa luta!




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