Política

Doria, o burguês mentiroso, não é alternativa ao bolsonarismo

As mentiras envolvidas no processo de divulgação da nova Butanvac, junto com a gestão negligente de Doria no estado de São Paulo escancaram o oportunismo do governador que tenta se apresentar como alternativa ao bolsonarismo. Entre o negacionismo por um lado e a demagogia por outro, é preciso batalhar por uma saída independente dos trabalhadores para crise em curso, sem confiança naqueles sustentam o regime do golpe.

Clara Gomez

Diretora do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire

sábado 27 de março| Edição do dia

Foto: AFP / Miguel Schincariol

Fruto do esforço de cientistas e trabalhadores da área da saúde, foi anunciada hoje a vacina produzida pelo instituto Butantan. Apesar de todas as medidas e ataques que foram promovidos nos últimos anos pelo PSDB, esses trabalhadores foram os responsáveis pela produção do imunizante, não o privatista João Doria que mente sobre as parcerias com outros países para produção de vacina ou sobre os prazos de distribuição por puro marketing, enquanto morrem mais de mil pessoas por dia no estado governado por ele.

Buscando se apresentar como uma alternativa para 2022, Doria tenta invisibilizar todos os esforços feitos pelos trabalhadores do instituto que enfrentam o assédio, a sobrecarga, a precarização e a terceirização e que apesar disso foram os verdadeiros responsáveis pela sintetização do imunizante, mas temos consciência de sua demagogia. O governador que se movimenta em direção às eleições, nunca teve como pretensão conduzir medidas para preservar a vida dos trabalhadores, pelo contrário.

Doria é um dos governantes que, junto ao seu secretário da Educação, está na linha de frente do retorno inseguro às aulas que já custou a vida de profissionais da educação e estudantes, e que está impondo isso novamente para atender aos empresários da educação, mesmo sendo algo a contragosto da população. Foi ele que, reunindo-se com empresários na FIESP no começo da pandemia, impôs um retorno irracional da economia sem quaisquer políticas de segurança sanitária aos trabalhadores.

Todas as ações de Doria provam como a prioridade dele sempre foi o lucro, nunca a vida. A falta de testes massivos, de leitos em números suficientes, de oxigênio, kits de intubação, junto à política de vacinação a passos lentos, que não consegue abarcar mesmo os grupos prioritários, devem ser colocados em sua política negligente que está em consonância com o governo federal.

O governador tenta se alçar para 2022 a partir de uma imagem de defensor da ciência que é falsa. O Projeto de Lei 529 e os ataques às universidades, alinhados a sua gestão negligente são a prova cabal da sua demagogia que fez um jovem de 22 anos ser o primeiro a morrer sem ter direito a leito em São Paulo. A sua modificação prevista sobre o ICMS, inclusive, configura-se como um entrave para a compra de insumos e equipamentos na saúde. Que defensor é esse sequer oferece vacina aos trabalhadores da saúde? No início deste ano, as trabalhadoras do HU da USP tiveram que organizar uma forte mobilização com apoio dos estudantes pela vacinação de todos os trabalhadores e, ainda assim, o governador segue relutante em vacinar as terceirizadas.

Ele também segue na linha de frente implementar a terceirização pelo estado, regime de trabalho que degrada as condições de vida de milhares de mulheres negras que se vêem entre a extrema exploração e o risco da contaminação. A evidência dos efeitos do racismo estrutural e da desigualdade se expressam no estado governado por ele, uma vez que a pandemia foi muito mais mortífera entre negros em São Paulo.

A conquista obtida por meio do esforço dos trabalhadores do Instituto Butantan, combinada às produções das universidades que desenvolveram testes rápidos e respiradores mostram a importância de que todo o processo de pesquisa e desenvolvimento de vacinas seja controlado pelos trabalhadores e pesquisadores. Frente a isso, fica evidente a impossibilidade de se depositar confiança em Doria que tenta se apresentar como oposição racional em um processo de corridas pelas vacinas com vistas para 2022, que não carrega qualquer preocupação com os trabalhadores,a juventude e a população mais pobre.

Frente ao nível de crise profunda é preciso confiar na força dos trabalhadores para uma saída nessa crise a partir de um forte programa emergencial. é Basta de recordes diários de mortes e de contaminação, fruto do descaso dos governos.

É fundamental um programa que imponha testagem massiva; um plano universal de vacinação pela quebra de patentes das vacinas; a estatização e criação de mais leitos sob controle dos trabalhadores, junto a contratação de mais trabalhadores da área da saúde; a reconversão das indústria para produção de equipamentos e insumos médicos, estando tudo isso articulado com a batalha por um isolamento racional e remunerado para população, a partir de um auxílio que seja no mínimo de uma salário mínimo e também pela expropriação de hotéis e resorts para a população mais pobre e o tratamento de doentes.

Sem confiança em Bolsonaro, Mourão, governadores ou qualquer outro ator responsável por sustentar esse regime podre, fruto do golpe institucional. Cada ataque e reforma aprovada com esses atores degradaram o setor da saúde e aprofundaram as desigualdades, foram eles que nos fizeram chegar até aqui. A organização deve ser em base a força dos trabalhadores, pela imposição de uma nova constituinte que revogue as reformas e promova medidas à serviço das demandas dos trabalhadores.

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