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ATAQUE À EDUCAÇÃO | Doria faz espetáculo para anunciar mais 778 escolas PEI e aumentar exclusão do ensino

João Doria e Rossieli Soares anunciaram nesta segunda-feira (12) a imposição do excludente Programa de Ensino Integral (PEI) em mais 778 escolas da rede estadual paulista. Esse foi o maior aumento da história do Programa de Ensino Integral na rede.

terça-feira 13 de julho | Edição do dia

Foto: Divulgação/Secom/GESP

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), e seu secretário de Educação, Rossieli Soares, anunciaram nesta segunda-feira (12) que a partir de 2022 o excludente PEI estará em vigor em 1.885 unidades escolares da rede estadual paulista, ou seja, uma ampliação de mais 778 escolas PEI em relação ao ano anterior. De acordo com as estimativas da Secretaria de Educação, serão 25% do total dos estudantes matriculados na rede estadual paulista no Programa de Ensino Integral. Esse foi o maior aumento da história do ensino integral do estado.

O anúncio foi realizado em meio a um espetáculo patético que contou com a presença de empresários e representantes da direita neoliberal. Doria, aos gritos e de olho nas eleições de 2022, não somente apresentou os números da expansão do excludente PEI como também, e de forma absurdamente demagoga, reivindicou a importância da educação, em especial da educação pública, para a formação das crianças, jovens e adultos.

“Nós vamos dar um salto quântico no número de escolas em tempo integral no estado de São Paulo. É sabido que as escolas de tempo integral são transformadoras na vida dos jovens, de crianças porque permitem uma melhor Educação, uma melhor integração, um melhor campo de proteção, uma melhor alimentação e a formação daqueles que no futuro serão profissionais, serão dirigentes de negócios, serão empreendedores”, disse ele.

O Programa de Ensino Integral, tal como o imposto por Doria e Rossieli, aprofunda a dualidade estrutural da educação uma vez que exclui o jovem trabalhador ao estabelecer uma divisão entre aqueles que podem se dedicar somente aos estudos e uma imensa maioria que necessita trabalhar. Situação que se agrava diante do cenário de miséria instalado no país com taxas elevadíssimas de desemprego e fome no qual Bolsonaro, Mourão, governadores e prefeitos são responsáveis.

Veja aqui: Depoimento de uma estudante sobre o Programa de Ensino Integral

A divisão também ocorrerá no interior do sistema educacional, já que as escolas regulares - já sucateadas há décadas pelo projeto neoliberal e privatista do PSDB - ficarão sobrecarregadas, pois absorverá os estudantes que não poderão permanecer no PEI. Não suficiente, o programa imposto por Doria promove a gestão pedagógica e administrativa da escola de acordo com a perversa lógica empresarial. Isso fica evidente com as possibilidades de cessação de contrato dos professores por parte do diretor, a política de cerceamento da organização política dos professores e os sistemas avaliativos que estimulam a competição.

Veja aqui: "A prática é bem diferente da ideia que vendem" relata professora de escola integral de SP

Seria cômico se não fosse trágico escutar João Doria em meio ao seu espetáculo dizer que a escola com o programa de ensino integral são “transformadoras na vida dos jovens” e que essas possibilitaram uma melhor preparação para o mercado de trabalho quando na verdade o que o regime político do golpe, do qual Doria é parte ativíssima, reserva para a juventude é um futuro totalmente incerto em cima de duas rodas, com uma bag nas costas e sem qualquer direito trabalhista. Essa é a cara da reestruturação das relações de trabalho. A formação dos jovens não passa por fora desse ataque. A Reforma do Ensino Médio, a primeira reforma do regime do golpe, é parte dos ataques de conjunto disparados contra a classe trabalhadora e juventude. Veio para precarizar ainda mais a formação dos estudantes e as condições de trabalho dos professores. Vale destacar que a própria ampliação do PEI está contida, não à toa, na Reforma do Ensino Médio.

Outra demagogia de Doria durante esse anúncio que merece ser desmascarada é quanto a qualquer possível preocupação com a alimentação dos estudantes. Desde que a pandemia foi declarada, nenhuma política séria de segurança alimentar foi levada adiante por Doria e Rossieli. Se houve comida no prato dos estudantes foi por conta das incansáveis campanhas de doações promovidas pela própria comunidade escolar. Doria tem no currículo, quando prefeito da cidade de São Paulo, avergonhosa ração que nada mais era do que restos de comida não comercializado e, posteriormente, processados para consumo seco. Nas escolas da rede estadual distribui como merenda um punhado de bolachas secas como alimento. Alimento esse que para muitos estudantes é a única refeição do dia.

É lamentável que organizações como a UMES, União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo, que é diretamente ligada ao PCdoB reivindique o execrável Programa de Ensino Integral de Doria. Nas suas redes sociais a UMES referiu-se como grande vitória da educação o anúncio realizado nesta segunda-feira. A Escola de Tempo Integral ofereça aos estudantes bolsa de estudos para que esses não precisem escolher entre estudar ou trabalhar e, desde que não precarize a rede pública de ensino de conjunto, é bem vinda! Entretanto, conforme mencionamos nesse texto, esse não é o programa e as intenções de Doria e seus fiéis amigos empresários da educação.

É necessário que a Apeoesp organize desde a base a luta da comunidade escolar contra o PEI, a Reforma do Ensino Médio e a imposição ao retorno inseguro das aulas presenciais conforme expressou a professora Flávia Telles do Nossa Classe Educação.

Contra o negacionismo de Bolsonaro e Mourão e a demagogia de Doria, que em nada é alternativa ao projeto político da extrema direita, é necessária a mais ampla democracia na categoria e a organização real da nossa luta. Não será por meio de saída institucionais, tal como o impeachment que coloca no lugar o defensor incansável da ditadura militar - General Mourão, e muito menos por meio da transformação da Apeoesp em um gabinete parlamentar da política de conciliação do PT que derrotaremos os ataques de conjunto que precarizam a vida dos trabalhadores e da juventude.

Por isso, nós do Esquerda Diário e do Nossa Classe Educação viemos colocando a exigência a que a Apeoesp chame os demais sindicatos e centrais a convocar uma greve geral para derrubar Bolsonaro, Mourão e os ataques, como a privatização dos Correios. Somente a força da classe trabalhadora e da juventude nas ruas, com seus métodos de luta que poderá impor uma saída de fundo para a situação política, econômica e social, nesse processo nós defendemos que é preciso levantar a luta por uma nova constituinte, onde seja o povo e não esses poderes da política nacional que decida os rumos do país, e assim possa abrir espaço para que seja os capitalistas que paguem pela crise que eles mesmos criaram.




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