Opinião

VACINAS

Doria e as vacinas no olho do furacão das disputas políticas para 2022

sexta-feira 26 de março| Edição do dia

Ontem, 24, Doria anunciou um plano de vacinação para policiais e professores, o que diante do caos sanitário do país foi motivo de uma justa comemoração dos professores e trabalhadores da educação, já que segue a tensão se o governo vai nos jogar ao retorno inseguro novamente ou não.

Qualquer um que conheça o governo Doria sabe que diferente do apreço que tem pelos policiais, ele e seu secretário não tem nenhum apreço pelos professores. Pelo contrário, sem vacinas, sem epis adequados, com escolas sem ventilação, impuseram a contaminação e morte de professores em apenas algumas semanas de retorno, isso sem falar nos diversos ataques à educação que esse governo coleciona. Mas então, porque Doria decidiu começar essa vacinação com o combo policiais + professores?

Para começar essa reflexão temos que ir ao fato de que ontem mesmo, depois do pronunciamento mais do que mentiroso de Bolsonaro, o negacionista, os líderes do Congresso, Luiz Fux do STF, militares e alguns governadores estiveram em reunião chamada de “pacto nacional”que inclui medidas contra o coronavírus, sobretudo a vacinação. O “alguns governadores” não é um detalhe, já que estiveram presentes os governadores aliados de Bolsonaro, e até mesmo, Renan Filho, representante do consórcio governadores do nordeste. Já Doria não foi nem convidado. Portanto, o pacto pela vacina por ora não inclui o PSDB.

Ou seja, se o governador de SP saiu à frente fazendo um verdadeiro show pela vacina no início do ano, com discurso contra Bolsonaro que sempre foi anti-vacina, a reabilitação de Lula, a carta dos 500, e a verdadeira tragédia sanitária que acontece no país, em que especialistas dizem que é possível chegar em 5 mil mortes diárias nos próximos meses, fizeram Bolsonaro se relocalizar para dizer que “2021 será o ano das vacinas”.

Com a reabilitação de Lula, que faz a politica ir aos pólos, Doria aparece menos como o nome que pode derrotar Bolsonaro, ainda mais quando este ainda é disciplinado para ser o presidente que busca solução para pandemia, Doria e a oposição neoliberal a Bolsonaro reduz ainda mais seu espaço como principal opositor e precisa correr para mostrar a melhor eficiência na pandemia.

Veja também em: A política do centrão e os descaminhos do centro

E correu. Ontem mesmo o secretário da educação de SP, Rossieli Soarres, disse em live pela manhã que não havia vacinas e que os professores teriam que aguardar como toda a população, ou seja, eternamente.

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Publicado por Rossieli Soares da Silva em Terça-feira, 23 de março de 2021

Mas horas depois da reunião do “pacto nacional” acabar, Doria já anunciou que iria disponibilizar vacinas para policiais, uma base reacionária que se liga a Bolsonaro, e aos professores, para disputar a opinião pública, agradar empresários da educação e ainda incidir sobre a base de trabalhadores que é dirigida pela Apeoesp do PT, se mostrando como o mais responsável dos governadores do país e ainda respondendo ao comitê de Bolsonaro.

“O Brasil quer vacinação, não quer comitê de adulação. Comitê de adulação não participo. Faça um comitê de vacinação e serei o primeiro a estar lá presente para ajudar. Para fazer adulação de presidente, não”, diz o governador.

Mas seu plano, como nós professores já percebemos, é bastante limitado, só serão vacinados, a partir de 12 de abril, os que têm mais de 47 anos, fazendo com que mais de 60% fiquem de fora. Além disso, o que teme os professores é que possa virar um impulsionador da imposição do retorno escolar, que seguiria insegura, já que outras categorias de trabalhadores, como de transportes, e a toda população pobre, que segue aguardando promessas virarem resultados, estão de fora da vacinação.

No governo federal, um dos debates de Lira e Pacheco com empresários foi em torno de como abrir mais espaço para que a iniciativa privada possa financiar os leitos do SUS e para que eles possam comprar vacinas com mais facilidades para aplicar por fora do SUS, ou seja, sempre priorizando os lucros e fazendo com que a população pobre amargue sem vacinas.

A verdade, é que os panelaços pelo país e a voz dos estudantes de medicina da USP que gritam “Genocida” a Marcelo Queiroga e contra o autoritarismo da LSN, mostram que nós não acreditamos em nenhuma promessa advinda de nenhum desses setores, de Bolsonaro a Doria.

Por isso, que é preciso que o grito de “genocida” ganhe ainda mais força e possa penetrar os trabalhadores brasileiros, para que possam tomar essa crise nas mãos, exigindo das burocracias do PT e PCdoB que estão a frente das centrais sindicais que rompam a paralisia que se encontram e organizem os trabalhadores para dar uma saída de fundo, lutando pela quebra das patentes e controle da indústria farmacêutica para ter um plano de vacinação e testagem massivas, um auxílio de um salário mínimo, reconversão industrial para garantir o aumento de leitos de UTI e respiradores.




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