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REPRESSÃO | Dória e Alckmin querem enquadrar pixadores como crime organizado em SP

Alckmin, seguindo a ofensiva contra os pixadores e grafiteiros iniciada por Dória, destaca o DEIC para organizar investigações e prisões coletivas contra artistas de rua em São Paulo, enquadrando como crime organizado. Assim, as penas podem chegar até 8 anos de prisão.

segunda-feira 23 de janeiro de 2017 | Edição do dia

Desde que assumiu a Prefeitura João Dória declarou uma guerra aos artistas de rua, prendendo mais de 30 pixadores e grafiteiros em apenas um mês, e apagando murais reconhecidos internacionalmente como obras de arte, como foi o caso do mural da 23 de Maio.

Para intensificar sua perseguição contra esses jovens que usam da arte de rua como meio de expressão e manifestação, o novo Prefeito em aliança com Geraldo Alckmin destacou através da Secretaria Estadual de Segurança Pública nada menos que o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) para organizar investigações nas redes sociais e realizar prisões coletivas. Segundo o próprio Dória, já está em curso um esquema de espionagem contra os jovens, que "muito em breve, vai se materializar".

Com o DEIC a frente, a ideia dos tucanos é enquadrar os jovens não mais em crime ambiental, que prevê de 6 a 1 ano de prisão, mas em formação de quadrilha e crime organizado, podendo chegar à penas de até 8 anos de reclusão. Ainda que o próprio secretário adjunto da Segurança Pública de São Paulo, Sergio Turra Sobrane, admita que não seja tão fácil esse enquadramento, deixa claro que este é o novo objetivo da pasta. A mesma ação já foi realizada em Belo Horizonte, MG, e a operação chegou até mesmo a instalar tornozeleiras eletrônicas em jovens acusados.

Cidade linda ou cidade muda?

A cada dia fica mais escancarado quais os interesses do João Dória "Trabalhador" na cidade de São Paulo, que é deixar a cidade com a cara que os empresários querem, com todos as "sujeiras" embaixo do tapete, a cara do higienismo elitista. Sua política não é resolver os problemas de moradia, mas encobrir com tapumes os moradores de rua.

Também não se trata de ouvir o grito de revolta da juventude que ecoa pelas paredes da cidade, pelo direito ao lazer, à arte e cultura, à educação e ao emprego, justamente ao contrário, Dória quer calar a juventude, quer uma cidade cinza, uma cidade muda. Outra expressão disso é a retirada de um dos poucos espaços de lazer da juventude paulistana, os shows que anualmente aconteciam no aniversário da cidade de São Paulo dando vida às ruas que pela primeira vez não vão acontecer.

A repressão à juventude e a crise do sistema carcerário

Desde o início do ano o país está acompanhando a verdadeira calamidade escancarada com a crise nos presídios. Já foram mais de 4 rebeliões em estados diferentes, e mais de 150 mortos apenas neste ano. A superlotação é um dos problemas mais apontados, uma consequência direta da repressão à juventude.

Quase 60% dos presos são jovens, que ao contrário de receberem qualquer tipo de reeducação ou reabilitação social vivem em condições desumanas, degradantes, sem condições básicas de higiene, saúde, alimentação e nem falar educação. Especialistas apontam que muitos deles antes de entrarem nos presídios nunca tinham entrado em contato com o tráfico ou crime organizado, e após passar para trás das grades não tiveram opção na busca por sobreviver sob o fogo cruzado das facções.

Medidas como essa que estão tomando Dória e Alckmin, de enorme salto na criminalização das expressões artísticas da juventude, na busca por enquadrar em crime organizado e aumentar em mais de 8x as penas dos jovens detidos, visam seguir e aprofundar a política de tratar a miséria e a revolta social dos setores mais explosivos como a juventude não com direitos sociais e emprego, mas com encarceramento em massa e massacre dentro dos cárceres.




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