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REABERTURA INSEGURA DAS ESCOLAS EM SP | Doria ataca professores contratados e de grupo de risco para impor retorno presencial

A ordem é explícita: expor os profissionais da educação a um maior risco de contaminação sob a pena de perderem sua designação. É o que deixa bem claro um comunicado da secretaria estadual de Educação do estado de São Paulo. Um absurdo sem tamanho, já que não há condições sanitárias seguras para esse retorno presencial, nem para os trabalhadores da educação, nem para o conjunto da comunidade escolar. Além disso, não tem testes massivos, nem vacina para exigir o retorno do grupo de risco às escolas, sendo que já estão, desde 2020, trabalhando o triplo para garantir o EAD dos alunos.

segunda-feira 15 de fevereiro | Edição do dia

Foto: reprodução

No dia 11 de fevereiro, em comunicado externo conjunto da Subsecretaria e a Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos – CGRH da Secretaria de Educação, o governo ataca os trabalhadores da educação, como mais um exemplo de ameaça para impor um retorno inseguro do qual professores e outros profissionais se colocam contrários para defender a vida de toda a comunidade escolar.

Sobre as designações do suporte pedagógico, impõe que as “Diretorias de Ensino devem fazer constar no referido documento que a prestação laboral deverá ser cumprida presencialmente (...) podendo ocorrer a negativa de atribuição de vaga ao candidato que não retornou a prestação laboral de forma presencial.” Ou seja, para aqueles que não retornarem para o presencial, não tem vaga.

Referente às atribuições dos Programas e Projetos da Pasta, “as Diretorias de Ensino, assim como as Unidades Escolares deverão proceder às atribuições dos Programas e Projetos da Pasta, como PAC, PROATEC, ACD, POC, Professor Auxiliar (ordem judicial), Sala de Leitura e dentre outros, somente para os docentes que exercerão suas atividades de maneira presencial (...)”.

E ao final, depois de ameaçar os professores, o documento fecha com “o integrante do Quadro do Magistério, que pertencer ao grupo de risco e que tiver interesse em atuar em regime presencial, deverá preencher o termo de responsabilidade disponibilizado no sistema da Secretaria Escolar Digital – SED.” Assim, não só impõe para que todos os professores retornem, caso queiram ainda sustentar suas famílias, mas também o governo quer se abster de qualquer caso de morte ou demais sequelas que possam ocorrer caso o professores pegue Covid.

Como podemos ver claramente, Doria e seu secretário de Educação Rossieli querem literalmente empurrar os professores que são grupo de risco para a morte, e também usar da precarização que construiu na categoria, expondo a vida dos professores contratados, especialmente os categoria O, que se sentem sem saída para o retorno, já que grande parte deles ficaram sem salário desde o fechamento das escolas em 2020! Doria e Rossieli deixam claro que a vida desses professores não tem o menor valor para eles. Fazem chantagem forçando esses trabalhadores a apostarem com suas vidas para não perderem sua função designada. Algo que implicaria no mínimo em grandes transtornos e incertezas em relação a sua jornada de trabalho, função e renda. Assim como querem responsabilizar as famílias por eventuais contaminações de seus filhos, estão jogando nas costas dos trabalhadores do grupo de risco a conta de não garantirem condições sanitárias seguras para o retorno das aulas presenciais.

Se as escolas ainda não retornaram presencialmente, isso é culpa do governo que nunca garantiu um plano efetivo e racional para o combate à pandemia. Doria faz demagogia como se fosse oposição a Bolsonaro, mas o mesmo governa o estado onde mais morreram vítimas da Covid. Isso sem falar da vacina, que o governador usa para se alçar como alternativa para a burguesia em 2022, enquanto na verdade, não existe vacina nem para todos trabalhadores da saúde no país, que são de fato aqueles que lutaram contra a pandemia.

Os professores do Estado e do município de São Paulo estão em luta contra a reabertura insegura das escolas, mas para essa luta poder ser vitoriosa é necessário mais do que nunca mobilizar de fato a categoria e unificar a luta entre os trabalhadores da educação. Mas infelizmente não é a forma como o que a direção majoritária da Apeoesp (PT e PCdoB) vem conduzindo a greve da categoria até o momento, que na última assembleia (12/02) defenderam uma posição que na prática interrompe a greve na categoria.

Veja mais: Greve trabalhando? Sobre a posição absurda apresentada pela direção da Apeoesp

Nós do Nossa Classe Educação defendemos nas assembleias pela continuidade da greve e pela unificação dos professores estaduais com os municipais, para assim fortalecermos a mobilização, rompendo com o isolamento imposto pelas direções e avançando na construção na base. Fazemos assim um grande chamado à toda oposição para a construção de um pólo antiburocrático, que tenha como objetivo exigir da direção majoritária do sindicato a unificação com professores municipais, organizando espaços de discussão e deliberação construídos pela base em cada escola e campanha contra o corte de ponto, disponibilizando os recursos do sindicato e organizando um fundo de greve para garantir condições de mobilização contra o corte de salário de Doria.

Veja aqui: Os desafios da greve dos professores de SP contra a imposição do retorno inseguro.

Nesse momento em que a maior parte dos trabalhadores já voltou a normalidade em meio a uma segunda onda de covid-19, Doria quer jogar a opinião pública contra os profissionais da educação, como se esses não quisessem trabalhar. A realidade é que esses profissionais são contra o retorno das aulas presencias sem condições sanitárias seguras nas escolas. Quem deve decidir como e quando devem voltar as aulas presenciais são as comunidades escolares junto com os trabalhadores da saúde. Deixar essa decisão nas mãos de Doria e Rossieli é abrir caminho para centenas quiçá milhares de contaminações expondo ainda mais as famílias trabalhadoras em nome do lucro dos capitalistas.




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