Gênero e sexualidade

8 DE MARÇO

Direito ao aborto legal, seguro e gratuito!

Em 2015 se ouviu por todo país, nas ruas e nas redes sociais, o grito das mulheres pelo direito ao aborto, contra a violência, pelo direito à sexualidade e ao próprio corpo. Com a situação de crise política e econômica no país devemos saber que os efeitos na vida das mulheres são imediatos. Demissões e terceirização do trabalho já é uma realidade. Os cortes nos orçamentos retiram da saúde e moradia, levando a uma situação de caos frente ao surto do zika vírus. E um regime político onde os políticos usam nossos direitos como moeda de troca com setores ligados à Igreja faz com que há 13 anos de governo do PT o aborto permaneça ilegal.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André, diretora da APEOESP pela oposição e militante do MRT

Carolina Cacau

Professora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

sábado 20 de fevereiro de 2016| Edição do dia

O fato é que neste Brasil das Olímpiadas a desigualdade de gênero se escancarou como nunca. As mulheres grávidas com zika e mães de bebês com microcefalia estão sendo abandonadas. Na imprensa permanece uma verdadeira guerra de informações que esconde por trás interesses dos governos e da medicina capitalista, nunca os direitos das mulheres. Não é mais possível adiar a pauta da legalização do aborto no Brasil.

Frente a esta situação é preciso construir a mais ampla mobilização pra que as mulheres possam decidir. Lutemos pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, em especial nos casos de emergência como das mães contaminadas pelo zika vírus, como pede processo no STF, lutando para legalizar o aborto para todas as mulheres. Não queremos nenhuma mulher morta por aborto clandestino, nenhuma mulher sem poder decidir sobre sua maternidade, nenhuma criança com microcefalia sem atendimentos médicos necessários.

Para enfrentar esta situação é necessária a suspensão imediata do pagamento da dívida pública para que este dinheiro seja revertido em um sistema único de saúde 100% estatal e sob controle dos trabalhadores da saúde e usuários. Devemos exigir que as mulheres trabalhadoras grávidas, em primeiro lugar as dos estados mais atingidos, como Pernambuco, devem ter direito a licenças remuneradas de seus trabalhos caso desejarem, podendo recorrer a casas abrigo transitórias para se proteger dos mosquitos. Todos devem receber repelentes e telas mosqueteiras gratuitas do governo, e ter toda a assistência médica necessária.

Este 8 de março deve potencializar um forte grito das mulheres de todo o país, a partir de seus sindicatos, entidades estudantis, organizações de direitos humanos e feministas para construir uma ampla mobilização para legalizar o aborto e por todos os direitos das mulheres, o que colocará necessariamente um enfrentamento com os setores mais reacionários do Congresso como Eduardo Cunha que quer retirar nossos direitos, mas também em enfrentamento com o governo do PT que permanece nos negando este direito.




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