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2 de outubro | Diferente do que prometeram os organizadores, a presença da direita não aumentou os atos pelo Fora Bolsonaro

Os atos do Fora Bolsonaro deste sábado, 02, ocorreram em mais de 200 cidades pelo país, incluindo cidades do exterior. Foram milhares os que ocuparam as ruas contra os ataques do governo, às ameaças golpistas, a situação do desemprego e da fome, e o conjunto de problemas que atingem o país. No entanto, diferente do que disseram seus organizadores, a presença de setores da direita, em especial no ato de São Paulo, não fez com que as manifestações fossem maiores.

Danilo ParisProfessor de sociologia

sábado 2 de outubro | Edição do dia

Todas as capitais tiveram atos significativos, mostrando a manutenção de uma vanguarda estendida nacionalmente que segue disposta a se mobilizar e ir para rua contra Bolsonaro, seu governo e o conjunto dos ataques. No entanto, apesar dessa disposição, cada vez mais se faz notar que a política de “ampliação” das organizações participantes do atos, isto é, da entrada como organizadores de partidos burgueses ou da direita liberal tradicional, longe de ampliarem a força das manifestações - como afirmavam PT, PCdoB, incluindo setores do PSOL e até mesmo o PSTU - na verdade não produziu o aumento das pessoas nas ruas, ao mesmo tempo que deu palanque para que aqueles que sempre nos atacaram pudessem fazer demagogia como supostos democratas que agora estariam preocupados com Bolsonaro.

A verdade é que desde que as direções majoritárias das manifestações resolveram colocar ênfase na participação da direita nos atos, eles vem diminuindo e não aumentando. Isso ocorre não somente porque esta direita não tem capacidade de mobilização nenhuma nas ruas, como mostrou o dia 12, mas também porque essa política de conciliação e atos espaçados no tempo que não são parte de um plano de luta efetivo desmobiliza os setores de vanguarda mais combativos e militantes.

Foram 14 partidos burgueses ou da direita que confirmaram participação na manifestação de São Paulo, são eles: Cidadania, DEM, MDB, PDT, PL, Podemos, Solidariedade, PSD, PSB, PSDB, PSL, PV, Rede e Novo. Todos eles participantes e impulsionadores do conjunto das reformas, ataques e privatizações que impulsionaram um país de milhões de desempregados, onde mais da metade da população vive em insegurança alimentar, onde a ultra exploração do trabalho se expandiu de forma absurda. Para acomodar e satisfazer os interesses desse setor da direita liberal, até promessa de ato ecumênico, a reprodução do Hino Nacional, e o uso das cores verde amarela, tão características das manifestações bolsonaristas, foram feitas pelas direções das manifestações.

Figuras grotescas como Paulinho da Força, do Solidariedade e da Força Sindical, falaram na Av. Paulista, e foram fortemente vaiados. O mafioso do sindicato patronal, e que foi parte daqueles que apoiaram o golpe institucional de 2016, foi um dos convocantes do ato de hoje.

No ato de São Paulo foi onde se concentram as principais figuras políticas dos partidos e organizações. Gleisi, Haddad pelo PT, Orlando Silva e Manuela D’Ávila pelo PCdoB, Boulos pelo PSOL e Freixo pelo PSB estiveram presentes. A presidenta do PT disse "precisamos pressionar o Lira. Temos muitas divergências, mas temos uma unidade. Não queremos mais Bolsonaro governando este país." Essa política defendida pelo PT, e acompanhada por diversas organizações como o PSOL, é aquela que coloca o impeachment em primeiro plano, e que submete a luta dos trabalhadores e popular a exercer uma pressão sobre Lira e esse Congresso reacionário, em uma política que conservaria o reacionário general Mourão no poder, ao invés de lutar pela derrubada do conjunto desse governo de ultradireita. E que essas mesmas organizações caracterizam que sequer é realizável no momento. Não dão a mínima para os ataques antioperários que estão passando no Congresso e no STF. Que o mundo pereça, desde que se agite de palavra o impeachment, e se prepare a eleição de Lula.

Diferente disso, Marcelo Pablito do MRT declarou no carro de som do bloco da CSP-Conlutas que "a unidade que precisamos é da esquerda nas lutas para enfrentar o Bolsonaro, o Mourão e todo o regime". É por isso, que viemos chamando o conjunto da esquerda para conformar blocos classistas e de independência de classe nesse dia 02, rechaçando a presença dessa direita liberal que é responsável pela chegada de Bolsonaro ao poder, e não pode representar nada progressivo para as mobilizações. O conjunto dos governadores, STF e partidos como MDB, PSDB, DEM, entre outros também são culpados e responsáveis pela atual situação do país.

Por isso, ao contrário de buscar se aliar com nossos inimigos, consideramos urgente a construção de um polo que possa coordenar e potencializar a resistência e luta diante de todos os ataques do governo Bolsonaro-Mourão, dos governos estaduais, municipais e dos capitalistas. E que, ao mesmo tempo, possa ser um polo ativo para a intervenção concreta na luta de classes cobrindo de solidariedade qualquer luta operária, popular e de juventude.

A política, daqueles que defendem a chamada “Frente Ampla”, serve apenas para apagar e diminuir as bandeiras e o programa que podem responder aos graves problemas sociais e econômicos do país, como a revogação de todas as reformas, privatizações, reajuste salarial de acordo com a inflação e emprego com direitos para todos, afinal de contas, essa mesma direita foi responsável pela aprovação de vários desses ataques.

Por isso nós do MRT viemos defendendo, e estivemos presentes conformando blocos com esse de conteúdo, nas principais capitais do país, a mais ampla unidade da classe trabalhadora e de todos os oprimidos, nos apoiando em importante expressões de lutas como foi a dos indígenas em Brasília, dos trabalhadores da MRV em Campinas, da SAE Towers em Minas Gerais, e agora os trabalhadores da ProGuaru em Guarulhos que fazem uma dura greve contra a demissão de 4,7 mil trabalhadores e a privatização. Apoiaremos e encamparemos todas as medidas que apontem nesse mesmo sentido, pois consideramos que esse é um eixo fundamental que pode unificar a esquerda para atuar concretamente na realidade. Ao mesmo, seguiremos debatendo nossas divergências, e defendendo nossa saída política para o país, através de uma Assembleia Constituinte, livre e soberana, que se proponha discutir e debater o conjunto dos problemas do país, e enfrentar esse regime político apodrecido, que só poderá significar uma vida de miséria para amplas camadas da população trabalhadora e pobre.




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