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Diário da bancarrota: as declarações e ações do PSTU e Luciana Genro um dia antes da votação do impeachment

Na véspera da votação do Impeachment parte da esquerda brasileira está reafirmando suas posições que se misturam com Moro e com a direita.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

domingo 17 de abril de 2016| Edição do dia

Um dia antes da votação do impeachment a corrente interna do PSOL, MES, na pessoa de Luciana Genro, e o PSTU reiteram uma vez mais sua determinação em rumar ao abismo político frente à situação nacional aberta. Como já discutimos em inúmeros artigos, como aqui, as posições dessas organizações há tempos vêm sendo vergonhosas, para dizer o mínimo. Fizeram coro com Marina Silva e com a Folha de S. Paulo ao exigirem “eleições gerais”, legitimam os poderes sob os quais os juízes do STF e do TSE vieram determinando os rumos do país. Juízes esses que recebem mais de 80 mil reais por mês em alguns casos (como o de Sérgio Moto), sem nunca, sequer, terem sido eleitos em nenhum lado.

E como se não bastasse, MES e PSTU ainda fazem questão de negar-se a ver o óbvio: que uma vitória do impeachment promovido pela Lava Jato se constituirá como um avanço de medidas autoritárias, que se voltarão contra os trabalhadores e a juventude, tornando essa democracia para os ricos, que assassina sistematicamente negros e pobres, ainda mais dura. E não será mais dura contra os políticos da burguesia, mas contra a juventude e os trabalhadores.

Luciana Genro em post em seu perfil do facebook declara que “derrotar o impeachment é o melhor caminho para seguir a luta contra a corrupção, e por uma verdadeira democracia”. No entanto, como já era de se esperar, e condizente com a posição de “esquerda Lava Jato” que assumiu há tempos segue afirmando que “Aos que estão indignados com o PT, por este partido ter entrado para os mesmos esquemas que combatia quando era oposição, quero dizer que se o impeachment for aprovado a Rede Globo e seus políticos tentarão derrotar a Lava Jato (...)”. Ou seja, para ela, para uma "verdadeira democracia" é preciso que Moro, este agente treinado pelo Departamento de Estado Americano, siga atuando livremente. E isso, ao contrário do que sonha Luciana Genro, não abriria terreno para um “combate à corrupção” ou "mais democracia", mas sim para uma democracia cada vez mais controlada pelo Judiciário, e outras instituições, como a Polícia Federal.

Em outras palavras, uma democracia cada vez mais antidemocrática contra os trabalhadores e a juventude, cujos interesses Luciana Genro afirma defender, o que a cada momento é mais difícil de acreditar, visto que sua política faz com que esteja de fato colada na direita e nos setores que reivindicam e atuam no sentido de atacar ainda mais os trabalhadores. Com essa posição, dizer que é contra a votação pelo impeachment não passa de meras palavras ao vento, que sequer tem nexo interno.

Luciana Genro é contra o impeachment, mas reivindica estridentemente um dos seus maiores instrumentos, a Operação Lava Jato, do juiz Sergio Moro cujos laços com os monopólios imperialistas são públicos e notórios. Que coerência existe nisso?

Além disso, a própria tese de que os grandes meios de comunicação deixariam a Lava Jato de lado não parece ecoar nos editoriais das próprias sucursais da Globo país afora. Luciana Genro desconhece, ou deliberadamente não faz caso, não se pode saber, do editorial do Zero Hora jornal do Rio Grande do Sul, justamente onde ela se lançará como candidata, que afirma no dia 16 de abril que “com ou sem impeachment (...) a Lava Jato, senhoras e senhores passa a ser um estandarte de honra para os brasileiros, não pode ser interrompida, não pode ser desconsiderada”. Isso demonstra que ao contrário de abandonar a Lava Jato, o que esses setores da burguesia representados por esses meios de comunicação buscarão é se utilizar desse mecanismo para impor seus interesses, todos absolutamente alheios e contrários aos dos trabalhadores. Agora, além da Folha de S Paulo que clamou por eleições gerais, Luciana Genro, está de braços dados com o Zero Hora, afiliada à RBS, que por sua vez é afiliada à Globo.

Já o PSTU, com quem polemizamos aqui, e aqui e também aqui que também tem gastado rios de tintas para tentar convencer, sem sucesso, que sua política de “Fora Todos” e de “Eleições Gerais”, mesma que o MES de Luciana Genro, seria de esquerda, quando os colam também com a direita, passou o último dia antes da votação do impeachment em São José dos Campos detrás de uma faixa agitando sua desastrosa política.

Felizmente, pode-se ver claramente pelos vídeos que foram publicados no perfil de Zé Maria, que o pretenso ato foi absolutamente esvaziado, e resumiu-se a um setor minoritário de algumas dezenas de pessoas de sua própria militância, reproduzindo em escala ainda menor a ausência de trabalhadores reais nos atos convocados em favor da linha direitista que levaram aos atos de 1 de abril. Nem no facebook o pretenso ato de São José dos Campos conseguiu obter mais que algumas dezenas de curtidas.

Na manifestação de hoje cantavam "fora Dilma" tal como acontecerá amanhã na Avenida Paulista, cobriam pela esquerda esta unidade com outros cantos contra Renan e Temer. A lógica de fundo de sua posição é que se o governo cair, não importa que pelas mãos do Judiciário, dos políticos tão corruptos quanto os do PT, e daqueles setores que buscam endurecer ainda mais o cerco sobre os trabalhadores e o povo pobre isso seria um avanço mesmo assim.

E como se não bastasse, ainda seguem denunciando no ato aqueles que colocam claramente o impeachment como um golpe institucional, corretamente lutando para que os trabalhadores não tenham ilusões em instituições como o STF, a polícia federal, ou a Lava Jato, como se defendessem “fica Dilma”. Uma tentativa desesperada, e que a ninguém convence, de responder às crises e críticas que irrompem dos mais amplos setores a essa política de direita que o PSTU está levando adiante. E que pior que o desespero vai na contramão de algo que deveria ser básico para todos os que se colocam como esquerda: que a ruptura dos trabalhadores com o PT deve ser dar em base a um programa anticapitalista e socialista. O PSTU com sua política de capitular ao golpismo institucional não apenas não arma nesse sentido, como ainda não combate a direita, já que fortalece o único movimento real que existe, que é o Fora Dilma, que venha Moro, a Globo e a direita mais reacionária do país.

Qualquer política efetivamente de esquerda deve partir de exigir das centrais sindicais que rompam sua subordinação ao governo do PT, que segue atacando os trabalhadores e promovendo ajustes, e organizem um plano de lutas, que se coloque claramente contra o impeachment e os ataques do PT. Que organize um amplo movimento de trabalhadores contra os ataques do PT, e contra o golpe institucional da direita. Somente assim se poderá constituir uma alternativa independente dos trabalhadores e da juventude.




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