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IMPERIALISMO

Diante da pandemia, suspendam as sanções sobre o irã já!

As sanções não são novas, mas no meio do desastre do Coronavírus, elas desencadeiam uma crise humanitária em nações como o Irã. Socialistas nos EUA devem veementemente denunciar e exigir que as sanções sejam suspensas imediatamente.

domingo 22 de março de 2020| Edição do dia

No dia 20 de março, o Irã confirmou quase 20.000 casos de Coronavírus e 1.433 mortes – o maior número de mortos depois da China e Itália. No Irã, as principais cidades estão improvisando valas, e muitas autoridades de alto escalão já sucumbiram ao vírus – com 8% do parlamento iraniano contaminado.

‘’Baseado nas nossas informações, a cada 10 minutos uma pessoa morre de coronavírus e a cada hora 50 são infectadas no Irã “, Kianush Jahanpur, um membro do Ministério da Saúde, escreveu no Twitter.

Um indicador da profunda crise, é a liberação temporária de 85.000 presos (cerca de metade da população prisional) pelo governo iraniano, com o objetivo de conter a propagação do COVID-19 dentro das prisões superlotadas e cheias de doenças. A guarda revolucionária do Irã foi trazida para fiscalizar o toque de recolher impostos, refletindo uma dramática elevação nos esforços e uma transferência de regras políticas para militares.

Entretanto, essas medidas não diminuíram o crescimento da epidemia no país que ostenta infraestruturas degradadas e péssimas condições econômicas. Mesmo antes da devastação criada pelo COVID-19, Irã vem lutando para lidar com a consequência das sanções do EUA, com milhões de jovens sofrendo com desemprego, economia nacional fraca e direitos básicos negados, principalmente na saúde. O Irã está ainda pior atualmente.

A situação atual do Irã é somada, em parte, pelo fato da administração do Trump reimpor as sanções sobre o Irã. Sanções adicionais impostas após o assassinato de Qasem Sulemani permite que uma política dos EUA de “pressão máxima” destinada a prejudicar a economia iraniana – tomar posse completamente.

Apesar da maior parte do equipamento, tanto mascaras e desinfetantes, são produzidos no Irã, o desespero levou a uma escassez difícil de ser suprida. Com as sanções de EUA a exportação de óleo e importação de remédios, equipamentos médicos e alimentos de extremo necessidade para lutar contra esse grande surto.
“Existe uma grande escassez desses suprimentos no país, devido aos preços altos dos medicamentos e equipamentos- uma consequência das sanções dos EUA”, Relief International disse em 29 de fevereiro.

A desumanidade das sanções de trump

Até recentemente, “comércio humanitário” para necessidades vitais como medicina não foram impactados pelas sanções. O comércio humanitário com Irã era legislado após o escândalo do petróleo por alimentos no Iraque e está consagrado na Lei de Reformas e Sanções Comerciais e Aprimoramento de Exportação de 2000 (TSRA). Esse projeto determina que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiro do Departamento do Tesouro (OFAC) permite a exportação de certos produtos humanitários (alimentos, medicamento e dispositivos médicos) em programas de sanções jurisdicionais, como o Irã.

Em setembro de 2019, o presidente Trump deu aos Banco Central do Irã (CBI) um título de terrorista, removendo a isenção humanitária que existia anteriormente. Isso criou um grande impedimento ao comércio humanitário dando prevalência ao CBI dentro da economia iraniano e no mercado de câmbio. Sem dúvida, a designação do CBI foi uma tentativa dos EUA de estrangular ações humanitárias. Não poderiam vim em pior hora.

Antes da designação, os iranianos tinham pelo menos um caminho, entretanto pequeno, para receber as necessidades básicas. Hoje, no meio de uma crise humanitária, pessoas doentes estão sem remédios vitais, aumentando o número de mortos já alargamento no Irã.

Da mesma forma, sanções estão pressionando a crise financeira, prejudicando o Irã. Uma marca da severa crise econômica do Irã é a solicitação de empréstimo emergencial de $5 bilhões para a IMF.

Foi a primeira vez desde a revolução de 1979 que o Irã pediu a ajuda da IMF – Uma instituição dirigida pelas políticas e interesses imperialistas dos EUA, que promove uma política de rigor com a classe trabalhadora e pobre – contradizendo as críticas anteriores do Irã a instituições por razões ideológicas.

Militarismo do EUA e sanções adicionais

Parece que nem mesmo uma crise global de saúde pode parar o projeto imperialista norte americano no Oriente Médio. Na última semana, no aniversário do General iraniano Qassim Suleimani assassinado, uma enxurrada de foguetes disparou contra a base aérea do acampamento Taji perto da capital iraquiana de Baghdad. O Estados Unidos suspendeu os ataques contra as milícias xiitas apoiadas pelo Irã e, no dia seguinte, retaliaram lançando ataques aéreos em cinco locais no Iraque e anunciando ainda mais sanções destinadas a nove entidades e três indivíduos “que estejam envolvidos em atividade que podem permitir o comportamento violento do regime iraniano”, segundo o secretário do estado Mike Pompeo.

Apesar da declaração de Pompeo, as sanções são, na realidade, destinadas a atingir a indústria petroquímica do Iran a fim de empurrar o Iran para dentro de um buraco econômico ainda mais profundo. É ultrajante, para dizer o mínimo, que o EUA continue com sua política destrutiva e desumana impondo sanções e reforçando gastos militares ao invés de pôr um fim às sanções e redirecionar fundos para combater a crise da saúde pública sem precedentes. Os iranianos, iraquianos e americanos comuns não podem pagar pela violência no meio de uma pandemia que, sem a devida ação, já se contribui para a morte e destruição, as quais, desproporcionalmente, afetam a classe trabalhadora nesses países.

Outros países alvo de sanções estão também sob tensão
Quando crises como pandemia devastam o globo, em uma sociedade socialista se esperaria que os países trabalhassem juntos de toda forma possível para atenuar a propagação e impacto do vírus mortal na sociedade. O capitalismo, entretanto, impõe uma diferente ordem mundial, em que um bloco imperialista, liderado pelos EUA, criminalmente tem como alvo países como o Irã, Cuba e Venezuela.

Na Venezuela, como o Irã, o EUA recentemente aumentou suas sanções para dar um golpe no setor de saúde da Venezuela à medida que o coronavírus se espalha no país. Em 2019, sanções foram intensificadas para incluir um embargo de petróleo (A economia da Venezuela é baseada na exportação de petróleo) e uma proibição de todas as transações com as entidades estatais venezuelanas. Uma rodada de sanções impostas em agosto de 2019 já havia sido autorizada sanções secundárias contra negociação de terceiros com o Estado da Venezuela.

Até agora, essas últimas rodadas de sanções tiveram um preço alto, não só no valor de dano de bilhões de dólares para a economia venezuelana, mas também na saúde da população. Agora mesmo, sanções esmagadoras impostas pela administração de Trump força a Venezuela a gastar três vezes mais nos kits de teste do coronavírus do que países não sancionados – dificultando severamente a habilidade do governo venezuelano de responder à pandemia.

Além disso, sanções de longa data dizimaram o setor de saúde da Venezuela por mais de cinco anos, mais notadamente levando para uma infraestrutura inadequada e escassez de suplementos médicos. O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, recentemente solicitou um empréstimo de 5 bilhões de dólares do IMF a fim de combater o coronavírus. Como esperado, o IMF dominado pelo EUA rejeitou como uma manobra política – o EUA e seu aliado reconheceram Juan Guaido como presidente interino da Venezuela e querem empossá-lo como seu líder.

Em outros lugares na América Latina, cubanos estão desenvolvendo uma vacina que poderia salvar potencialmente a vida de milhões de pessoas se fosse efetiva, nos últimos 12 meses, o EUA atingiu Cuba com talvez as sanções mais potentes em meio século. Desde o último ano, o EUA sancionou companhias petroleiras entregando petróleo para Cuba da Venezuela, um aliado próximo de Cuba. Em suma – Cuba precisa de sistemas de petróleo e de saúde com petróleo barato. Com o racionamento estrito do petróleo, bois e cavalos estão sendo usados mais e mais por necessidade de transporte em Cuba.

Os cubanos já estão acostumados à devastação das sanções nas mãos das nações imperialistas. O embargo do EUA em Cuba foi introduzido nos anos 60 com o objetivo explicito de “trazer fome, desespero e a derrubada do governo”, segundo o departamento do Estado dos EUA.

Em meio à crise do coronavírus, quase atingiu seus objetivos e poderia dizimar a vida dos cubanos ainda mais. Escassez de mercadorias como sopa, que já estavam em falta, agora podiam iniciar situações terríveis.

Fim às sanções dos EUA – Repúdio à Dívida – Oposição ao militarismo dos EUA!

Se já houve tempo para dar fim às sanções, a crise humanitária dessa magnitude deveria ser a chance para acabar com sanções e bloqueios econômicos desumanos contra países como o Iran, Venezuela e Cuba. Devido à violência abominável das sanções dos EUA, pessoas em todo o mundo são deixadas com recursos limitados, sem o acesso adequado à suplementos médicos e com sistemas médicos sobrecarregados.

O que a política estrangeira dos EUA gosta de chamar a política de “pressão máxima” é projetada para impor os maiores níveis de dano, inanição, pobreza e escassez em nome da “democracia” e “liberdade”.

À medida que o COVID-19 aumenta seu alcance em todo o mundo, países em extrema necessidade emergencial de ajuda e aqueles que estão lutando ao máximo com essa crise da saúde devem receber ajuda. A classe trabalhadora nos EUA deve denunciar a guerra econômica imposta a esses países e pedir por um fim imediato às sanções em países como o Iran, para reduzir o número possível de morte e sofrimento.

Muitos países que nem são alvos de sanções são ainda vítimas do imperialismo dos EUA. Os pobres globais são alvo dos governos imperialistas, especialmente em tempos de crise, através de instrumento como o IMF e o Banco Mundial. Instituições do capital internacional deveriam ser denunciadas por explorar países pobres através de obrigações de dívida exorbitante que que impedem essas nações de investir na infraestrutura de saúde necessária para lidar com uma crise de qualquer magnitude.

Finalmente, o militarismo dos EUA deveria ser denunciado por seus motivos que só existem para servir aos interesses dos EUA, aprofundando a inabilidade do país de responder a essa crise da saúde. Socialistas devem pedir para a ajuda militar ser redirecionada, bases dos EUA fechadas e ocupações e ataques militares serem suspensos indefinidamente.




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