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A luta por vacina dos metroviários de SP deve incluir os trabalhadores terceirizados

sexta-feira 9 de abril| Edição do dia

O processo de terceirização caminha a passos largos no Metrô de SP; serviços de limpeza, bilheterias, manutenção de vias e estações, etc são alguns dos postos de trabalho que foram terceirizados - apenas na manutenção o processo ainda não se deu por completo. Ao mesmo tempo, o número de trabalhadores efetivos caiu drasticamente nos últimos anos. Se torna claro, portanto, que há uma política aberta de terceirização e precarização do trabalho na empresa por parte dos governos tucanos e seus secretários apoiados, principalmente, na “lei das terceirizações”, sancionada pelo golpista Michel Temer em 2017 - e endossada, mais tarde, pelo reacionário STF - que representa um ataque profundo e estrutural a toda classe trabalhadora, principalmente às mulheres negras que ocupam a maior parte desses postos de trabalho.

Para o trabalhador o significado real dessa política se expressa de diversas formas: salários rebaixados, jornadas exaustivas, direitos reduzidos, organização sindical suprimida etc; no Metrô de SP não é diferente e o período de crise sanitária pelo qual passamos hoje escancara ainda mais a tragédia que é para a classe trabalhadora a farsa das terceirizações.

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Durante todo o último ano os trabalhadores metroviários terceirizados foram, provavelmente, o setor mais atingido da categoria pois não tinham sequer acesso a EPIs adequados; passam até 15 dias com a mesma máscara já que as empresas terceirizadas não fornecem materiais em quantidade suficiente e o Metrô lava suas mãos, se isentando de responsabilidade legal sobre esses trabalhadores. Não tiveram garantido nem o direito, de fato, ao afastamento dos grupos de risco, uma vez que diversas trabalhadoras das empresas de limpeza eram simplesmente demitidas no meio dos supostos “afastamentos”, na sua maioria mulheres idosas ou com algum tipo de comorbidade. Não bastasse as áreas já terceirizadas, Doria e a direção da empresa aproveitaram a pandemia para efetivar sua política de terceirização na empresa: entregaram todas as bilheterias e amplos setores da manutenção de trens, vias e estações.

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Doria e a direção da empresa podem fazer a propaganda que for nas telas das TVs dentro dos vagões do metrô, mas a realidade que se impõe é o inverso disso tudo. O sindicato dos metroviários não tem sequer acesso ao número total de casos entre os trabalhadores terceirizados; não se sabe, com certeza, quantas dessas colegas já se contaminaram ou até quantas já faleceram por conta da covid porque essa informação é simplesmente negada pela empresa.

Está colocado em pauta, hoje, o debate pela vacinação dos trabalhadores dos transportes em São Paulo e, seguido disso, uma greve sanitária já foi convocada para o dia 20/04 em que diversas categorias do transporte coletivo devem parar suas atividades e lutar pela vacinação dos que estão na linha de frente no enfrentamento à pandemia. Nós da Chapa 4 Nossa Classe, minoria na diretoria do sindicato dos metroviários, entendemos que a unificação das categorias do transporte é mais que necessária e que essa luta deve se estender a todos os trabalhadores que fazem os transportes de SP funcionar, sejam eles efetivos ou terceirizados. Não devemos deixar nossos companheiros, já vítimas de uma precarização extrema nas suas relações trabalhistas, apartados dessa conquista. Devemos explorar toda nossa capacidade de mobilização e luta para estarmos juntos aos metroviários terceirizados nessa batalha pela vacinação da categoria!




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