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Permanência estudantil | Despejo e prisão: moradores do CRUSP são atacados pela Reitoria e pela PM de Doria!

Após anúncio de despejo no Bloco D do Conjunto Residencial da USP, os moradores foram surpreendidos novamente na madrugada de sábado para domingo com a PM nos arredores da moradia para prender um estudante. Fora PM do Campus! Contra todos os ataques aos mais precarizados da universidade!

terça-feira 10 de agosto | Edição do dia

Policiais militares, armados com fuzil, prenderam na madrugada de sábado para domingo um estudante de Geofísica, morador do CRUSP. Ao prenderem o estudante, causaram indignação a outros moradores, que questionaram o motivo da prisão e para onde o estudante detido seria levado. De forma absurda, a PM ignorou as indagações e levaram o jovem preso sem nem mesmo apresentar justificativa.

Esse caso se soma, infelizmente, a tantas outras vezes em que a polícia agiu de forma truculenta e autoritária contra os estudantes da Universidade de São Paulo. Principalmente se tratando do CRUSP, onde residem os mais precarizados, que foi palco também de invasões de apartamentos pela PM nos últimos meses e em outros momentos da história do movimento estudantil da USP.

Não bastasse isso, no momento, os moradores enfrentam também a ameaça de despejo no Bloco D, sob o risco de não conseguirem nem uma moradia, muito menos permanecer nos cursos em que estudam. Isso, em nome de uma suposta reforma, cujo projeto nunca foi divulgado, e partindo da mesma Reitoria que tomou os Blocos K e L para aplicar obras e até hoje não os devolveu para moradia.

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A polícia é o braço armado dessa Reitoria elitista e racista que negligencia a permanência e deixa os estudantes à própria sorte. Por isso, a Reitoria da USP e o governador do estado, João Doria, também são responsáveis pelo absurdo que foi a prisão do estudante Giovani, pois abrem as portas da universidade para que a PM se instale, unicamente para reprimir e perseguir a organização estudantil e de trabalhadores.

O Campus da Cidade Universitária conta inclusive com uma base instalada ao lado do CRUSP, do DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP, e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Ou seja, onde se concentram grande parte das lutas estudantis. Não por acaso, mas justamente com o objetivo de barrar a auto organização dos estudantes e trabalhadores em luta, reprimindo possíveis mobilizações e armados com fuzis, assim como no ocorrido neste fim de semana.

Não deve ser tratado como coincidência a entrada da PM no CRUSP justamente na semana em que os moradores estão sendo atacados com o despejo no Bloco D. É, na verdade, uma demonstração de forças do quão autoritária pode ser a reitoria e a polícia de Doria. O governador do estado faz demagogia ao se lançar como mais moderado, visando as eleições de 2022, mas essa é a realidade de como atua a polícia comandada por ele e qual é o projeto de universidade e de educação que tem: extremamente elitista e persecutória. Não esquecemos de 2018: Doria é “BolsoDoria” em São Paulo. A prisão sem justificativa do estudante e morador do CRUSP ocorre inclusive ao mesmo tempo em que o entregador Paulo Galo está sendo mantido preso de maneira arbitrária e persecutória pela mesma polícia do estado paulista.

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Com esse cenário colocado, o DCE, dirigido pelo PT, Levante Popular da Juventude e PCdoB, precisa estar a serviço de defender a permanência estudantil, organizando o conjunto dos estudantes para nos mobilizarmos contra esses ataques absurdos. Para isso, é preciso chamar uma assembleia geral para que todos os estudantes possam massificar e se somar aos moradores do Bloco D na defesa do CRUSP, contra o despejo e o autoritarismo da PM! Entre os moradores do CRUSP, em assembleia e no comitê contra o despejo do Bloco D, já foi aprovado a importância de que o DCE construa essa assembleia geral (link), precisamos cercar de solidariedade os estudantes que correm risco de não ter onde morar e responder à altura. As entidades estudantis, algumas também dirigidas por outros movimentos e partidos de esquerda, como PSOL, PCB, UP e PSTU, precisam, em cada curso, atuar no sentido de organizar os estudantes frente a esse ataque à Universidade, que impõe um projeto privatista e elitista.

É inaceitável que os estudantes sejam ameaçados ao se organizarem frente aos ataques da Reitoria e de Doria. Fora PM do Campus!

Nós do Esquerda Diário e da Faísca também estivemos presentes na DP em que o estudante foi mantido preso por meio dia, veja também nossa declaração:




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