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COVAXIN | Deputado bolsonarista diz que alertou Bolsonaro sobre irregularidades na compra da Covaxin

O deputado Luis Miranda (DEM-DF), até então apoiador de Bolsonaro, declarou que em encontro com o presidente o alertou sobre irregularidades no contrato para a aquisição da Covaxin, com superfaturamento e benefício da intermediária.

sexta-feira 25 de junho | Edição do dia

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) alega ter alertado Bolsonaro para irregularidades no contrato de compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde. Segundo o parlamentar, havia superfaturamento e favorecimento irregular à empresa responsável pela intermediação. Os avisos teriam sido ignorados pelo presidente, que atacou Miranda. "Olha a vida pregressa desse deputado é lógico que vai abrir inquérito", disse.

O deputado possui um irmão no ministério da Saúde. Ambos prestarão depoimento hoje para a CPI da Covid. Bolsonaro ameaçou abrir inquérito contra os dois: "Lógico que abrirei inquérito [contra as alegações feitas por Miranda]", disse nesta sexta-feira (25). "Olha a vida pregressa dele [Luis Miranda]", completou o presidente.

Apoiador de Jair Bolsonaro até então, o parlamentar questionou o presidente após o anúncio de que seria investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU): “Sempre te defendi e essa é a recompensa?”.

“Presidente da República Jair Bolsonaro você fala tanto em Deus e permite que eu e meu irmão, sejamos atacados por tentarmos ajudar o seu governo, denunciando para o Senhor indícios de corrupção em um contrato do Ministério da Saúde! Sempre te defendi e essa é a recompensa?”, interpelou Miranda.

Segundo o funcionário da Saúde, ele recebeu um documento com o pedido de pagamento fora do contrato para importar três lotes com data próxima do vencimento. Luis Ricardo Miranda se recusou a assinar o recibo no valor de US$ 45 milhões (R$ 222,6 milhões) e compartilhou as suspeitas com o irmão. Em depoimento ao Ministério Público Federal ele também relatou uma “pressão anormal” para agilizar o envio da documentação do imunizante indiano para a Anvisa.

A Covaxin foi a única vacina que precisou de uma intermediária para a sua compra. As suspeitas são que o superfaturamento ocorreu para beneficiar essa intermediária. O preço unitário dessa vacina foi disparadamente o maior entre todas as outras. A vacina da Pfizer foi comprada pelo Brasil por US$ 10 e US$ 12 a dose. Já a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, custou menos de US$ 6 a dose. Ainda assim, enquanto o governo enrolou e se recusou diversas vezes a fechar contrato com a Pfizer, por exemplo, teve negociações aceleradas para fechar a compra da Covaxin.

O contrato foi assinado entre o governo brasileiro e a Precisa Medicamentos, que pertence à Global Gestão em Saúde e ao empresário Francisco Emerson Maximiano —que, por sua vez, também é sócio da Global. A Global Gestão em Saúde é investigada por outro contrato firmado com o Ministério da Saúde, na gestão do então ministro Ricardo Barros (2016-2018), também investigado no caso. Hoje, Barros é deputado federal pelo Progressistas, e líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados. A compra da Covaxin foi beneficiada por uma emenda de Barros na medida provisória que liberou importação de vacinas não aprovadas pela Anvisa.




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