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VACINA COVID-19

“Depois de trabalhar tanto tempo, diante do caos, não temos vacina nem informação”, diz trabalhadora da saúde

Trabalhadora da saúde do Rio de Janeiro relata ao Esquerda Diário situação vivida nesta semana em que começaram a vacinação de parte dos profissionais da saúde. “Não se sabe quando vão ter mais doses e a única certeza é que quem não for vacinado agora, não sabe quando vai ser”.

quinta-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Governo do Estado de SP

Nesta semana, equipes de vacinação contra a Covid-19 começaram a atuar em diversos hospitais pelo país, entretanto, em muitos casos, de maneira extremamente desorganizada e confirmando os dados já previstos e anunciados por inúmeros órgãos, faltam vacinas e sequer os trabalhadores da área da saúde têm garantia de que serão vacinados integralmente.

O próprio Ministério da Saúde já havia anunciado que somente 34% dos profissionais da saúde seriam vacinados com as 6 milhões de doses hoje disponíveis no país. Ao longo desta semana, esse dado foi se confirmando em cada equipe de saúde, em que trabalhadores que estiveram os últimos 10 meses na linha de frente do combate à pandemia, não têm certeza se conseguirão ser vacinados e protegidos.

Uma trabalhadora da saúde da capital do Rio de Janeiro, relatou que no hospital em que trabalha “não há critério para as subdivisões do grupo prioritário. Não se sabe quando vão ter mais doses e a única certeza é que quem não for vacinado agora, não sabe quando vai ser”. Acrescentou, ainda, que a situação é de tensão entre os trabalhadores da saúde, dada a falta de informação, a desorganização e a competição que começa a ser gerada pela não garantia massiva da vacina por parte dos governos, desabafando que “é bizarro que depois de trabalharmos tanto tempo, diante do caos que tá, nós não tenhamos vacina e, em muitos casos, não tenhamos informação quase nenhuma de nada”.

Na corrida pela vacina, tanto o negacionismo violento de Bolsonaro, como a política golpista de João Doria, que faz propaganda demagógica ao lado de uma técnica de enfermagem negra, deixam claros os motivos que fazem do Brasil o país recordista em mortes entre trabalhadores da saúde e onde os negros são os mais assolados pela Covid-19.

Como relatado pela trabalhadora da saúde do Rio de Janeiro, a falta de informação e organização sobre quem serão os profissionais da saúde a serem vacinados é desesperadora. Graças ao racismo estrutural, são em maioria os negros e negras que em ocupam os postos de trabalho mais precários, sendo técnicos de enfermagem, trabalhadores terceirizados da limpeza e portaria, os que serão deixados de fora desta fase da imunização, não tendo garantia nenhuma de quando serão vacinados.

Essa realidade comprova como não é possível confiar nem no plano federal nem nos planos interessados de governadores como Paes e e Doria, do regime golpista, para que haja imunização no país. É preciso lutar por vacinas para todos, com distribuição universal e gratuita, sob gestão dos trabalhadores, que são aqueles que estão diariamente, desde o começo, na linha de frente, como agora os de Manaus que enfrentam a barbaridade de falta de oxigênio.

Leia mais: Brasil não possui vacina nem para metade dos trabalhadores da saúde, nem para 99,5% de idosos




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