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Greve dos Ferroviários de SP | Depois de Datena tentar derrotar a greve e ferroviários mostrarem força, Doria novamente quebra acordo

Ferroviários de SP das linhas 11, 12 e 13 da CPTM, protagonizaram um importante dia de greve contra Doria, Baldy e a empresa que tentam cada vez mais retirar os direitos da categoria. Mais uma vez, o Bolsonarista Datena se fingiu de “mediador”, fazendo demagogia para enganar os trabalhadores e acabar com a greve sem garantias, atuando a favor da empresa, mas os trabalhadores demonstraram sua força, impondo que Baldy retrocedesse na sua ameaça de demissões. Apesar de promessas de que retrocederá nas demissões, os trabalhadores que foram demitidos ainda não conseguiram retornar ao trabalho.

quinta-feira 26 de agosto | Edição do dia

Após um dia de forte greve, os ferroviários de três linhas de SP demonstraram sua força contra a ofensiva de Doria, Baldy e da empresa. A categoria, que estava em greve contra o arrocho salarial imposto há mais de dois anos, teve que se enfrentar também com a ameaça de demissões feita por Alexandre Baldy, secretário de transportes do governo Doria.

A tentativa por parte do governo e da empresa de derrotar a greve dos ferroviários das linhas 11, 12 e 13 era um recado claro a toda a classe trabalhadora, dizendo abertamente que as demissões eram por fazer greve e serviriam de exemplo para todas as demais categorias. Uma violação absurda do direito de greve, tudo em nome de avançar com os ataques contra os trabalhadores, privatizações e reformas, como vem fazendo o governador Doria em SP.

Assim como na greve dos metroviários de 19/05, entrou em cena mais uma vez o reacionário e bolsonarista apresentador Datena. Se colocando como “mediador”, mas para fazer pesar a favor da empresa e do governo, colocando suas mais de três horas de programação para atacar os ferroviários, tentando colocar a população contra a greve e assim derrotar a mobilização. Não foram poucos os momentos de trocas de afagos entre Datena e Baldy e a enorme pressão para que a greve se encerrasse, sob a ameaça das demissões. Nesse contexto, foi apresentada uma proposta melhor em relação à campanha salarial, com o pagamento retroativo dos reajustes salariais de 2020 e 2021 em cinco parcelas a partir de outubro, e não mais as 10 a partir de fevereiro de 2022 prometidas de início. Porém com as demissões de 10 maquinistas mantidas.

Datena mostrou mais uma vez como atua para acabar com as greve sem nenhuma garantia para os trabalhadores, como fez também com os metroviários que seguem com todos os seus direitos ameaçados por Doria e pela justiça. Sua demagogia com os trabalhadores está a serviço de fortalecer o seu próprio projeto de candidatura eleitoral de extrema direita pelo PSL como suposta "terceira via", e é isso que está por trás de seu discurso no fim desse espetáculo ao vivo dizendo que a saída está no diálogo e não na polarização.

Porém nenhum deles contava com a força que demonstrou a categoria, que em resposta votaram na sua assembleia que só poderiam encerrar a greve se fosse garantido que não haveria nenhuma demissão. E isso apesar de que a direção do sindicato, da CUT, ao vivo, estava concordando com uma mera promessa de seguir negociando sobre as demissões. Diante da decisão dos ferroviários em manter a greve caso não fossem atendidos, Baldy teve que retroceder e se comprometer publicamente em não realizar demissões. Uma importante demonstração de força da categoria, mostrando que o que realmente fez pesar foi a força da greve e a incapacidade de Datena e do governo em jogar a população contra a greve, uma vez que todos estão sentindo na pele os efeitos do desemprego, da alta do custo de vida e da precarização da vida. O diretor sindical da CUT ficou rasgando seda para Datena, mas claramente "ficou sobrando", em meio aos afagos entre Baldy e Datena, que dizia que "é bom ficar claro que o governo não vai mais aceitar isso".

No dia seguinte novamente o governo demonstrou sua arrogância e que não se pode confiar nos seus compromissos de palavra. Como já haviam feito semanas atrás com os ferroviários, Baldy a serviço de Dória não cumpriu o acordo que havia feito em rede nacional. A reunião que havia ficado acordada para dar seguimento às negociações ontem, 25, não aconteceu, e foi postergada somente para o dia 01/09. E apesar da CPTM alegar atraso por problemas burocráticos, pelas informações mais recentes os trabalhadores que haviam sido demitidos ainda não conseguiram retornar ao trabalho. Conforme demonstra denúncia do sindicato que reproduzimos abaixo.

Recebemos notícia de uma trabalhadora que chegou a precisar de atendimento médico depois de passar mal frente ao stress causado por tamanho desrespeito, já que além de não poderem entrar no trabalho de manhã, vários trabalhadores receberam pela tarde os telegramas de demissão que haviam sido enviados antes do final da greve, e a CPTM não emitiu nenhum comunicado oficial da reversão das demissões. Quase 48 horas depois do fim da greve, e com essa situação e a crescente indignação dos trabalhadores, Baldy em seu twiter disse que cumprirá o acordo.

Os trabalhadores estão atentos e não deixarão o governo que se diz alternativa ao Bolsonaro, mas que mostrou que é igualmente autoritário contra os trabalhadores, novamente enganá-los.

Nós do Esquerda Diário estivemos cobrindo durante todo o dia a mobilização dos ferroviários para levar a luta de classes nas mãos de toda a população e fortalecer mais essa luta dos trabalhadores. Também estivemos apoiando ativamente através dos companheiros da Chapa 4 Nossa Classe Metroviários, que compõe a diretoria do Sindicato dos Metroviários de SP, e da Juventude Faísca que estiveram presentes junto aos ferroviários em seu sindicato. Seguiremos dando todo nosso apoio à luta dos ferroviários, e buscando contribuir para a superação da divisão da categoria, que os diferentes sindicatos da dirigidos pela UGT e CUT impõe, e que joga contra a luta dos trabalhadores, e construir a unidade não somente da categoria, mas com os metroviários, rodoviários, demais trabalhadores do transporte, e de toda a nossa classe.




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