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Retira poder do MP | Decreto de Bolsonaro pode dificultar fiscalização do trabalho escravo no Brasil

Bolsonaro publicou decreto nessa quinta-feira (11) que retira poder de fiscalização trabalhista do Ministério Público e determina exclusividade de fiscalização para auditores do Ministério do Trabalho. Fiscalização de trabalho escravo tende a ser ainda mais escassa.

sexta-feira 12 de novembro | Edição do dia

O presidente Bolsonaro publicou, no Diário Oficial da União, o decreto Nº 10.854, que dispõe de uma série de mudanças na legislação trabalhista. A bem dizer, é parte da chamada “mini-reforma trabalhista” que Bolsonaro tentou emplacar no Congresso, mas não foi aprovada no Senado. Sem conseguir aprovar a reforma de conjunto, o governo avançou nos ataques via decreto.

A grande mídia não está fazendo grande alarde sobre esse ataque até o momento, mas ele é escandaloso. No capítulo IV do decreto há uma modificação importante acerca da “Fiscalização das normas de proteção ao trabalho e de saúde e segurança no trabalho”, que diz: Art. 16. Compete exclusivamente aos Auditores-Fiscais do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência, autoridades trabalhistas no exercício de suas atribuições legais, nos termos do disposto na Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, a fiscalização do cumprimento das normas de proteção ao trabalho e de saúde e segurança no trabalho.”

- Veja mais: Cresce a lista de patrões que submetem trabalhadores a condições de trabalho análogas à escravidão no país

Na prática, tal artigo retira do Ministério Público poder para poder fiscalizar cumprimento de normas trabalhistas nos locais de trabalho. O texto diz que essa fiscalização “compete exclusivamente aos Auditores-Fiscais do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência”, que hoje é dirigido pelo reacionário Onyx Lorenzoni.

Na prática, se uma empresa estiver empregando trabalho escravo ou com condições análogas à escravidão, quem ficará responsável por fiscalizá-la será o próprio governo com seus auditores subordinados ao Ministério do Trabalho.

É de amplo conhecimento que Bolsonaro não só faz vistas grossas às denúncias de escravidão, como já defendeu publicamente o trabalho infantil. Não são poucos os casos de trabalho escravo que vem surgindo nos últimos anos no país, em especial na medida em que a crise econômica cresce e ataques como a reforma trabalhista são aprovados.

Recentemente vimos o maior resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão realizado em 2021 na fazenda de colheita de palha da Souza Paiol. Foram 116 trabalhadores resgatados da empresa cujo dono, pasmem, é bolsonarista.

Não que o Ministério Público fosse acabar com todas as barbaridades trabalhistas cometidas no país. Esse problema é estrutural e secular, remete à escravidão e relação capitalista brutal. Mas a exclusividade de fiscalização nas mãos do Ministério do Trabalho é escandalosa e particularmente preocupante ao lembrarmos que quem o dirige, hoje, é Onyx Lorenzoni.




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