Educação

ELEIÇÕES CPERS

Declaração do Movimento Nossa Classe Educação para as eleições do Cpers

Nas eleições gerais do CPERS votamos crítico na chapa 1 Novo Rumo contra a burocracia da atual direção central. Em menos de 24 horas se abrirá a votação nas eleições do CPERS sindicato. Um dos maiores sindicatos do país e da América Latina. Nos questionamos sobre qual a força, a direção, a organização sindical e unidade e com qual estratégia vamos derrotar esses governos genocidas de Leite e Bolsonaro bem como todo o regime do golpe institucional, para impor uma saída da nossa classe para a crise e para a pandemia?

quarta-feira 26 de maio| Edição do dia

Nós do Movimento Nossa Classe Educação, impulsionado pelo MRT, estamos do lado dos educadores e educadoras mais indignadas que saíram às ruas nas maiores greves do magistério nos últimos anos contra Sartori e Leite e também contra o golpe institucional, Temer e Bolsonaro. Apostamos na força dos trabalhadores para combater os ataques e as reformas. Ao cabo da última greve, em 2019, fomos traídos pela direção do PT, PCdoB e PDT em nome de apostas no judiciário golpista e na Assembleia Legislativa. A chapa 2 representa essa tradição de não apostar nas forças da nossa própria classe mobilizada, mas usar das mobilizações para canalizar tudo para um descontentamento eleitoral. A chapa 3 contém membros da atual direção central que dizem não concordar com o acordo que fizeram pelas costas da categoria junto de Helenir e que selou a perda no nosso plano de carreira na greve de 2019 que, aliás, foi encerrada sem um acordo de final de greve jogando professoras e fucionárias de escola na miséria com o corte do ponto que nunca foi restabelecido. A chapa 3 representa a mesma tradição petista e burocrática de sindicalismo aparentemente com uma cara mais de esquerda com correntes do PSOL se adaptando na lógica da conciliação em frente ampla que vai do PT até partidos reacionários.

Defendemos, desde que os primeiros debates sobre eleições no sindicato começaram, que todas as correntes de oposição deveriam sair unificadas contra essa atual direção. Porém algumas correntes do PSOL, como Resistência, membros da Intersindical, CS e MES, decidiram compor a chapa 3 com dissidentes da direção central, membros da Articulação de Esquerda do PT que há pouco soltou declaração para seus filiados de que o partido é hegemônico nas chapas 2 e 3. Essas alas do PSOL são as mesmas que apostam no Impeachment de Bolsonaro, o que levaria o reacionário General Mourão à presidência e que, na prática, significa o mesmo de esperar 2022 pois demoraria ao menos um ano para tramitar. Não podemos ver isso como uma alternativa diante das milhares de mortes diárias da pandemia que já matou mais de 450 mil pessoas no Brasil por conta do negacionismo de Bolsonaro e também da política dos governadores, que junto ao STF e ao Congresso Nacional seguem descarregando a crise sobre os trabalhadores.

Como chapa 1, se formou o campo Novo Rumo, com correntes ligadas ao PSTU como Democracia e Luta, MLS (uma organização ampla que contém pessoas ligadas ao PT, PSOL, PSTU e independentes), correntes do PSOL como CST e Alicerce e outras correntes menores sem ligações partidárias. Debatemos com alguns colegas sobre a importância dessas eleições e de que houvesse uma alternativa de direção no núcleo 39 onde estamos. Construímos no Movimento Nossa Classe junto com independentes um programa colocando a necessidade de uma reestruturação do nosso sindicato para que a base tenha voz e possa inclusive dirigir as lutas desde cada escola. Nos organizamos para construir uma chapa e defendemos nossas ideias de unificação neste texto aqui.

Conforme foi se aproximando o período de inscrição das chapas ficamos sabendo que uma chapa do campo Novo Rumo estava se formando para o núcleo 39. Buscamos esses colegas na perspectiva de unidade da oposição, pois no atual cenário a oposição se enfraqueceria saindo em chapas distintas. Lançamos recentemente esse texto onde apresentamos nossas propostas para o 39º. Compartilhamos o programa que havíamos construído e debatemos nossas diferenças e críticas convergindo em especial na questão de que sejam os capitalistas que paguem pela crise, embora tenhamos posições diferentes do PSTU e da CST que defenderam o golpe institucional, a Lava Jato e nunca combateram a prisão de Lula, que hoje é evidente como serviu para manipular as eleições de 2018, resultando na vitória de Bolsonaro. Nós denunciamos e combatemos todo esse processo desde o golpe, que serviu para acelerar os ajustes que o próprio PT já vinha fazendo e impedir que o povo pudesse votar em quem quisesse em 2018 com a Lava Jato, o STF, militares e a mídia unidos para avançar nas reformas e descarregar a crise sobre nossas costas. Hoje o próprio PT perdoa o golpe e segue apostando em alianças com a direita e com a burguesia e não na força da nossa classe, visto o silêncio das centrais sindicais como CUT e CTB diante dos ataques.

Formamos uma chapa com a proposta de ser uma direção colegiada e ampliada, com liberdade de crítica e tendências no 39º núcleo. Combatemos em reuniões na chapa uma lógica corporativista e sindicalista que se expressou na fala de algumas organizações. Nossa chapa é composta por membros da Democracia e Luta (PSTU), CST (PSOL), Alicerce (PSOL), CEDS e Movimento Nossa Classe Educação (MRT). O MRT é o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores, um grupo de estudantes e trabalhadores de diversos setores presentes em 7 estados do país que fazem parte da rede internacional La Izquierda Diário e impulsionam esse diário aqui no Brasil.

Em debate com as correntes que compõem a chapa aprovamos 4 eixos de campanha onde expressamos: a necessidade da retomada do sindicato para as mãos da base; uma saída dos trabalhadores e trabalhadoras para a pandemia e para a crise econômica descarregada sobre nós; colocar toda a força na mobilização pela bandeira da efetivação das (os) educadoras (os) contratadas (os), que na nossa opinião deve ser sem necessidade de concurso, já que esses trabalhadores já se comprovam cotidianamente aptos à função; e uma ampla mobilização que leve à frente medidas concretas como confisco dos bens dos grandes sonegadores, taxação de grandes fortunas para se investir em educação e reaver os direitos do magistério bem como garantir reajuste salarial, na perspectiva de que os capitalistas paguem pela crise que criaram.

A chapa estadual não defende uma ampla mobilização para a efetivação das (os) educadoras (os) contratadas (os), defendem “instituir um grupo de trabalho composto pelo jurídico sindical e representantes dos contratados para promover o debate com a categoria e apontar soluções para a vida funcional dos contratados e a possibilidade de sua efetivação”. Entendemos que desse modo não se deixa claro a batalha necessária contra a precarização do trabalho, pela unidade entre concursados e contratados e em defesa daqueles que exercem as mesmas funções mas não possuem os mesmos direitos, ainda mais nos marcos de uma constituição cada vez mais retalhada e de ameaças de ataques ainda mais profundos como a reforma administrativa. Não vemos a solução em apostar no jurídico sindical, mas nas forças de mobilização da própria categoria em unidade com as comunidades escolares e o conjunto dos trabalhadores.

Os ataques à educação não se dão por fora da mesma conjuntura que ataca a classe trabalhadora de conjunto como o MP 936 de Bolsonado que permitiu aos patrões reduzir salários e jornadas e demitir sem restrições. E os ataques à educação pública devem ser vistos e denunciados pelo sindicato como ataques ao futuro dos filhos da classe trabalhadora. Somente a unidade da classe trabalhadora, com a juventude, as mulheres, negros, LGBTs e todos os oprimidos contra Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe institucional, rompendo o corporativismo de cada categoria isolada, pode apontar um caminho para que a crise seja paga pelos capitalistas. Nessa perspectiva aproveitamos para fazer um chamado para o próximo dia 29 em que trabalhadores e estudantes devem sair unidos às ruas contra Bolsonaro e os militares, sem nenhuma confiança na CPI da Covid nem nos governadores demagogos, tampouco no STF golpista. Denunciamos também a divisão que as centrais estão impondo ao chamar o dia 26 de maio como um dia atos simbólicos ao invés de concentrar forças no dia 29 junto aos estudantes e diversos setores dos movimentos sociais. A força dessa unidade e a mobilização dos de baixo em luta pode impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que seja o povo a decidir os rumos do país, mudando as regras do jogo e não esperar as eleições para que apenas se mudem os jogadores desse regime.

Nossas diferenças com as correntes que compõem a chapa em que estamos são principalmente essas: 1) a questão da efetivação dos contratados, que embora tenha sido aprovado pelos companheiros da chapa para sair nos materiais da campanha, CEDS expressou desacordo em reunião defendendo que a efetivação divide a categoria, e argumentando como se a efetivação estivesse em oposição à defesa do concurso público, o que não é verdade. O que divide e enfraquece a categoria é manter trabalhadores de primeira e segunda classe. 2) O modo de pensar a luta das (os) professoras (es) e funcionárias (os) de escola como uma luta isolada do conjunto da classe trabalhadora, ou seja, de forma corporativista e sindicalista, não se enfrentando com o conjunto do regime político que junto a Bolsonaro e Guedes avançam contra nossa classe. 3) Não temos acordo com PSTU e CST, que apoiaram o golpe institucional, a Lava Jato e a prisão de Lula e agora, embora levantem #ForaBolsonaroEMourão, defendem o impeachement de Bolsonaro, que coloca o general Mourão no poder. 

Reiteramos a imperiosa necessidade de tirar da direção do sindicato as burocracias do PT e PcdoB que em 7 anos organizaram verdadeiras derrotas mesmo com toda a disposição de luta da base. Chamamos o voto, com essas críticas que apresentamos, na chapa Novo Rumo para tirar a burocracia sindical da direção central e batalhar pela retomada do sindicato nas mãos dos trabalhadores. Se você concorda com nossas ideias entre em contato e construa conosco o Movimento Nossa Classe Educação no RS.




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