ELEIÇÕES CAMPINAS

Eleições Campinas: direita debate como avançar o conservadorismo e atacar os trabalhadores

Ontem, dia 1° de outubro, ocorreu o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de Campinas. Majoritariamente, os representantes no debate eram figuras da extrema-direita e da direita em Campinas que trocavam ataques pessoais entre si mas mantendo profundos acordos: atacar ainda mais os trabalhadores, desestruturar o serviço público, aumentar a repressão nas periferias, intensificar as obscuras relações com as empresas privadas.

sexta-feira 2 de outubro| Edição do dia

Imagem: Band Mais

Todo o debate, apesar da verborragia e supostos ataques contra a velha política, esteve recheado de concepções conservadoras, interesses privatistas e desprezo pelos trabalhadores e a população pobre da cidade. Alguns como Dário Saadi (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL) buscaram se apresentar como gestores de perfil técnico e cheios de propostas, outros como Artur Orsi (PSD) se esforçaram para tentar não parecer o que são, profissionais e herdeiros da chamada por eles próprios de “velha política”.

Artur Orsi buscou se aproximar mais como candidato oposicionista ao governo Jonas (PSB) dialogando mais com bolsonarismo e veementemente ligado ao lavajatismo (prometendo criar uma Controladoria Geral sob controle judiciário) e privatizações. Os principais elementos de sua fala giram em torno de combater a corrupção do atual governo Jonas (PSB), do qual fez parte, enaltece várias vezes o envolvimento que teve na cassação de DR Hélio (PDT), ex-prefeito de Campinas acusado de corrupção em seus mandatos.

Distribuiu elogios a Bolsonaro, sem citar os esquemas de corrupção que a família está atrelada desde décadas passadas ao começo das eleições de 2018, passando pelo esquema de corrupção de gabinetes de Flávio Bolsonaro, com o envolvimento do miliciano Queiroz, além do envolvimento com a morte de Marielle Franco. Afirmou que vai seguir o exemplo de Bolsonaro e que vai privatizar empresas da prefeitura. Claramente um discurso ultraliberal voltado para reforma administrativa e privatização de setores públicos nos moldes de Paulo Guedes, relacionando o funcionalismo público com gastos excessivo e corrupção. Como típica demagogia da extrema direita, diz ser a “renovação” para mudar o “velho” sistema político, mesmo discurso de Bolsonaro que hoje negocia com os candidatos mais sujos do Centrão, encobrindo a corrupção e atacando os trabalhadores.

Saadi (Republicanos) é o candidato de continuidade da gestão Jonas, se apresenta como médico “racional” e apoiador do privatismo. Repetiu por vezes que “vai manter o que está dando certo e mudar o que deu errado”, não explicando nenhuma das duas situações. Demagogicamente tece elogios aos SUS, o mesmo que vem sendo desmantelado por Jonas, afirma mentirosamente que ninguém ficou na fila de espera de UTIs durante a pandemia, e diz ser a melhor opção instalar mais empresas privadas para melhorar o transporte coletivo.
Rafa Zimbaldi (PL) tenta vender perfil de gestor democrático, “aberto” e “racional”. Bastante ligado à gestão de Dória (PSDB), busca se mostrar como uma direita mais “humana”, prestando “solidariedade” aos mortos pela COVID-19, sem citar, é claro, o desprezo aos pobres e trabalhadores que morreram pela negligência de Dória. O candidato, afirmou fortalecer a guarda municipal e integrá-la à PM, com mais tecnologias e equipamentos, o que equivale dizer: mais preparada para reprimir trabalhadores e proteger a propriedade privada.

Ausência de uma esquerda em defesa dos interesses da classe trabalhadora

O que o debate para prefeitura de Campinas demonstrou é uma variedade de figuras comprometidas em avançar no autoritarismo, em preservar laços corruptos com grandes famílias e empresas corruptas e desestruturar os serviços públicos e educacionais da cidade através de parcerias e benefícios ao setor privado.
Infelizmente, frente a este time de representantes do golpe os candidatos que falam “pela esquerda” mal conseguiram aparecer no debate. E, também, não fizeram qualquer questão de se diferenciarem do reacionarismo estampado na Band.

Pedro Tourinho (PT) mal chegou a mencionar Bolsonaro, não fez qualquer proposta concreta de combate à extrema direita, ao avanço enorme de ataques aos trabalhadores, nenhuma referência à greve dos Correios, tampouco às privatizações de Guedes e a militarização da política. Mas sim houve discursos buscando dialogar com medidas liberais, para arrancar atenção do eleitorado de direita (fortalecido com o bolsonarismo), mas sob um camuflado discurso de “gestão solidária”. Não apresentou nenhuma saída para a crise da saúde, e nem econômica da cidade, se preocupou em fazer fala dialogadas com os sensos comuns liberais.

Quando muito para se diferenciar aos demais, falava em “combater precariedade” da saúde, gerar renda… sem qualquer proposta concreta. Preferiu enaltecer o legado do PT na cidade, escondendo as alianças com a burguesia e seus representantes, os ataques ao funcionalismo e a repressão a juventude. Em nenhuma crítica aguda à extrema direita de Bolsonaro ou à prefeitura de Jonas, e abraçou o discurso de abolir os comissionados da prefeitura (para acabar com corrupção) apostando arrancar satisfação de um setor votante de direita.

A atuação de Pedro Tourinho expressou cabalmente o erro que foi a coligação do PSOL com esse partido. Sob o argumento de que a aliança com o PT fortalecia a luta contra Bolsonaro, o PSOL se apagou no vale tudo eleitoral apoiando uma candidatura mansa que sequer demonstra prioridade em enfrentar Bolsonaro e a extrema direita. Alessandra Ribeiro (PCdoB), por sua vez, lembrou o tema candente do racismo, das medidas de despejo contra a ocupação Mandela, mas como resposta não apresentou nada que não seja da tradição do seu partido: alianças com empresários disfarçadas em slogans como “gestão participativa”, não atacou empresários e conclamou a utopia de “humanizar” a racista e machista guarda municipal (a mesma que assassinou Jordy, que reprime protestos populares, ocupações, greves).

Para os trabalhadores e a juventude o debate não foi mais que um show de horrores promovido por seus inimigos. Frente ao “combate” entre a direita tradicional e a nova direita é necessário lutar por uma força independente de trabalhadores que lute abertamente contra este regime podre que os representantes da burguesia querem, não só manter, como aprofundar seus traços autoritários contra a população. Para isso, é necessário nos distanciarmos de métodos como vale tudo eleitoral, alianças com a burguesia e representantes da política tradicional. Partidos como o PT e PCdoB, transformaram em tradição esses métodos e o PSOL tem errado e assim o fez em Campinas ao se coligar com o PT. Esta lógica está distante de poder combater a extrema-direita e o autoritarismo do regime político no país que ficou expresso com a impossibilidade de que a candidata Laura Leal (PSTU) participasse. O Esquerda Diário denunciará essa marginalização promovida pelas emissoras e empresários que controlam os debates. Estaremos também na linha de frente contra os representantes da direita que buscam aprofundar o reacionarismo e ataques aos trabalhadores brasileiros.




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