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Debate com o PSTU: Não é com chapas com a burocracia do PT nos sindicatos que se enfrenta a direita

O PSTU no SindUTE/MG, o segundo maior sindicatos do país, está aderindo à chapa da burocracia parasitária do PT, que há décadas dirige o sindicato. Trata-se de uma chapa dirigida pela Articulação Sindical, uma corrente majoritária do PT, historicamente reconhecida por ser uma das mais burocráticas do movimento sindical do país. Posição que também é levada a frente por correntes do PSOL como o Resistência e pelo PCB na categoria. Com esse artigo buscamos debater essa posição escandalosa do PSTU de alianças com a burocracia sindical petista ao redor do país.

Flavia ValleProfessora, Minas Gerais

sexta-feira 28 de abril de 2023 | Edição do dia

Diante do governo de frente ampla de Lula e Alckmin, que vem mostrando sua enorme disposição em governar para os capitalistas com o novo arcabouço fiscal apresentado por Haddad e com a extrema direita ainda fortalecida sob a liderança de Bolsonaro, coloca-se a necessidade pela conformação de um polo de independência de classe em todo país para lutar em defesa dos direitos dos trabalhadores e oprimidos.

Nesse sentido, nós do Movimento Nossa Classe buscamos debater com o PSTU que ignora os critérios de independência de classe, uma vez que está se unificando com a burocracia sindical petista (Articulação Sindical) que dirige há décadas o Sindicato de Trabalhadores da Educação de MG. Se trata do PSTU aderindo à chapa da situação e deixando de lado a necessidade de se apresentar uma oposição classista e combativa para enfrentar Zema, como nós do Movimento Nossa Classe estamos fazendo com a candidatura da companheira Flávia Valle ao Conselho Geral de Representantes nas eleições do sindutemg pela subsede de Contagem.

Nas últimas semanas a grande mídia e o capital financeiro demonstraram enorme animação com o arcabouço fiscal apresentado por Fernando Haddad, que inclusive o PSOL decidiu não enfrentar, votando em seu diretório nacional que irá apenas fazer “ajustes” ao arcabouço via Congresso. Essa proposta econômica do PT nada mais é do que um novo teto de gastos que tem como objetivo a continuidade de uma agenda de ajustes e austeridade que inclui ataques e perda de direitos à classe trabalhadora e a toda a população pobre. O governo de Lula-Alckmin já mostrou que manterá todas as reformas aplicadas contra a nossa classe desde o golpe institucional de 2016 e durante o governo Bolsonaro, como as reformas da previdência, trabalhista e do ensino médio.

Do outro lado da polarização da política institucional, Bolsonaro demonstra que ainda mantém enorme força política capaz de pautar em grande medida o governo. Em São Paulo, o bolsonarista Tarcísio começou o ano avançando na sua agenda de privatizações - com Sabesp, metrô e CPTM de SP na mira - e com o objetivo de precarizar ainda mais a vida dos trabalhadores com uma nova reforma administrativa e deixando milhares de professores contratados desempregados até agora, com o avanço do novo ensino médio e da nova carreira, além do fechamento de inúmeras salas de aula pelo estado.

O governo privatista e de extrema direita de Romeu Zema, por sua vez, sai fortalecido com a privatização do metrô de BH que foi implementada pelo governo Lula/Alckmin apesar da greve de metroviários, que além de perderem seus empregos públicos ainda tem o corte de salários pela greve; e impõe uma multa de 3 milhões ao SindUTE/MG como uma medida anti-sindical. Ataques que as direções das burocracias sindicais da CUT e da CTB deixam passar, isolando as lutas como fizeram com a forte greve de metroviários de BH ou criando obstáculos na organização pela base para enfrentar esses ataques como vemos na educação. É com essa burocracia que os companheiros do PSTU acabam por se aliar, ao compor as mesmas chapas sindicais.

Mas não é só em MG que isso está acontecendo, em outros sindicatos também vemos o PSTU se aliando a setores do PT, como no de educadores municipais de São Paulo, onde a oposição à burocracia sindical de Cláudio Fonseca, ex-vereador pelo Cidadania, formou uma chapa eleitoral incluindo uma corrente minoritária do PT, Debate CUTista, aos "45 do segundo tempo", excluindo politicamente nós do Movimento Nossa Classe que viemos atuando ativamente no processo de elaboração coletiva da convenção eleitoral por uma chapa independente de todos os governos.O Debate CUTista nos últimos anos veio sendo parte do mesmo bloco do Claudio Fonseca, negociando cargos e sendo parte ativa da burocracia sindical. Frente a tudo isso, o PSTU se mantém na chapa com esse setor da burocracia sindical aliado ao governo, se adaptando à CUT na categoria de professores municipais. Vale ainda ressaltar que essa linha de chapas em comum com o PT também se estende a bancários do RJ, onde o PSTU já no ano passado saiu nas eleições junto à burocracia sindical, e em petroleiros de MG.

O PSTU argumenta que é necessário unidade nos sindicatos, mas a unidade necessária é na luta contra os ataques, e não a unidade política em chapas com a mesma burocracia sindical que está fazendo o oposto de construir essa luta, e permitem que a direita e a burguesia avancem como um rolo compressor sobre os direitos dos trabalhadores. Essa prática de aliança com o PT nada mais é do que expressão do oportunismo do PSTU, que se expressa no movimento sindical com essas alianças, mas que poucos anos atrás já se expressava no apoio ao golpe institucional e à lava-jato.

Em São Paulo, o governador Tarcísio encontrou uma dura resistência por parte dos metroviários, que protagonizaram uma enorme luta em defesa de seus direitos e por melhorias no transporte para a população. Essa luta só foi possível porque os metroviários de São Paulo têm uma longa tradição de mobilização contra todos os governos e contam atualmente com um sindicato cuja a direção é composta por nós do Movimento Nossa Classe, pelos companheiros do PSTU e setores do PSOL, sob um programa de independência de classe em relação a todos os governos.

Da mesma forma que batalhamos pela independência de classe no sindicato dos metroviários de São Paulo, também estamos dando importantes passos entre os professores de SP, batalhando nas eleições da Apeoesp com uma chapa de Oposição Unificada Combativa, que congrega o PSTU na cabeça de chapa e o Movimento Nossa Classe na vice, além de diversas organizações e ativistas de luta da categoria. Estamos dando essa batalha em unidade contra a burocracia petista que há mais de 3 décadas controla este sindicato de forma antidemocrática e com extrema paralisia na construção efetiva e afundando mobilizações e traindo uma a uma as lutas dos professores. A conformação de chapa com o Debate CUTista no Sinpeem choca ainda mais se pensarmos a importância da categoria e por ser um “sindicato vizinho” à Apeoesp, e em última instância representam uma só categoria, a dos educadores/professores.

Essa mesma burocracia na APEOESP agora conta com a adesão de setores do PSOL, como a Resistência e o Movimento Esquerda Socialista (MES), que escandalosamente embarcam na chapa de Bebel Noronha, uma figura massivamente rechaçada na categoria por simbolizar justamente essa direção que usurpa o sindicato dos professores. Esses setores rifam quaisquer princípios que ainda lhes restavam e abandonando a necessidade de apresentar uma alternativa classista para as professoras e professores, e fazem isso em nome de uma suposta unidade sindical.

A unidade para enfrentar os ataques é pela organização de base de trabalhadores e a mobilização junto às demais categorias de trabalhadores e em aliança com movimentos sociais e a juventude que sofre com o Novo Ensino Médio e a Reforma Trabalhista. Lutas que são sistematicamente divididas pelas burocracias sindicais e desviadas para o plano institucional, como por exemplo a greve de trabalhadores da educação de Minas Gerais no ano passado pelo Piso Salarial, quando a direção do SindUTE acabou com qualquer medida de luta, gerando ilusões que o reacionário STF seria a favor da demanda histórica na educação pelo Piso Salarial. O resultado foi de não termos tido o reajuste do Piso e termos uma medida anti-sindical de Romeu Zema contra nosso sindicato. Enquanto a direção sindical do SindUTE segue sendo um obstáculo para uma mobilização desde a base e por um sindicato distante das escolas e dos setores mais precarizados de nossa categoria, consequência de uma política de conciliação de classes levada a frente pelas burocracias sindicais da CUT e do PCdoB, a qual o PSTU hoje se alia.

Acreditamos que essa política do PSTU, que dirige a CSP-Conlutas, de ter um pé em chapas classistas, como as que compõem conosco no metrô de SP e na APEOESP, e outro pé nas alianças com as burocracias sindicais como a Articulação/PT, enfraquece as posições de independência de classe no novo cenário do país, em que essas mesmas burocracias petistas e das demais centrais sindicais pelegas estão diretamente compondo o governo de frente ampla. Com essa política, além de se tratar de um escárnio com os trabalhadores que são vítimas do imobilismo das burocracias sindicais, o PSTU também acaba por dificultar que a própria CSP-Conlutas seja um ponto articulador de uma política classista, uma vez que se dissolve na nata da burocracia sindical em categorias importantes como a de trabalhadores da educação de MG. Sequer se sustenta a argumentação de enfrentar a extrema-direita, já que em SP enfrentamos Tarcísio de Freitas e a CUT é parte do convite ao governador para o palco do ato do 1° de Maio no estado.

Por isso, para nós do Movimento Nossa Classe, para avançar no enfrentamento à extrema-direita e às reformas é necessário a mais completa independência política de todos os governos, e é fundamental construir na base nas categorias de trabalhadores um programa independente, classista e combativo.. Por isso, chamamos os companheiros do PSTU a reverem essa posição de conformação de chapas com esse partido que hoje governa junto a Alckmin, empresários, ruralistas e setores golpistas de 2016.

Seguir o exemplo do sindicato dos metroviários de SP e da chapa de oposição da Apeoesp é um importante passo no sentido de reorganizar os setores críticos e independentes do governo e do PT, para construir nacionalmente um polo antiburocrático, classistas e que busque a auto-organização nas bases das categorias para desenvolver as lutas que começam a aparecer em categorias importantes como da educação, saúde e metroviários, uma categoria estratégica. Direções sindicais com programas de independência como do sindicato de metroviários de SP, mas também o SINTUSP e a chapa de oposição combativa na Apeoesp são elementares para reorganizar o movimento sindical independente do governo a nível nacional, e a política do PSTU de alianças com o PT nos sindicatos vai justamente na contramão disso.




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