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Movimento Estudantil | Debate com “A Todo Vapor”: Por um CA ao lado dos trabalhadores para enfrentar a extrema-direita

Nesta semana estão ocorrendo as eleições para o Centro Acadêmico de História da UFF, um curso que, historicamente, foi vanguarda da mobilização na universidade. Aqui nós da Juventude Faísca buscaremos dialogar, a partir de um debate com o programa da Chapa “A Todo Vapor”, sobre qual papel o Centro Acadêmico pode cumprir no enfrentamento a Bolsonaro, Cláudio Castro e todo este regime que foi cúmplice dos ataques impostos pela extrema-direita nos últimos anos.

Faísca - UFF@faiscajuventude

quinta-feira 14 de julho | Edição do dia

Como estudantes de História, retomar exemplos históricos do enfrentamento à extrema-direita por parte das entidades estudantis

Antes de iniciar o diálogo com o programa do Centro Acadêmico em si, é importante demonstrar que as entidades estudantis não estão por fora da realidade política, e além de serem um fator de conscientização dos estudantes, podem ser um meio de organizar os estudantes para intervir na realidade junto dos trabalhadores e enfrentar a extrema-direita. Nesse texto queremos discutir como um C.A pode ser um exemplo na luta contra a extrema direita de Bolsonaro e Cláudio Castro, além de cumprir um papel de levantar um Movimento Estudantil combativo aliado à classe trabalhadora, e também a outros setores oprimidos.

Quem tremia de medo com o papel que o Movimento Estudantil poderia cumprir no enfrentamento à extrema-direita era a Ditadura Militar. Como uma de suas primeiras medidas, os militares editam a Lei Suplicy de Lacerda que proibia as entidades estudantis como a UNE e os Centros Acadêmicos. Frente a este ataque, mesmo na ilegalidade, a UNE convoca uma greve na USP que paralisa a Universidade, contando com a adesão de mais de 7 mil alunos. Naquele momento, em plena Ditadura Militar e com as entidades estudantis na ilegalidade, os estudantes deram uma resposta profunda aos reacionários que buscavam intimidá-los. Assim como a greve de quatro dias dos operários de Osasco em 1968, em que grande parte dos operários eram estudantes secundaristas, consolidando uma aliança muito estratégica entre o movimento estudantil e o movimento operário. Estes dois processos mostram que, mesmo durante a Ditadura em que a repressão era brutal, as entidades estudantis podem cumprir um papel concreto de responder aos ataques do regime, organizando os estudantes em aliança com os trabalhadores. A auto-organização e a aliança entre trabalhadores e estudantes são duas lições valiosas deixadas por estes processos.

Qual programa defender para o Centro Acadêmico no Brasil do golpe institucional e de Bolsonaro?

Os últimos anos foram marcados por uma série de ataques em todos os âmbitos da vida da juventude, dos trabalhadores e dos setores oprimidos no Brasil. Os cortes no orçamento da universidade, que se iniciaram ainda no Governo Dilma, se intensificaram muito com o golpe de Temer, se aprofundado ainda mais com Bolsonaro. O Teto de Gastos e o pagamento da dívida pública fraudulenta impedem a existência de uma política de assistência que garanta a permanência plena dos alunos mais precários que conseguiram furar o filtro social do vestibular. A juventude trabalhadora é condenada a parar de estudar para trabalhar durante toda a sua vida com a Reforma Trabalhista, aliada com a Reforma do Ensino Médio que busca garantir um futuro precarizado e sem reflexão crítica. A juventude negra vê o aumento da violência policial com Cláudio Castro, recordista em chacinas na história do Estado do Rio de Janeiro, assim como a juventude LGBTQIA+ vê o crescimento dos casos de ataques homofóbicos.

Frente à esse cenário, concordamos com os diversos apontamentos da chapa 1 sobre a ampliação das bolsas, apoio à luta da Moradia Estudantil e alguns dos pontos que tocam as questões das mulheres, dos negros e LGBT’s. Estivemos lado a lado na luta da Moradia, do Passe Livre e agora pelo pagamento das Bolsas. Entendemos que ainda assim para arrancarmos nossos direitos e impor uma outra universidade que produza conhecimento para a serviço da classe trabalhadora e das grandes maiorias, é necessário defender a ampliação das cotas para cotas proporcionais para estudantes e professores cotas proporcionais ao número de negros em cada estado, a defesa das cotas trans. , a estatização das universidades privadas e o fim do vestibular, um filtro social e racial que distancia milhares de filhos da classe trabalhadora do sonho de estudar. Pelo direito de estudar sem pagar!

A proposta dos Blocos da História, que debatemos com a antiga gestão desde o ano passado, é o avanço para o Movimento Estudantil da UFF.

O programa da Chapa A Todo Vapor se posiciona contra o Governo Bolsonaro e apresente sua visão da conjuntura do país, mas é preciso que as demandas para a Universidade e para o curso da História tenham uma ligação com o cenário da realidade nacional, que parta da necessidade de preparar o Movimento Estudantil, em um curso tão importante como o de História da UFF, para os desafio que vem em meio aos ataques feitos pela extrema-direita nos últimos anos.

O programa das entidades estudantis precisa unificar as nossas demandas para a Universidade, como a ampliação das bolsas e tantos outros pontos que concordamos, das nossas demandas nacionais, como enfrentar o teto de gastos e a dívida pública, porque só com estas medidas que estrangulam o orçamento universitário poderemos acabar com os cortes e ter ampliação maciça no orçamento.

Nós da Faísca Revolucionária defendemos que as demandas dos estudantes da universidade devem vir unificadas das demandas nacionais, unificando o interesse dos estudantes, das mulheres, dos negros, lgbtqia+ ao dos trabalhadores, o setor social que produz e faz circular todas as coisas e cumpre papel central para o funcionamento do capitalismo, assim como pode cumprir papel central no combate ao capitalismo.

Uma tomada de posição desse tipo contribuiria para politizar e criar uma entidade estudantil que leva adiante um combate efetivo na luta contra a extrema-direita, sem apostar na conciliação, mas na unidade entre estudantes, setores oprimidos e trabalhadores. Contra o Bolsonarismo e em meio a uma crise capitalista confiamos nesse como o único caminho para combater todos os ataques aos nossos direitos.

Para conquistar as demandas dos estudantes que possibilitem uma permanência plena nas universidades temos que levantar um C.A contra a conciliação de classes e com independência política de governos, patrões ou reitorias. A chapa A Todo Vapor menciona diversas lutas e demandas que concordamos e construímos juntos, mas como defender realmente essas ideias quando o PSOL que constrói a chapa defende nacionalmente a aliança com a REDE da Marina Silva, um partido de banqueiros cujas maiores figuras são contra o aborto, ou com Alckmin - responsável pelo massacre de Pinheirinho e inimigos dos professores e da merenda, ou com Cesar Maia, cotado para ser vice do Freixo e apoiado pelo PSOL, que governou com as milícias no Rio de Janeiro? Para enfrentar e derrotar o bolsonarismo não podemos nos aliar às figuras que foram responsáveis pelo surgimento da extrema direita, mas que agora querem aparecer como oposição. É preciso confiar nas nossas próprias forças em aliança com os trabalhadores.

Outro elemento é que, diferente do exemplo de Osasco durante a Ditadura Militar, a aliança entre trabalhadores e estudantes não é um pilar que estrutura o Programa da chapa, o que em nossa visão é uma debilidade das correntes que compõe chapa A Todo Vapor (RUA, UJC, Correnteza, Juntos! e Afronte). Por mais que citem a intensificação da exploração dos trabalhadores terceirizados em sua conjuntura, algo que vem desde os governos do PT, o programa da chapa não conecta os interesses dos estudantes com a defesa de demandas dos trabalhadores para além da divulgação de suas lutas. Nós da Faísca defendemos em todas as universidades em que estamos presentes, um movimento estudantil que atue ativamente em solidariedade ao movimento de trabalhadores para que se fortaleçam nossas lutas. Frente à situação de precarização dos terceirizados levantamos a sua efetivação sem necessidade de prestar concurso, ou seja, sua contratação pela universidade e não por empresas que mantêm contratos precários que sobrecarregam os trabalhadores por salários de fome. Os terceirizados são em grande maioria mulheres negras que mantém a Universidade funcionando dia após dia, é preciso de um Movimento Estudantil que defenda e se alie com esse setor. Por exemplo, assim como defendemos a necessidade de ampliação do bandejão, defendemos a contratação de profissionais e o fim da terceirização para nossa demanda não virar sobrecarrega a quem faz a nossa comida vir à mesa todos os dias na UFF.

Esta ausência de centralidade da aliança operário-estudantil se expressou na antiga gestão da Chapa Não vão queimar nossa História, que era composta por 3 das 5 organizações que fazem parte da Chapa A Todo Vapor (RUA, UJC e Correnteza). Nós da Juventude Faísca estávamos atuando em apoio a Greve dos Garis, fortalecendo os atos e chamando campanha de cartazes. Fizemos um chamado para que o Centro Acadêmico apoiasse conosco aquele conflito operário que se enfrentava com Paes e o judiciário. Naquele momento, o apoio das entidades estudantis poderia cercar de visibilidade o conflito e levar o apoio da população, além de influenciar trabalhadores de outras categorias a lutar, mas infelizmente, a gestão do C.A ignorou nosso chamado.

Dentre as propostas no programa da Chapa também aparece a proposta de reformulação do Estatuto do Centro Acadêmico em uma Assembléia Estatutária. Concordamos com a necessidade de atualizar o Estatuto do Centro Acadêmico e queremos abrir uma discussão a cerca de aplicar nas próximas eleições do CAIMD o modelo de proporcionalidade na gestão. Esta discussão teria que ser feita mediante ao conjunto dos estudantes, mas a adoção do modelo proporcional, ou seja, que a gestão fosse composta por cada uma das chapas concorrentes (obviamente em caso das eleições serem disputadas com a presença de mais de uma chapa, o que não ocorre na História nestas eleições) com um número de membros proporcional à quantidade de votos recebido, permitiria maior representação das diferentes posições do curso e seria uma ferramenta de fomentação de debates que garantiria que as principais decisões do curso precisassem ser tiradas em assembleias de base, o que nós consideramos positivo para incluir o conjunto dos estudantes como sujeitos ativos nas decisões políticas do curso, estimulando a auto-organização dos estudantes.

São positivas as propostas de reforma curricular a partir de amplo debate com os estudantes, uma necessidade que temos de sermos sujeitos e escolhermos o que queremos estudar e ensinar no futuro. A proposta da formação de Blocos da História para atuar em conjunto nos atos e mobilizações não é algo demais. Ao longo das manifestações contra o Bolsonaro em 2021, nós da Faísca fizemos inúmeras propostas em assembleias da História para que os estudantes saíssem em um bloco unitário nos atos, infelizmente durante todas as vezes, a Gestão Não Vão Queimar Nossa História recusou o chamado. Reforçamos que consideramos positivo que os companheiros tenham repensado a posição.

Por uma forte campanha pelo fim da reforma do Ensino Médio

Como última proposta, a Chapa A Todo Vapor coloca o esforço para promover uma conferência que debata a Reforma do Ensino Médio e os rumos da Educação no país. Achamos de fundamental importância debater a Reforma do Ensino Médio, um tema que conecta o futuro de muitos estudantes que serão professores, com a realidade nacional de uma extrema-direita que busca cercear os debates desde a formação escolar. Por isso, colocamos como proposta para a chapa fazer uma forte campanha pelo Fim da Reforma do Ensino Médio, em que chamássemos CA’s, DA’s e DCE para, neste ciclo de debates, rechaçar publicamente esta Reforma e os ataques da extrema-direita à educação. A proposta de debater uma reforma curricular poderia, inclusive, perpassar pela crescente precarização que querem impor à nossa profissão, e como essa precarização está ligada ao desejo de prejudicar a formação crítica de milhares de estudantes por todo o país.




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