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Eleições CACH | De qual CACH precisamos para defender as ciências humanas e o futuro da juventude?

Venha participar da atividade da Faísca e independentes para formação de chapa pro CACH - centro acadêmico das Ciências Humanas, que representa as Ciências Sociais e História da Unicamp, nessa quinta-feira (28) às 17h, via Meet.

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quinta-feira 28 de outubro | Edição do dia

Está aberto o processo de inscrição de chapa para as eleições do CACH - Centro Acadêmico das Ciências Humanas, que representa as Ciências Sociais e História da Unicamp, e nós da juventude Faísca, junto a independentes, vemos muita importância no processo e também na composição da gestão, por isso queremos debater com o conjunto des estudantes uma chapa que se coloque o desafio de pensar qual CACH precisamos para defender as ciências humanas e o futuro da juventude frente a todos os ataques que a extrema direita de Bolsonaro, Mourão, mas também outros setores do regime, como Doria, proferem contra nós e os trabalhadores.

Queremos um CACH que se e conecte com a juventude que se propõe a se formar em Ciências Humanas e como futuros professores mesmo em meio ao desmonte da educação imposto por Bolsonaro, que ataca principalmente as humanidades e a ciência, e também com os estudantes que chegaram na pandemia e estão há dois anos na universidade sem conhecer suas entidades, sem contato com o Movimento Estudantil, sem nenhuma socialização com os colegas. O CACH precisa pensar uma calourada integrativa que comece a quebrar com as barreiras impostas pelo coronavírus, com atividades presenciais e vivência para reativar a juventude, com todos os protocolos e cuidados.

Mas queremos também um CACH que se proponha a se conectar com a juventude que sofre com a alta do desemprego e da inflação, principalmente a juventude negra e pobre, que, quando fura o filtro social do vestibular, batalha para permanecer na universidade. Um CACH que dialogue e organize os estudantes, futuros professores, para lutar ao lado daqueles que agora estão com o pagamento das bolsas PIBID e RP atrasadas pelo governo federal e não têm dinheiro para comprar comida. Tais programas são fundamentais para avançarmos na formação de professores. Uma gestão que lute junto aos estudantes da História contra os resquícios da ditadura que temos na universidade, como o Código de Conduta. Uma gestão que consiga se ligar aos estudantes que, ja pressionados com todas as questões da pandemia, crise econômica e social, ainda sofrem com o produtivismo tóxico da universidade-empresa, que é parte do que está fazendo nossa geração adoecer psicologicamente, sem perspectiva de futuro.

Por outro lado, também defendemos um CACH que lute ao lado dos trabalhadores, que defenda a efetivação das trabalhadoras terceirizadas da Unicamp, sem necessidade de concurso público, que se expuseram à Covid-19 e continuaram trabalhando para nos fornecer alimento, limpeza, funcionamento dos hospitais universitários, etc. Um CACH que sempre lembre e lute por Lourdes e Edvânia, trabalhadoras terceirizadas do bandejão que morreram de Covid-19 por descaso da reitoria. Um CACH que se ligue também a luta dos professores, dos trabalhadores nacionalmente, como fizemos recentemente nos ligando aos trabalhadores da MRV, impulsionando um comitê de estudantes em apoio à greve, porque sabemos que os mesmos que atacam os trabalhadores nos atacam e ao nosso futuro.

Para que isso seja possível, para que estejamos ao lado dos trabalhadores da universidade e defendamos os interesses nossos e deles, precisamos de um CACH independente da reitoria, que enfrente a estrutura de poder antidemocrática da universidade e que se coloque contra as parcerias público-privadas e toda a lógica do conhecimento voltado para os interesses do lucro capitalista. A universidade do jeito que é tem um objetivo, que o reitor elenca como prioridade: aprofundar cada vez mais relações com as empresas que neste ano bateram recorde de faturamento mais uma vez. É essa relação que faz com que o Ifood, que explora milhares de jovens negros, seja uma empresa que surgiu da Movile, empresa-filha da Unicamp. Para nós, a universidade tem que cumprir o papel oposto disso: ao invés de otimizar os lucros e aumentar a exploração e a devastação do planeta, deve servir aos interesses dos trabalhadores e do povo pobre.

Para essa luta, nosso Instituto pode cumprir um papel. Queremos um CACH que se ligue à intelectualidade do IFCH e consiga fazer com que os estudantes se vejam cada vez mais inseridos na produção de conhecimento do instituto, que é tão importante para a Ciências Humanas, não somente defendendo o direito de desenvolver suas pesquisas, mas refletindo como divulgá-las e refletí-las à luz dos nossos desafios hoje. Uma entidade que consiga se ligar à subjetividade dos estudantes e se coloque a tarefa de pensar e debater o mais profundamente qual é o futuro dos jovens, como podemos arrancar um futuro que não é o futuro de miséria que a extrema direita quer nos colocar hoje e que leva com que tenhamos os maiores números de evasão nas universidades dos últimos anos.

Defendemos uma entidade que sirva enquanto organizadora dos estudantes, que componha e construa pela base os atos e mobilizações contra Bolsonaro e Mourão. A juventude pode ser agente motora de derrotar a extrema-direita, e achamos que essa derrota só pode se dar nas ruas e pelas nossas mãos, ao contrário do que vem defendendo setores da esquerda, que se contentam em esperar 2022 e tirar Bolsonaro nas eleições, se aliando ao PT e Lula, que apostam na conciliação de classes com os mesmos setores que nos atacam diariamente.

Por fim, defendemos que é papel dos estudantes e das entidades lutar por todos aqueles que não conseguem ter acesso ao ensino público superior, que é extremamente restritivo. Não pode ser que a juventude negra e pobre entre pelas portas dos fundos para trabalhar nos cargos mais precários, precisamos lutar por uma universidade de todos. Para isso, é importante defendermos a ampliação das cotas raciais e indígenas e a implementação de cotas trans. Mas, para além, precisamos defender todas as condições de permanência estudantil, como reajuste das bolsas, bolsas-estudo, sem contrapartida, de acordo com a demanda, reforma e ampliação da moradia e ampliação do SAPE para atendimento psicológico, pois não basta entrar, também é preciso conseguir se manter no curso. E junto a isso, não podemos perder de perspectiva batalhar pelo fim do vestibular, que é um filtro social que deixa de fora da universidade centenas de milhares de jovens todos os anos.

São muitos os desafios da juventude e do Movimento Estudantil atualmente, e é essencial a unidade dos setores da esquerda que se propõem a pensá-los, apesar das diferenças. Por isso, reivindicamos a gestão proporcional que há atualmente no CACH, que nós da Faísca e independentes compomos a partir da chapa minoritária, e que foi muito importante pra manter a entidade viva durante a pandemia, com ações unitárias como o Comitê de apoio à greve dos trabalhadores da MRV.

Para debatermos mais todas essas ideias e pensarmos juntos o que tem que ser a gestão do CACH, chamamos todos a uma reunião aberta sobre qual CACH precisamos para defender as Ciências Humanas e o futuro da juventude, nessa quinta-feira (28), às 17h, via Meet. Para mais informações procurar Juliana: (11) 995977908




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