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Greves | De norte a sul do país, é preciso unificar as greves e os focos de resistência

A força da resistência dos indígenas por todo o país, os rodoviários em Porto Alegre, os trabalhadores da RedeTV em São Paulo, os metalúrgicos em Minas Gerais e os trabalhadores do Detran no Rio Grande do Norte mostram o caminho! É preciso apoiar ativamente cada luta, fazendo sua força contagiar mais jovens, indígenas e trabalhadores pelo país e direcionando essas batalhas também contra o governo Bolsonaro e todos os ataques que vêm sendo impostos.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 3 de setembro | Edição do dia

Na atual situação reacionária que atravessamos no Brasil de Bolsonaro e Mourão, com duros ataques que toda a extrema direita e a direita que está no Congresso, STF e governos estaduais vêm aprovando sobre nossas costas, vemos despontar processos de luta contra a patronal e os governos.

É o caso dos trabalhadores da Carris, empresa de transporte rodoviário em Porto Alegre, que reunidos em assembleia nesta quinta (02), votaram greve por tempo indeterminado, lutando contra o projeto de privatização que Melo quer impor e contra o absurdo fim do cargo dos cobradores.

Esses trabalhadores rodoviários vêm demonstrando bastante disposição de luta, paralisando a maior empresa de ônibus da cidade e marchando pelas ruas. Além disso, é possível ver um forte apoio popular à mobilização, já que muitos trabalhadores que pegam o transporte público todos os dias sentem na pele a sua precarização, se solidarizando com os rodoviários.

Outra mobilização em curso é a greve metalúrgica da SaeTowers em Betim, Minas Gerais. Os trabalhadores de lá entraram em greve há pouco mais de um mês e, também reunidos em assembleia nesta semana, votaram pela manutenção da greve e contra a proposta de PLR feita pela patronal, que é 42% menor do que em 2020, e outras pautas, como reajuste e equiparação salarial.

Os metalúrgicos também vieram convocando um ato para esta sexta-feira, 03, demonstrando sua força e disposição de luta, mesmo com os ataques que a patronal tem feito à greve, não pagando o adiantamento salarial dos grevistas, tentando subornar trabalhadores, ameaçando de demissão os trabalhadores que estão em greve, dentre outros assédios e ataques absurdos.

Igualmente assediados e atacados estão sendo os trabalhadores da RedeTV que, na região metropolitana de São Paulo, em Osasco, estão, desde o começo desta semana, se mobilizando. São cerca de 300 trabalhadores em greve, já que há 4 anos estão sem reajuste salarial, com ausência de benefícios e direitos como o FGTS e INSS. Enquanto isso, os lucros dos patrões e empresários da rede de televisão só crescem, como fica expresso no comentário de um dos donos da RedeTV, Marcelo de Carvalho, que desde suas férias na Itália repudiou a greve e atacou os trabalhadores que se mobilizam.

Mais ao norte do país, na capital potiguar de Natal - RN, os trabalhadores do Detran deram início a uma greve ontem, 02 de setembro, exigindo a atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da categoria, cobrada há quase um ano, e a realização de concurso público, dado a falta de funcionários que precariza o serviço.

Se apoiando e se inspirando em toda a resistência e força que os indígenas vieram demonstrando nas últimas semanas em Brasília e em diversos pontos do país, acampando e cortando rodovias, contra os absurdos PL 490 e o Marco Temporal, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, em todos os cantos do país que vemos greves e focos de resistência, é preciso cercar de solidariedade e apoio esses trabalhadores que vêm lutando duramente contra os ataques, as patronais e os governos. Além disso, é preciso batalhar pela unidade dos focos de resistência e para que essas lutas se direcionem também contra Bolsonaro e todos os ataques.

Vivemos hoje uma situação amarga, ainda com as consequências da pandemia, além do desemprego e fome crescentes, com aumento dos preços da luz, água, gás, combustíveis e dos alimentos, com mais de 20 milhões de brasileiros vivendo em situação de insegurança alimentar. Isso é fruto da crise econômica, sanitária e social que, se aprofunda com o governo Bolsonaro e Mourão e com este regime político podre. O que une a extrema direita no governo federal com a direita, o Congresso, o Judiciário e os governadores é justamente aprovar ataques que custam a vida e o suor de milhares de trabalhadores, em nome de manter os privilégios e lucros de uns poucos capitalistas.

Mas, apesar de todos esses ataques aprovados, essas greves e focos de resistência nos mostram como existem forças para resistir, assim como existe também disposição de luta. É por isso que precisamos não só cercar de solidariedade essas mobilizações em curso pelo país, como dar apoio ativo.

É preciso que os movimentos e partidos de esquerda, as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, os sindicatos, as entidades estudantis e os movimentos sociais se mobilizem e coloquem sua força para apoiar ativamente, construindo um forte plano de lutas que unifique cada uma dessas greves, fazendo a juventude, os indígenas e essa imensa classe trabalhadora brasileira se levantar rumo a uma greve geral que possa derrotar todos os ataques que querem descarregar sobre nossas costas.

Veja mais: Áudio diário de 5 minutos. Solidariedade ativa às greves da Carris, SaeTowers e RedeTV




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