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PUC CAMPINAS | Da educação ao regime: uma reflexão sobre o FIES

A crise instaurada na educação desde o começo do ano, além da greve dos professores do estado de São Paulo, tem nos cortes no FIES mais uma novela com o MEC adiando para o dia 29 de março as renovações dos contratos.

Isabel Inês São Paulo

sexta-feira 24 de abril de 2015 | 00:15

O governo não conseguiu fechar a crise instaurada na educação desde o começo do ano, além da greve dos professores do estado de São Paulo a qual já é impossível para Alckmin continuar ignorando, os cortes no FIES seguem sua novela com o MEC adiando para o dia 29 de março as renovações dos contratos.
Esta manhã o ministro da educação veio a público pedir calma aos estudantes e garantiu que os estudantes são a prioridade.

Expulsões na PUC Campinas

Contudo, o que estranha aos 500 estudantes expulsos da PUC Campinas, e na verdade a toda juventude que desde o começo do ano vive na incerteza da continuidade do próprio curso, é que já tem Universidades que estão deliberadamente expulsando estudantes que usavam do financiamento do FIES, e aumentando suas mensalidades além dos 6,4%.
Estudantes estão sendo expulsos, para manter o lucro empresarial com o ensino superior.

Os 500 estudantes da PUCC vivem hoje essa situação: tiveram seus contratos cancelados.

O ministro Janine Ribeiro pede calma aos estudantes, ironicamente, calma é a ultima coisa que estudantes nessa situação devem.
Nessa ultima quarta feira dia 22 já foi organizado um ato contra o corte e os estudantes prometem continuar se manifestando, já com outro ato marcado para o dia 28 de abril.

O Centro acadêmico de ciências Humanas da Unicamp (CACH) esteve no dia 22 e já esta convocando o dia 28. Tatiane Lopes, coordenadora do CACH declarou ao Esquerda Diário: " Nós no CACH na Unicamp achamos que é preciso unificar a luta das Universidade privadas e publicas para combater os cortes neoliberais do governo Dilma. Discutimos nas assembléias de base do instituto que é necessário levantar como programa que unifica essa luta a estatização de todas as vagas do FIES e Prouni, já que já são mantidas pelo estado, rumo a luta pela estatização e fim do vestibular, assim garantir gratuidade e acesso de todo jovem ao ensino, por isso vamos continuar juntos nessa luta".

A luta que hoje os estudantes estão dando contra os cortes no FIES além de combater o projeto de educação do governo, tem o desafio de superar dentro do movimento estudantil entidades dirigidas por grupos apoiadores do Governo governismo, organizado em coletivos e entidades, como a UNE, que por anos teve a tarefa de estancar a luta e principalmente dividir as questões “especificas” das grandes questões políticas, essa forma de militar quer manter a luta dos estudantes nos marcos estritos das demandas sindicais, e ao separá-la da política impede que os jovens saiam como sujeitos políticos nacional, e no atual cenário de crise do regime, que saiam junto aos trabalhadores como uma terceira via, nem com o governo, nem com a direita.

Ao contrario, a UNE usa de suas posições nas Universidades e escolas para fazer política para o governo Dilma defendendo programas como a reforma política

O problema é que o FIES é a parte mais escancarada de uma crise nacional, onde a UNE se abstém de mexer um dedo para debater o problema. Irônico que as entidades dirigidas pela UNE, majoritária nas universidade privadas, atuaram como cadáveres, sem nenhuma ação, diante do ataque que Dilma e Lula operam na educação.

As mobilizações denunciando o FIES brilharam pela ausência da UNE, não à toa: na contramão dos estudantes pobres e trabalhadores, é a mão regida pelo PT e o governismo que atua para desorganizar todo o movimento estudantil e impedir a sua luta.

Ligada a uma situação nacional onde nos últimos dez anos de passividade, gestou concepções de entidades estudantis que se habituaram a “seguir com a corrente” do suposto Brasil potência e não preparou os estudantes para em momentos como o atual, onde a realidade deu um giro, a conseguirem responder organizando os estudantes para o combate ao governo e a esse regime de privilégio dos ricos e deputados, mas que corta na educação e precariza com a PL4330. Não à toa as entidades não participaram de Junho de 2013, o maior levante de juventude do ultimo período.

Sobre esse último ponto, retomo o inicio do texto. A luta pelo FIES hoje ligada à luta contra os cortes na educação de conjunto tem a potencialidade de organizar os estudantes para emergirem no cenário nacional defendendo a educação e questionando esse regime dos ricos.

Um dos pilares de sustentação do governo petista Lula e Dilma foi a política de educação, a qual venderam uma falsa democratização pautada em endividamento dos estudantes e enriquecimento dos monopólios da educação.

As entidades governistas tiveram o papel de dentro do movimento estudantil manter essa estabilidade, contudo a realidade que se mostra hoje é a completa falência desse projeto. Assim, avançar da luta por educação para o questionamento do regime é a única forma de tomar a fundo o problema e ver como o problema desses 500 de Campinas (e outros mais) faz parte de uma crise nacional.

Justamente porque essa nova reflexão coloca essa emergência da Juventude, como fazer política e lutar pelo seu direito a educação, saúde, transporte numa chave, não de manter tudo como esta, mas sim a questionar que é insustentável um regime onde o governo triplica a verba para o fundo partidário, para estes mesmos partidos envolvidos em escândalos de corrupção, ao passo que retira o direito a educação.

Ou seja, os cortes orçamentários recaem sobre os direitos sociais e dos trabalhadores.
Esse dialogo é fundamental para que a juventude e as entidades estudantis possam avançar e organizar o movimento estudantil como uma terceira via, ao lado dos trabalhadores, que consiga ligar desde seus problemas específicos emergirem como grandes sujeitos nacionais que ao questionar o regime dos ricos, pode junto aos trabalhadores construir um estado barato, contra os privilégios dos altos cargos, como deputados e juízes.

Para isso é fundamental que os estudantes tomem suas entidades do governismo e assim como vemos a declaração do CACH, coloquem um programa concreto para resolver o problema da educação, nada mais de lucros, estatização das universidades privadas: a educação é um direito e deve ser publica e para todos.




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