ABSURDO

DF: Polícia indicia estudante que defendeu enfermeiras contra ataque de bolsonaristas

Tentando defender as enfermeiras, uma estudante de medicina que passava pelo local no momento das agressões bolsonaristas levou um cuspe no rosto e revidou com tapas. A Polícia Civil a indiciou, assim como a dois bolsonaristas, por “crimes contra a liberdade individual”, como se a ação dos três fosse minimamente equivalente.

sábado 30 de maio| Edição do dia

Quem não se lembra da coragem de trabalhadores da saúde que enfrentaram bravamente militantes bolsonaristas na Praça dos Três poderes? A hashtag “lute como uma enfermeira” passou a ser usada desde então por outras categorias de trabalhadores e por estudantes, em suas ações políticas virtuais para apoiar “a linha de frente” ou para reivindicar seus próprios direitos. No 1º de maio essa manifestação, muito elementar, homenageando profissionais de saúde mortos por Covid-19 no Brasil, incomodou defensores de Bolsonaro. Os vídeos mostram Renan Sena e Marluce Gomes vociferando contra as enfermeiras.

“Vocês consomem o fruto do nosso suor, nós construímos essa nação”, disse Renan, funcionário do Ministério dos Direitos Humanos, que não está trabalhando há meses. Marluce, demonstrando a completa irracionalidade de suas ações argumentou que sabe quem são as enfermeiras: são pessoas que não tomam banho, segundo ela. Passando pelo local, a estudante de medicina Sabrina Nery foi prestar solidariedade aos trabalhadores que se manifestavam pacificamente e recebeu um cuspe no rosto por parte dos Bolsonaristas. Para a Polícia Civil, essas agressões são equivalentes aos tapas que Sabrina desferiu em resposta a Renan e Marluce. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal recebeu os indiciamentos ontem, que agora aguardam manifestação do Ministério Público do DF.

A acusação contra a estudante Sabrina é inaceitável, e mostra que a Polícia e a Justiça têm lado. Independente de qual é o alinhamento de cada ala do regime democrático burguês na crise política, seja apoiando ou não Bolsonaro, não deixam de ser alas desse regime apodrecido, em que altos funcionários, políticos e juízes recebem supersalários e privilégios para atacar os explorados e oprimidos. O juízes não são eleitos por ninguém. Quando dizemos “lute como uma enfermeira” é por EPIs, licença remunerada, por um sistema de saúde único e público, sem rede privada, sob controle dos trabalhadores do SUS. Mas também é por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para mudar os jogadores e as regras do jogo a favor dos trabalhadores e da maioria da população.




Tópicos relacionados

trabalhadores da saúde   /    Coronavírus   /    Governo Bolsonaro

Comentários

Comentar