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DENÚNCIA: Rappi exige devolução do valor da entrega mesmo em caso de acidente ou morte do entregador

Relatos de entregadores que prestam serviço para a Rappi denunciam que a empresa pede que eles devolvam o valor das entregas que não são concluídas mesmo eles tendo sofrido acidentes.

terça-feira 30 de junho| Edição do dia

Imagine você ser vítima de um acidente durante seu trabalho e a empresa além de lavar as mãos para sua condição ainda por cima te penaliza pelo fato. Essa situação absurda e revoltante é o que acontece com os entregadores da Rappi, segundo relatos que recebemos.

Segundo as denúncias, se um entregador realizando uma entrega para a empresa sofrer um acidente no percurso e não tiver condição de terminar o serviço, ainda assim ele terá o valor da entrega debitado de sua conta. Em caso de morte a cobrança ficará a cargo da família.

Saiba mais:Entregador morre em acidente e empresa vai ao local recolher maquininha e caixa de transporte

Veja o desabafo e a reação de um entregador ao acidente sofrido por um colega (leia mais aqui):

"Essa mensagem é para aqueles que falam que não vão aderir à greve porque para eles está bom, está tocando corrida, está virando dinheiro, está tudo certo. E a empatia e amor ao próximo onde fica? Se para vocês está bom, para a maioria não está não, tem irmão morrendo na pista metendo marcha no trampo, perdendo a vida com lanche na bag. Para esses que acham que está bom, espero que nunca aconteça uma tragédia dessas para ter que sentir na pele o que é a merda que está sendo trampar com os app atualmente. Maninho que faleceu tem 3 filhos e a mulher desempregada. E agora? Estava com pedido da Rappi na bag, sabe o que eles vão fazer? Botar o valor do pedido de débito na conta dele e que se foda. Então se tá bom para vocês, firmeza, para mim não está não. Para mim toca pedido, não levei bloqueio, e estou sobrevivendo, mas meus irmãos estão perdendo a vida nessa porra sem nenhum amparo, nunca vi disso, estamos falando de vidas que se vão, não estou falando que seremos imortais no trânsito, mas que pelo menos tenhamos algum amparo para a família caso o pior aconteça, essa é uma das minhas reivindicações."

Essa situação escancara o extremo da precarização do trabalho a qual os entregadores estão submetidos. Sem vínculo empregatício com os aplicativos os trabalhadores são tratados como números sem ter o mínimo de direitos, enquanto proporcionam lucros milionários às empresas sendo explorados ao máximo. Um levantamento em SP mostrou um aumento de 38% nas mortes de motociclistas no estado, foram 179 óbitos no mês de maio.

São condições absurdas e revoltantes como essas que levaram com que os entregadores organizassem uma inédita paralisação internacional no dia de amanhã. Exigindo condições e direitos elementares para exercerem seu trabalho, tais como:

  • Aumento do valor das corridas e pacotes
  • Aumento do valor mínimo por entrega
  • Fim dos bloqueios e desligamentos indevidos
  • Seguro de roubo, acidente e vida
  • Fim do sistema de pontuação
  • Auxílio pandemia (EPI e licença)

A paralisação iniciada no Brasil teve adesão de diversos países da América Latina, como Argentina, Chile, Costa Rica, México, Guatemala e Equador, a partir de reunião internacional de entregadores.

O dia de amanhã representa um importante ponto de apoio na luta contra a precarização geral das condições de trabalho que os capitalistas buscam impor mesmo em meio a pandemia. Outras categorias que também estão sendo atacadas, como os metroviários de SP que nesse momento tem uma série de ataques ao seu acordo coletivo sendo descontados de uma vez, estão se somando a paralisação dos entregadores. Contra as demissões, contra a precarização de nossos trabalhos, de nossas vidas, temos que nos organizar para mostrar que somos uma só classe. Todo apoio aos entregadores nesse dia 01/07!




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