Juventude

CORTE NAS FEDERAIS

DCE da UFF restringe comunidade acadêmica de participar de assembleia virtual

Perto da mobilização dos cortes contra as federais e há um dia do ato por justiça às vítimas do Jacarezinho, o Diretório Central do Estudantes, dirigido pela UNE, chamou uma assembleia para toda a comunidade acadêmica porém, com o limite de participantes, o que num universo de mais de 70.000 impede a participação necessária para promover uma mobilização das bases a altura do ataque.

Calvin de Oliveira

Estudante de Geografia da UFF - Niterói

sexta-feira 14 de maio| Edição do dia

O Diretório Central dos Estudantes Fernando Santa Cruz, dirigido pela UNE, chamou no dia 12/05 em sua página do Instagram para a realização de uma "Assembleia do DCE" para hoje (14/05) às 10h contra os cortes nas federais. A assembleia contará com o Reitor, o presidente da UNE e a coordenadora geral do SINTUFF, além da APG e ADUFF. A inscrição para participação no formulário se esgotou rapidamente, já que a entidade optou justamente por um aplicativo de teleconferência (Zoom) cujo limite é restrito, sendo assim, poderia ser garantido em outra plataforma em que todos os alunos que quisessem, pudessem participar. Tendo a universidade uma comunidade acadêmica de mais de 70 mil pessoas, a escolha é antidemocrática tirando a possibilidade dos demais 69 mil participarem de uma assembleia tão importante que tem como objetivo organizar a luta e resistência do corpo estudantil aos brutais ataques que estão sendo deferidos por Bolsonaro, o Congresso Nacional e o Senado para acabar com as condições de existência das universidades públicas federais e agradar o Centrão.

Justamente neste momento em que o governo Bolsonaro corta do MEC verbas que podem inviabilizar o funcionamento e a manutenção de diversas universidades federais pelo país, as entidades precisam garantir todos os meios para que a luta tenha condições de se massificar, começando pela construção desde as bases estudantis e garantindo estrutura digital adequada para que a totalidade do corpo estudantil possa participar ativamente, opinar e fazer propostas.

No último ano foram escolhidas medidas midiáticas combinadas com o apoio da implementação do EAD ou ERE que excluiu os estudantes e dias de luta midiáticos que não foram construídos pela base. Esse novo ataque comprova que a política levada adiante pela majoritária da UNE, composta pela PCdoB, PT e Levante Popular da Juventude não consegue defender nem mesmo as universidades e que está à serviço da espera por 2022 e de criar a ilusão do impeachment de Bolsonaro, que ninguem tem interesse de levar a frente até o final para além de desgastar o presidente.

A escolha da plataforma, assim como o prazo e a qualidade da convocação para a assembleia devem estar a serviço dessa vital necessidade e não o contrário. Sabemos que a UFF tem infraestrutura capaz de garantir uma assembleia com maior participação do corpo estudantil e isso tem que ser exigido imediatamente da reitoria por parte do DCE para que possa garantir a democracia necessária para fortalecer a luta dos estudantes contra os ataques do governo Bolsonaro e seus aliados. Dessa forma também vemos que o DCE não está totalmente a serviço da luta dos estudantes, não organizando assembleias de base de cada curso tirando delegados que poderiam representar muito melhor os mais de 30 mil estudantes.




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