Mundo Operário

Crivela mais uma vez atrasa salários dos trabalhadores da saúde durante a pandemia

Novamente o Rio de Janeiro é alvo de mais um ataque em relação à saúde pública. Em meio a segunda onda da covid-19 , com filas nos hospitais e falta de leitos para os enfermos, profissionais da saúde que estão na linha de frente contra a pandemia estão sem receber o salário de novembro.

sexta-feira 11 de dezembro de 2020| Edição do dia

(Foto: Reprodução TV Globo)

Em pleno auge da pandemia, com 178,1 mil mortes e 6,74 milhões de caso, o Rio de Janeiro é citado novamente por conta da falta de EPIs e leitos. A Fiozcruz já alertou que a cidade do Rio de Janeiro está em colapso, com a proximidade de um quadro grave de falta de assistência na saúde, com elevação das mortes por Covid. A fila de pacientes que necessitam de um leito para Covid na rede pública chega a absurdas 500 pessoas em espera, com 99% de lotação. Até na rede privada já estima-se que há ocupação de cerca de 98%. Pessoas estão morrendo sem ter o devido atendimento, por conta do sucateamento da Saúde.

Crivela, por sua vez, flexibiliza o comércio, segue reafirmando que não adotará qualquer medida de controle, declarando que os shoppings passarão a funcionar 24h, e não garante o mínimo, que é o salário dos trabalhadores da saúde, deixando a mercê da sorte quem busca pelos serviços e os próprios profissionais. Estima-se que pelo menos 16 mil trabalhadores da Saúde do Rio de Janeiro estejam sem receber salários. Com isso, Crivella, que passou a prefeitura favorecendo apenas seus interesses e aliados, é responsável pelo colapso da Saúde do Rio de Janeiro.

Neste momento alarmante da saúde em que os trabalhadores necessitam de amparo e terem seus direitos garantidos, o que se vê é o contrário do que deveria ser feito. Não há reforço com novas contratações de profissionais para auxiliar na alta demanda devido a covid-19. O que se tem em troca é o desleixo oriundo da gestão de Crivela que nem sequer garante o salário desses trabalhadores. Pelo contrário, o que se tem é uma política criminosa que arrisca a vida do povo e dos trabalhadores da Saúde.

Não é de hoje que profissionais da saúde passam por esse ataque. Vale ressaltar que ano passado os profissionais de saúde passaram pela mesma dificuldade com o governo de Crivella. Os atrasos salariais e a precarização dos serviços que atendem a população pobre e em sua maioria negra, que são os principais usuários do SUS, são sinônimos da gestão de Crivella que em nenhum momento priorizou a saúde nem antes, nem durante a pandemia.

Aproximadamente 16 mil profissionais da saúde que trabalham na rede municipal seguem com a incerteza do pagamento dos seus salários daqui em diante. Nesta semana ocorreu reunião no Tribunal Regional do Trabalho sobre dissídio coletivo de greve, onde foi deliberado que a prefeitura tem 24 horas para fazer o repasse às OSs e Rio Saúde do salário de novembro e o 13°. Mas uma vez os trabalhadores precisam recorrer a justiça para ter o direito básico do salário ser pago na data correta ser garantido. Ou seja, as trabalhadoras que passaram toda a pandemia sem EPIS e testes para combate à pandemia, agora tem a possibilidade de passar seu fim de ano sem dinheiro!

Entre os locais afetados por este ataque a saúde encontra-se dois hospitais que são referência para tratar os infectados pelo coronavírus: o de Campanha do Riocentro e o Ronaldo Gazolla, administrados pela empresa pública Rio Saúde. Além disso, quatro OSs foram atingidas pela falta de pagamento. Para fechar o ano sem dívidas, a Rio Saúde necessita quitar R$ 200 milhões até 31 de dezembro. Mas Crivella, Claudio Castro e Eduardo Paes têm lavado as mãos frente a essa situação dramática.

Para que vidas sejam salvas é necessário priorizar a saúde ao invés do lucro dos capitalistas. É urgente que reverter as isenções fiscais aos capitalistas, e inclusive às igrejas que tiveram perdoados R$1 bilhão, para garantir que possa haver dinheiro para a Saúde. Também se deve impor impostos progressivos sobre as grandes fortunas, bem como não pagar a dívida pública, o que permitiria criar todos os leitos necessários para atender a população e arcar imediatamente com todos os salários e direitos dos trabalhadores da Saúde. Demagogicamente os governos estão anunciando testes massivos, mas isso está bem longe da realidade. É preciso que efetivamente hajam testes para todos os que queiram. A rede de Saúde precisa incorporar os terceirizados sem necessidade de concurso, e abrir novas vagas. São os trabalhadores da Saúde que devem gerir o SUS, que deve ser 100% estatal, sob controle dos trabalhadores.

Enquanto as mortes por Covid aumentam em todo o país, e atingem níveis catastróficos no Rio de Janeiro, Bolsonaro está destinando dinheiro público para as empresas de seus filhos, e ridiculamente inaugurando exposição de roupas, em mais um ato que causou revolta nas redes sociais. Por isso, o Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas deve ser uma das principais batalhas, pela luta, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para revogar os ataques, como o Teto de Gastos, e impedir a morte de milhares de pessoas.




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