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Crise no Reino Unido: a rainha aprovou pedido de Boris Johnson para suspender o Parlamento

A manobra do primeiro ministro busca evitar que se sancione uma lei que impeça a saída do bloco europeu sem acordo. A oposição poderia pedir o fim do Governo.

quinta-feira 29 de agosto| Edição do dia

“Deus salve a rainha”, o mundialmente conhecido hino da realeza, deve estar cantando o primeiro ministro britânico Boris Johnson depois que Elizabeth II aprovou nesta quarta-feira formalmente a petição para suspender o início das sessões do Parlamento até outubro.

O Conselho Privado da chefe de Estado do Reino Unido indicou em um comunicado que a retomada do trabalho parlamentar permanecerá suspendida "não antes da segunda-feira 9 de setembro e não mais tarde de quinta-feira 12 de setembro", até 14 de outubro.

Com a aprovação do pedido de Johnson se facilita uma possível saída sem acordo, Brexit duro, do Reino Unido da União Europeia, algo que deseja o atual mandatário britânico. Dia 31 de outubro é a data limite para negociar o Brexit com Bruxelas, a suspensão das sessões limitará o tempo que os deputados vão ter disponível para tentar frear uma saída sem acordo da UE.

Johnson programou uma suspensão parlamentar de cinco semanas, a maior desde 1945, o que foi lido pela oposição como uma intenção de evitar que seus planos de governo sejam postos em questão pelo Parlamento.

A Rainha estava obrigada formalmente a ordenar o encerramento de sessões se é a vontade do governo. Se a justiça freia o movimento, a mesma Rainha será exposta.

Baseado em uma manobra, claramente antidemocrática, o primeiro ministro neutraliza os avanços alcançados pela oposição para aprovar uma lei que impeça a saída do bloco europeu sem acordo, deixando somente uma semana para aprovar uma lei, prazo impossível de cumprir para a complexa mecânica parlamentar.

A resolução da monarca, não eleita por ninguém, confirmando a manobra do Primeiro Ministro que chegou ao cargo votado apenas por 92.000 contribuidores do partido conservador em sua maioria idosos, homens, brancos pertencentes a setores de classe media alta, suspende de fato os poucos mecanismos democráticos formais para o debate do Brexit.

Algo que foi ressaltado pelo líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, que se pronunciou contra a medida. “Estou escandalizado com a imprudência do governo de Johnson, que passa seu tempo falando da soberania do parlamento e se prepara para suspendê-lo para evitar o escrutínio de seus planos para um Brexit sem acordo. É um escândalo e uma ameaça a nossa democracia”, disse Corbyn.

O Partido Trabalhista vê em crise sua política dirigida exclusivamente em buscar um acordo parlamentar para impedir um Brexit sem acordo. A atual situação acrescenta pressão aos líderes opositores para por sobre a mesa uma moção de censura contra Johnson.

Mas não só a oposição criticou Johnson. O presidente do parlamento, o Speaker conservador John Bercow, qualificou o movimento de Johnson como um “escândalo constitucional”. “Coloquem a roupagem que quiser é obvio que querem impedir que o Parlamento debata sobre o Brexit”, disse Bercow membro de mesmo partido que o Primeiro Ministro.

A aposta de Johnson abre uma crise difícil de resolver. O conservador já recebeu o apoio de outros líderes que apoiam o Brexit sem acordo, e sua iniciativa foi saudada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Enquanto o outro lado acelera uma possível moção para terminar com o atual governo. A oposição poderia apresentar uma moção de rechaço na próxima semana.

Se avançar essa moção, tão pouco estaria garantido um caminho ordenado. Em tal caso, o próprio oficialismo e a oposição teriam quinze dias para tratar de formar um novo governo. Se nenhuma das partes conseguir, se convocariam eleições gerais.




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