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Crise na UFRJ fecha unidades por falta de pagamento da limpeza e segurança

Na UFRJ, a Faculdade Nacional de Direito e a Escola de Comunicação fecharam suas portas por falta de serviços de limpeza e segurança e o Colégio de Aplicação também paralisará suas atividades na quarta-feira. Em crise orçamentária, os trabalhadores enfrentam atrasos no pagamento dos salários desde janeiro

terça-feira 12 de maio de 2015| Edição do dia

O corte de verbas nas Instituições Federais de Ensino Superior afeta o funcionamento das Universidades de todo o país. Os primeiros a perder são os trabalhadores terceirizados, da limpeza, segurança, ascensoristas, que sofrem desde o início do ano com atrasos no pagamento. Na UFRJ, a Faculdade Nacional de Direito decidiu fechar suas portas pela situação insustentável gerada pela falta dos serviços de limpeza, e foi seguida pela Escola de Comunicação na manhã de hoje. Ambas decidirão se vão seguir fechadas ou não na semana que vem, a depender do pagamento dos terceirizados, que neste mês estão há sete dias sem receber. O Colégio de Aplicação, que teve suas aulas atrasadas no início do ano pelo mesmo problema, também decidiu parar suas atividades a partir da quarta-feira (13), exceto o terceiro ano. No Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, os técnico-administrativos decidiram paralisar suas atividades nesta segunda-feira, até que a situação se resolva.

Esta situação já havia acontecido em fevereiro , quando a UFRJ adiou por duas semanas seguidas o início do seu calendário letivo. De lá para cá, os trabalhadores terceirizados da limpeza vem sofrendo com atrasos, pagamentos parciais, descontos por dias parados. Os porteiros de vários prédios, que também são terceirizados, foram mandados embora sem renovação do contrato, e por isso os seguranças patrimoniais estão fazendo dupla ou até tripla função, de recepção até abrir as salas para ter aula. Em vários prédios, os ascensoristas também foram mandados embora.

Terezinha da Costa, uma trabalhadora terceirizada da limpeza, foi recentemente demitida por ser linha de frente da greve, que exigia o que é garantido por direito na constituição, o pagamento em dia e integral de seu salário. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, junto às empresas de terceirização, é responsável por estes milhares de trabalhadores, que representam metade de seu orçamento corrente, ficarem sem receber, assim como é responsável pelas centenas de trabalhadores que foram mandados embora sem nenhum esclarecimento por parte da universidade.

Em um comunicado oficial, o REItor Carlos Levi afirma que estava ciente da “possibilidade de paralisação” dos serviços de limpeza e segurança, e por isso esteve em contato desde a sexta-feira com o MEC, e que a liberação da verba teria ocorrido nesta segunda-feira de manhã. Mas a realidade dos centros e unidades na UFRJ contrasta com o “reino das possibilidades” da REItoria: os corredores estão entupidos de lixo e os banheiros estão imundos. A paralisação dos serviços já está acontecendo, acontece parcialmente desde fevereiro, só que o descaso e o atraso dos pagamentos dos salários chegou em um nível insustentável para estes trabalhadores.

Ao fingir não haver paralisação nenhuma, a REItoria só é conivente com a invisibilidade que estes trabalhadores sofrem cotidianamente, separados não só por um crachá e um uniforme diferente, mas também por salários, horários de almoço e locais de descanso diferentes daqueles trabalhadores que são concursados da UFRJ, e sem os mesmos direitos, sofrendo perseguições e demissões em caso de greve.

Na mesma nota, a REItoria dá um recado intransigente à FND, ECO e Cap-UFRJ: “A Reitoria ratifica, no entanto, que não autorizou a suspensão das atividades acadêmicas em nenhuma das unidades, mas ao contrário se empenha para assegurar, no máximo, em 48 horas a reestabelecer os serviços”, o que mostra a predisposição para manter à qualquer custo, mesmo que de trabalho não pago, o funcionamento da Universidade.




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