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GREVE NA ELETROBRÁS | Crise hídrica, aumento da luz e privatizações: não podemos pagar pela crise dos capitalistas

A maior crise hídrica em 91 anos vem acompanhada de apagões, desabastecimento e aumento das tarifas de energia em plena pandemia. Enquanto isso, governo, golpistas e a mídia burguesa trabalham juntos pela privatização da Eletrobrás, nos atacando para garantir o lucro dos capitalistas. É preciso fortalecer a greve e enfrentar os ataques.

quarta-feira 16 de junho | Edição do dia

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil; 2018)

O Brasil enfrenta uma catástrofe hídrica de grandes proporções, uma com os principais reservatórios hidrelétricos operando com 35% da capacidade e relembrando a crise energética de 2001, quando houve apagões, aumento das tarifas e racionamento. Ontem (15) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) declarou que haverá aumento das contas de energia, uma medida que afetará diretamente a população mais pobre e que ainda tem de lidar com a pandemia, a fome e o desemprego.

Acontece que a crise energética não é fruto somente da falta de chuvas, em si uma catástrofe climática que foi alimentada pelas queimadas de Salles, mas também é resultado do sucateamento, desinvestimento e precarização nos sistemas estatais de energia. Agora, com o projeto de privatização da Eletrobrás para ser votado essa semana no Senado, vemos as mídias capitalistas como a Globo trabalhando junto com os golpistas e o governo de Bolsonaro e Mourão para vender a privatização como uma solução para a crise energética.

Veja também: Mídia diz que privatizar resolve crise energética, mas foi assim que Amapá ficou no escuro

A verdade é que a privatização da maior geradora de energia da América Latina, além de enriquecer os bolsos de um punhado de capitalistas, vai garantir que o serviço seja inteiramente voltado para o lucro dos compradores e pode reproduzir em escala nacional as condições que levaram ao apagão no Amapá. Por isso é urgente a solidariedade com os trabalhadores da Eletrobrás que hoje entraram em greve de 72 horas contra a privatização.

Enquanto por cima vemos o teatro da CPI, a classe trabalhadora é patrolada por uma série de ataques protagonizados por todas as forças do regime. O projeto de Bolsonaro e Guedes, mas também da direita cabeça do golpe institucional e de sua reformas, é aprofundar um laboratório de precarização do trabalho e de ataques neoliberais à moda Chile, a grande inspiração de Guedes e que cujas consequência levaram à histórica revolta de outubro de 2019.

É preciso lutar por uma Eletrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, para que a produção e distribuição de energia esteja voltada para atender as necessidades da população, garantindo um serviço barato e de qualidade para os mais pobres e não um sistema voltado para extrair lucro para os acionistas. Nos encontramos no cruzamento entre pandemia, desemprego e aumento dos preços de alimentos, gás e energia. Por isso, é preciso mobilizar os batalhões da nossa classe para inverter a lógica que os capitalistas nos empurram, para que sejam eles que paguem pela crise.

É de extrema importância cercarmos de solidariedade essa greve na Eletrobrás. As centrais sindicais, como a CUT que dirige grande parte dos sindicatos do setor, precisam organizar assembleias e comitês de base para fortalecer a greve e unificá-la com os outros processos de luta em curso. Estão, por outro lado, chamando uma mobilização vazia para o dia 18, “em apoio” aos atos do dia 19. Uma mobilização sem construção nos locais de trabalho e que acaba por separar os trabalhadores dos estudantes e movimentos sociais que sairão às ruas no sábado. No plano de fundo de tudo isso, está uma estratégia de canalizar nosso descontentamento para a via eleitoral de Lula e do PT em 2022, sem levar nossa luta até o final.

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Em meio à grande força demonstrada nas manifestações do dia 29 e de vários processos iniciais e isolados de greves, não podemos sentar e esperar outubro de 2022, enquanto avança a miséria e ultrapassamos meio milhão de mortos. É preciso fortalecer uma perspectiva de luta de classes que se oriente a impor aos sindicatos que mobilizem os trabalhadores para participarem das novas manifestações no dia 19 de junho e também que organizem uma paralisação nacional para que possamos unificar nossa classe, barrar as privatizações e enfrentar Bolsonaro, Mourão e os militares mas também o conjunto do regime os sustenta.




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