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Opinião | Corpos negros no chão são o resultado da campanha eleitoral de Claudio Castro em Manguinhos

Cláudio Castro usa chacinas e assassinato do povo negro como mote de sua campanha de extrema direita.

quarta-feira 13 de julho | Edição do dia

Imagens de corpos negros sendo empilhados na caminhonete do CORE circularam nas redes sociais de movimentos de favelas e comunidades no dia de ontem, depois de mais uma incursão de Cláudio Castro, desta vez em Manguinhos, na Zona Norte da capital. O assassinato de pelo menos 6 pessoas durante a ação deste destacamento especial da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, o CORE, está aí para mostrar que a polícia desmilitarizada mata igual à PM. E também mostra claramente que a polícia não mata negros e pobres por estar mal equipada e despreparada, mas sim porque é uma instituição racista!

Essa cena é só mais uma das peças de campanha de Cláudio Castro, o governador bolsonarista que ascendeu ao poder sem votos e que faz campanha visando a base miliciana e policial da extrema direita. Depois da chacina do Jacarezinho, da "cidade integrada" e da chacina da Penha, agora foi a vez dos moradores de Manguinhos enfrentarem a intervenção policial.

A polícia civil alega que um grupo do esquadrão anti-bombas estaria no local e teria sido atacado. Os perfis de Cláudio Castro, da PMERJ e da PCivil divulgaram a intervenção policial sem chamá-la de operação. Com isso, tentam evitar até mesmo que os organismos fiscalizadores que compõem o estado burguês, como o Ministério Público, Defensoria ou comissão de Direitos Humanos da Alerj possam investigar o ocorrido.

Querem passar a ideia de que não houve operação, mas sim uma suposta resposta à um ataque. Só não conseguem explicar o que o esquadrão anti-bombas estaria fazendo nas imediações, ao mesmo tempo em que mostra uma suposta quantidade de apreensões que corresponde ao resultado de uma operação oficial.

Estamos voltando a tempos iguais a quando o RJ pagava a "gratificação faroeste", quando a polícia recebia prêmios para cada assassinato praticado, na época do governo de Marcello Alencar. A diferença é que Castro paga os policias com aumentos salariais, novas viaturas, promessas de melhoria na carreira; e com isso, mantém uma tropa fiel de assassinos que farão de tudo para o reeleger.

A Polícia, seja ela militar ou civil, está aí para defender a ordem capitalista, e no caso do Brasil, isso significa defender a manutenção de um sistema que se criou à partir do processo de escravização, se mantendo até então como uma polícia que tem o racismo como elemento elemento de sua origem. O fim do racismo passa por lutar contra toda operação policial que, sob a justificativa de uma suposta "guerra às drogas", mata negros e pobres todos os dias. A guerra às drogas sabemos que quem perde é essa mesma população. Quem lucra com ela são policiais corruptos e agentes estatais capitalistas que lucram com a proibição, que faz tornar o comércio lucrativo, sendo estes mesmos agentes que armam o tráfico. O efeito desta guerra também é aterrorizar trabalhadores que todos os dias saem de suas casas sem saber se no no caminho do trabalho vão dar de cara com uma operação, ou se na volta encontrarão cenas de guerra na porta de casa, amigos ou parentes mortos pelas "balas perdidas" que acertam, em sua maioria, negros e pobres.

Frente à campanha assassina e racista de Cláudio Castro é preciso levantar medidas emergenciais como comitês de investigação e fiscalização da ação dos estado nas favelas, comitês estes que deveriam ter como ponta de lança as mães das vítimas da ação policial, mas também representantes dos sindicatos e associações de moradores, assim como comissões de direitos humanos. Fim dos tribunais especiais para os militares, fim de leis e mecanismos que legalizam as chacinas como os "autos de resistência" e o "excludente de ilicitude", assim como o fim das tropas especiais da PM e da Civil. Essas medidas deveriam ser defendidas, cotidianamente e nas eleições, por toda a esquerda, todos que se consideram anti racistas e os que se apresentam como membros das favelas, comunidades e periferias. Neste caso, o PT deveria escolher se quer lutar contra a política da extrema direita de Cláudio Castro, ou se vai apoiar seu deputado André Ceciliano, que virou super amigo do governador bolsonarista e garantiu-lhe a governabilidade esse tempo todo.

Além disso, ao invés da defesa de melhor equipamento para os policias defende Marcelo Freixo (PSB), que tem feito campanha até mesmo na base do BOPE, ou então por uma reforma cosmética da polícia como defende Eduardo Serra (PCB), o fim do racismo depende do fim de todas as polícias, que deveriam ser dissolvidas e substituídas pela autodefesa dos trabalhadores, do povo negro e pobre, pondo em cheque o monopólio da violência exercido pelos capitalistas através da construção de um outro estado, o socialista.




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