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COPA AMÉRICA

Coronel substitui Caboclo na CBF: troca entre escórias para garantir lucro na Copa América

A substituição de Caboclo, afastado por denúncia de abuso sexual da presidência da CBF, por Coronel Nunes, PM aposentado que já foi prefeito nos tempos da ditadura, demonstra que a prioridade é blindar os conflitos fortalecendo alas reacionárias para a manutenção dos lucros de empresários do esporte, em meio às centenas de milhares de mortes por covid no país.

segunda-feira 7 de junho| Edição do dia

Na tarde de ontem, domingo (6), o Comitê de Ética da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) afastou o presidente da entidade, Rogério Caboclo, por 30 dias, devido à recente denúncia de assédio sexual feita por uma funcionária da CBF. Quem assume é o Coronel Nunes. Isso ocorre em meio à polêmica em torno da realização da Copa América no Brasil, que foi articulada por Caboclo e Bolsonaro junto à Conmebol, e gerou fortes críticas devido a situação da pandemia.

Coronel Nunes é um policial militar aposentado do Pará e já chegou a assumir a presidência da CBF outras duas vezes. Nunes também foi prefeito biônico (nomeado pela ditadura) em Monte Alegre (PA). Ou seja, a troca temporária entre Caboclo e Coronel Nunes expressa o reacionarismo presente também no regime político brasileiro, que negocia a Copa América com a CBF e a Conmebol para garantir um evento de alta lucratividade.

Isso acontece também em meio ao teatro da CPI da Covid e a impunidade garantida pela justiça militar, com o arquivamento do processo administrativo que corria no Exército contra Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por ter participado de ato junto de Bolsonaro no Rio de Janeiro. Os militares, como Pazuello, compartilham a responsabilidade das centenas de milhares de mortes com Bolsonaro, e também os governadores e o STF.

Parte da polêmica em torno da realização da Copa América é expressa pela declaração do capitão da Seleção Brasileira, Carlos Henrique Casemiro, após a partida contra o Equador, na última sexta, se posicionando contra a realização do evento. Informações de bastidores veiculadas em diversos jornais dizem que o técnico Tite pode ser retirado do cargo por sua oposição ao torneio, e em seu lugar seja colocado algum mais alinhado a Bolsonaro.

É um absurdo que no país onde vemos a pandemia seguir ritmos acelerados, com o ritmo lento de vacinações e com o Congresso planejando mais cortes na saúde através da reforma administrativa, que tramita para sua aprovação, onde o transporte lotado escancara dia a dia a ineficiente política demagógica do #FicaEmCasa, onde mais da metade da população sofre com insegurança alimentar e o desemprego chega a níveis recordes, seja sediada essa copa em prol do lucro de grandes empresários.

A manutenção da Copa América é um benefício para a CBF e para a Conmebol. Favorece única e exclusivamente aqueles que lucram com a usurpação do esporte: cartolas e dirigentes mafiosos, empresários, emissoras de televisão, políticos sanguessugas e os capitalistas do esporte. A receita declarada de 2019 da CBF, por exemplo, foi de quase R$1 bilhão, e, em 2020, R$716 milhões, fruto de muito patrocínio, direito de transmissão e Fundo de Legado da Copa de 2014. A Conmebol arrecadou R$620,6 milhões com a Copa América de 2019, enquanto, em 2020, ano em que o torneio não foi disputado em razão da pandemia de COVID-19, a receita com a competição foi de apenas R$1,3 milhão, segundo dados da ESPN. São fortunas milionárias, que nem ao menos são taxadas.

Por isso, devemos seguir os caminhos da população da Colômbia, país em que não ocorrerá a Copa América devido às manifestações, e tomarmos as ruas para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise, e não que sejamos jogados para morrer por covid, fome e desemprego, assim como para vingar cada morte da chacina de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, promovida por policiais como Coronel Nunes. É mais do que hora de nos levantarmos contra o negacionista Bolsonaro, Mourão e os militares do governo, mas sem cair na armadilha da demagogia das instituições do regime político golpista como o STF, o Congresso Nacional e os próprios governadores que estão rifando nossas vidas para manter os lucros dos capitalistas.

É urgente colocarmos de pé um plano de emergência dos trabalhadores para combater a pandemia. E por isso, é necessário que os atos do dia 19 não sejam palanque para Lula (que negocia com diversas figuras como FHC, Sarney e Kassab, ignora as manifestações para preservar suas alianças com golpistas e burgueses e promete privatizações) e sim prepararem uma paralisação nacional, com a entrada em cena da classe trabalhadora. Assim, é fundamental que as centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, como a CUT e a CTB, que estão em milhares de sindicatos pelo país, rompam com a estratégia eleitoral, que divide, controla e atua para conter os estudantes e os trabalhadores para que os ânimos não ultrapassem os limites para a eleição de 2022 e façamos como os colombianos.

Nesse sentido, também fazemos um chamado a todos os movimentos sociais e organizações de esquerda, como o PSOL e PSTU, a exigirem que os sindicatos ao invés de impulsionar palanques, impulsionem um plano de lutas, com assembleias de base nos locais de estudo e trabalho. A CSP Conlutas e a Intersindical podem dar o exemplo nas categorias que dirigem, ao organizar assembleias que votem a exigência de um dia de paralisação nacional, chamando CUT e CTB a encamparem essa política.




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