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COPA AMÉRICA | Copa América estreia: Brasil vence em campo, mas fora dele perde quase 490 mil brasileiros

Ontem, domingo (13), depois de Bolsonaro ter aceitado e o Supremo Tribunal Federal (STF) garantido o acontecimento da Copa América no Brasil, para não atrapalhar a alta lucratividade da Conmebol mais uma vez em meio à pandemia, o torneio iniciou. A Seleção Brasileira venceu a desfalcada Seleção Venezuelana por 3x0, no mesmo dia em que perdemos mais milhares pela covid-19, por culpa de Bolsonaro, Mourão e governadores.

segunda-feira 14 de junho | Edição do dia

Foto: Henry Romero/Reuters

No jogo de estreia no Mané Garrincha, em Brasília, a Seleção Brasileira ganhou de 3x0 de um elenco venezuelano desfalcado por 13 membros, entre jogadores e funcionários, que testaram positivo para covid. Além da Venezuela, as seleções da Bolívia e da Colômbia também detectaram casos positivos em suas delegações nesta semana.

“A decisão de realizar a Copa América no Brasil não foi tomada por capricho ou improvisação. A bolha sanitária em que se encontram as delegações deve minimizar o contato com pessoas fora dela, os testes 48 horas antes de cada jogo em todas as pessoas envolvidas nas partidas e a transferência de delegações em avião fretado”, disse a cínica Conmebol, que não quer mais uma vez deixar de arrecadar seus milhões por causa da pandemia. A arrecadação em 2019 foi de R$620,6 milhões, sendo que a de 2020 foi de R$1,3 milhão, segundo dados da ESPN, com o torneio.

Bolsonaro não esteve presente no estádio em Brasília enquanto começava a garantir esses caprichosos milhões para a Conmebol, mas publicou em suas redes uma foto com a camisa de time patrocinado pela Havan, do empresário bolsonarista Luciano Hang assistindo ao jogo da seleção e apontando para o logo do SBT, uma das emissoras que têm os direitos de transmissão da Copa América. O ministro de Comunicações do Governo, Fábio Faria, é genro de Silvio Santos, dono do SBT.

Veja mais: Contra Copa América no Brasil, não podemos deixar a Globo desmobilizar manifestações!

No Brasil de Bolsonaro e Mourão, sem pensar duas vezes, o governo recebeu de braços abertos a proposta da empresa multimilionária para sediar o evento, apesar de já contarmos com quase 500 mil mortes pela Covid-19. Essa responsabilidade é de Bolsonaro, mas também dos governadores, que hoje fazem demagogia com a vacina, priorizando os lucros das empresas farmacêuticas e laboratórios privados, não garantem testagem massiva e espremem milhões de brasileiros em transportes lotados para ir ao trabalho, sem garantir também a liberação remunerada dos setores não essenciais, auxílio emergencial digno e reconversão da indústria para a produção de insumos. Entretanto, como colocado pela própria ministra Cármen Lúcia, a decisão de Bolsonaro "não é o fator determinante que poderia acolher ou afastar a realização do evento", visto que os estádios de futebol estão a cargo dos governadores dos estados a sediarem o evento.

E apesar de setores do Judiciário se colocarem críticos a Bolsonaro, na hora de garantir os lucros de empresas milionárias como a Conmebol e todo o bojo de empresas que lucram com a Copa América, como emissoras de televisão, políticos sanguessugas e os capitalistas do esporte, dão as mãos e estão juntos, como fez o STF, com seu placar favorável na semana passada para garantir a realização do torneio. Fazem parte da institucionalidade que, junto ao Senado golpista, arma e sustenta o teatro da CPI da Covid, com declarações de efeito contra o presidente. Na hora de garantir os lucros de grandes empresas estão todos juntos, mesmo que isso signifique rifar nossos direitos e nossas vidas, nos colocando em risco e exposição ao coronavírus, nos colocando em piores condições de trabalho e vida.

É por isso que nós do Esquerda Diário defendemos que na luta contra Bolsonaro e Mourão é preciso confiar em nossas próprias forças e não nas saídas e poderes institucionais, que igualmente apoiam e aprovam ataques contra a população trabalhadora, a juventude, as mulheres, negros e LGBTs.

É urgente colocarmos de pé um plano de emergência dos trabalhadores para combater a pandemia e garantir que possamos realmente desfrutar o futebol brasileiro. E por isso, é necessário que os atos do dia 19 não sejam palanque para Lula (que negocia com diversas figuras como FHC, Sarney e Kassab, ignora as manifestações para preservar suas alianças com golpistas e burgueses e promete privatizações) e sim prepararem uma paralisação nacional, com a entrada em cena da classe trabalhadora. Assim, é fundamental que as centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, como a CUT e a CTB, assim como também a UNE, que estão em milhares de sindicatos e entidades estudantis pelo país, rompam com a estratégia eleitoral, que divide, controla e atua para conter os estudantes e os trabalhadores para que os ânimos não ultrapassem os limites para a eleição de 2022 e façamos como os colombianos.

Nesse sentido, também fazemos um chamado a todos os movimentos sociais e organizações de esquerda, como o PSOL e PSTU, a exigirem que os sindicatos ao invés de impulsionar palanques eleitorais, impulsionem um plano de lutas, com assembleias de base nos locais de estudo e trabalho. A CSP Conlutas e a Intersindical podem dar o exemplo nas categorias que dirigem, ao organizar assembleias que votem a exigência de um dia de paralisação nacional, chamando CUT e CTB a encamparem essa política.




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