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Rede Internacional

CONUNE | Conune 2021: conheça a tese "Transformar nosso ódio em revolução! Fora Bolsonaro e Mourão"

Essa semana acontece o Conune Extraordinário, online. Confira aqui o conteúdo que a Juventude Faísca Revolucionária, o grupo de mulheres Pão e Rosas e independentes de 28 Universidades e Institutos Federais dos quatro cantos do país estão defendendo numa tese assinada por mais de 150 estudantes.

segunda-feira 12 de julho | Edição do dia

Transformar nosso ódio em revolução! Fora Bolsonaro e Mourão!
Que os capitalistas paguem pela crise!

Em todo o mundo, se levantam jovens, trabalhadores, mulheres, negros e negras, indígenas e LGBTQI+ que se enfrentam contra a ordem capitalista vigente, que mantém a desigualdade, a miséria, as opressões, a devastação ambiental criadora de potenciais vírus letais, como o coronavírus. Do Black Lives Matter fazendo ecoar “sem justiça, sem paz” em 2020, chegamos a 2021 com os paraguaios e colombianos na linha de frente: “se um povo protesta e marcha em meio a uma pandemia, é porque seu governo é mais letal que o vírus”. Em Myanmar, a classe trabalhadora entrou em cena com seus métodos de luta: resistiu a um golpe militar colocando em marcha greves gerais em unidade com setores oprimidos. No Chile, a Convenção Constituinte, fruto da rebelião de 2019, começou com as massas nas ruas exigindo a liberdade dos presos políticos.

No Brasil, dezenas de milhares tomaram as ruas no dia 29M, 19J e 3J para lutar contra o governo Bolsonaro e seu rastro de destruição que já acumula mais de 500 mil mortos e muitos direitos a menos, retirados com a ajuda do congresso reacionário (que agora tenta, através da CPI da Covid, livrar sua responsabilidade pela situação do país) sustentado pelo centrão, dos governadores que nunca quiseram defender a vida na pandemia e de um governo recheado de militares. Juntos realizam uma ofensiva de privatizações, como a recém aprovada privatização da Eletrobrás e a tentativa a todo custo para privatizar os Correios, os ataques aos povos indígenas, os cortes na educação e querem aprovar a reforma administrativa. Apesar das diferenças políticas e disputas, o que une ambos é a defesa dos lucros dos capitalistas.

A crise tem também sua expressão aguda na situação das Universidades e Institutos Federais: com o acúmulo de cortes e ataques, dezenas estão ameaçadas de fechar ainda neste ano, enquanto outras dezenas sofrem intervenções de escolhidos diretos de Bolsonaro nas Reitorias. Ao mesmo tempo, vivemos o 2º ano de Ensino Remoto que fragmentou os estudantes e provocou taxas de evasão recorde nas universidades públicas e particulares, com queda brusca de 8,9% nas matrículas para as privadas em 2021. E quando o assunto é emprego, a juventude se encontra, em sua maioria, no desemprego ou na precarização. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego chegou a 31,4%; enquanto a informalidade já atinge, a nível global, 89% dos jovens trabalhadores.

Este cenário desastroso é tudo o que o sistema capitalista miserável tem a oferecer à juventude. Nos querem pedalando 12 horas por dia com uma bag nas costas, sem direitos trabalhistas, sem acesso ao ensino superior público e sem direito à nossa sexualidade porque dessa forma eles lucram mais. O governo de Bolsonaro e Mourão, fruto do golpe institucional de 2016, veio para aprofundar esse cenário, com requintes militaresco, homofóbico, machista e racista. Por isso, fazemos parte da juventude que luta com todas suas forças contra Bolsonaro e Mourão, mas não paramos por aí, lutamos para ir na raiz do problema e destruir o capitalismo que engendra de si as piores figuras e cenários, como o que vivemos.

Dessa maneira, seja nas ruas ou nas Universidades por onde estamos, defendemos que a nossa luta precisa ser pelo Fora Bolsonaro e Mourão, pois não aceitamos que saia Bolsonaro e entre em seu lugar um racista saudoso da ditadura como o Mourão. Nossa batalha é para alterar todas as regras do jogo e não apenas os jogadores, confiando na força da classe trabalhadora para travar essa luta e não se aliando a figuras da direita como Kim Kataguiri e Joice Hasselmann, como fez a direção da UNE para defender o impeachment que, por sua vez, seria a porta de entrada para Mourão na presidência. A despeito do “super pedido de impeachment” apresentado recentemente, Arthur Lira reafirma que não dará abertura ao processo, o que significa que essa política termina sendo uma via de desgastar Bolsonaro e fortalecer a candidatura de Lula, ou, no caso da direita, de uma terceira via liberal rumo a 2022. Neste imbróglio sem nenhuma independência de classe estão também partidos de esquerda, como PSOL, PSTU, PCB e UP, que dizem não podermos esperar 2022, mas também apostam nessa alternativa de aliança com a direita, esperando convencer esse congresso golpista e ajustador de tirar Bolsonaro para dar lugar a Mourão, enquanto novos ataques como as privatizações da Eletrobrás, dos Correios, a PL 490 que ataca os povos indígenas, entre outros, vão avançando.

- Aliar-se com a direita fortalece a luta contra Bolsonaro?

Para barrar os ataques e lutar contra o governo reacionário de Bolsonaro é preciso ter claro: nossa única aliada é a gigante classe trabalhadora, uma maioria de mulheres e negras no nosso país, e não a direita, que inclusive aprova esses ataques! Enquanto a polícia de Dória, depois de reprimir os manifestantes no ato do dia 3J, mantém o jovem Matheus preso, precisamos levantar uma campanha nacional exigindo sua liberdade. Por isso, nós da Juventude Faísca e independentes batalhamos para que os estudantes e trabalhadores sejam os sujeitos que irão derrotar Bolsonaro e Mourão e impor uma saída dos explorados e oprimidos para a crise que vivemos, a única forma de arrancar nossos direitos perdidos, batalhar por uma educação 100% pública e obter justiça aos nossos mortos. Somos estudantes presentes em mais de 16 universidades do país e queremos debater com cada um que se revolta com os absurdos diários desse governo reacionário e se indigna com a miséria imposta pelo capitalismo sobre qual caminho seguir para impôr a eles essa derrota e qual papel o Congresso da UNE poderia cumprir nesse sentido, se estivesse sendo construído e ocorresse de maneira democrática.

Auto-organização dos estudantes para se aliar aos trabalhadores e derrotar Bolsonaro, Mourão e os ataques!

Ao contrário de alianças com a direita ou uma aposta em um fantasioso “mal menor” de um governo Mourão, o que pode se enfrentar de fato contra o governo e todos os ataques é a aliança da classe trabalhadora, dos estudantes e movimentos sociais, organizados desde as bases em cada local de estudo e trabalho, para construir um plano de lutas que culmine numa forte greve geral capaz de derrubar Bolsonaro, Mourão e todos os ataques. Nesse sentido, seria tarefa desse congresso construir ativamente a unidade com os trabalhadores, por isso, propomos que se tire uma carta aos sindicatos para panfletar aos milhares colocando os estudantes à disposição na construção de uma greve geral para derrotar Bolsonaro, Mourão e todos os ataques.

Viemos batalhando em cada universidade onde estamos por assembleias de base com direito a voz e voto, para que possamos debater e votar como se darão os próximos passos da nossa luta. Propomos também a votação de delegados revogáveis para a conformação de um comando nacional, o que faria com que os estudantes pudessem, de maneira democrática, tomar em suas mãos os rumos da luta, sem depender de decisões feitas em cúpulas pelas direções burocráticas, como defende a UJS.

Pensando na urgência da organização estudantil desde as bases, o Congresso da UNE poderia ser uma verdadeira ferramenta de preparação, reunindo o conjunto do movimento estudantil do país em torno de debates estratégicos. Um espaço onde a democracia de base deveria se expressar, com os estudantes decidindo os rumos da sua principal entidade estudantil e da mobilização. Contudo, muito oposta a essa política democrática vem sendo a construção deste Congresso, que infelizmente vai na contramão de fomentar a auto-organização dos estudantes e não irá potencializar a força estudantil que foi às ruas nos últimos atos. O que torna ainda mais necessário a unificação dos setores que batalham por uma outra concepção de movimento estudantil.

Isso acontece porque a direção majoritária da UNE (PT, PCdoB e Levante Popular), com acordo da oposição (PSOL - Juntos, Afronte, Rua, entre outros, Correnteza/UP e UJC/PCB), realizam um congresso feito às pressas, sem qualquer divulgação adequada, sem eleição de delegados, preservando a mesma composição da votação do congresso anterior realizado há dois anos atrás. Ou seja, as diretrizes políticas e a nova direção da entidade será escolhida por fora de qualquer discussão democrática nas bases, contando com os votos dos mesmos que compõem a atual direção da UNE, e não pelo conjunto dos estudantes, com a exclusão dos ingressantes dos anos 2020 e 2021.

As condições excepcionais da pandemia, que nos obrigam a realizar um congresso online, não podem servir como justificativa para que seja ainda mais burocrático do que nos outros anos. Não esquecemos que o CONUNE de 2019 aconteceu em Brasília, ao mesmo tempo que o parlamento aprovava a reforma da previdência, e que a política da direção da UNE, ao invés de potencializar a luta através dos milhares de estudantes ali reunidos, foi se subordinar a Rodrigo Maia, separando as lutas em defesa da educação das lutas da classe trabalhadora, aceitando a chantagem imposta pelos golpistas e enterrando a força que o tsunami da educação havia demonstrado. Não é de hoje que a UJS aperta mão de golpista traindo a luta em defesa da educação e dos direitos da classe trabalhadora.

Pensando as lutas atuais, vemos que os atos com conteúdo eleitoral espaçados são conscientemente levados a cabo para que não sejamos sujeitos de nossa própria história, para conter o nosso ódio nos marcos de tentar salvar o capitalismo em crise, apostando suas fichas na conciliação com a direita, para talvez tirar Bolsonaro somente nas eleições em 2022, e em uma CPI repleta de golpistas que a toda semana atacam os nossos direitos.

É a serviço dessa política eleitoral que a UNE e as Centrais Sindicais como a CUT e a CTB, as três entidades dirigidas pelo PT e PCdoB, separam descaradamente os dias de luta pelo “Fora Bolsonaro” da luta contra os ataques econômicos do governo - sendo que esta última objetivamente não acontece, já que esses partidos pretendem costurar alianças com os mesmos setores que implementaram esses ataques, enquanto Lula já declarou seu perdão aos golpistas.

Por uma Campanha Unitária da Oposição contra os cortes e ataques, em defesa da auto-organização dos estudantes das Universidades e Institutos Federais!

Frente a um Congresso Estudantil onde os espaços serão extremamente controlados pela atual direção e onde até mesmo a nova composição de forças será definida através de uma votação na qual a UJS já possui maioria e irá atuar para impor suas decisões, é necessário que as organizações que se colocam como Oposição de Esquerda à majoritária se unam para articular em comum uma resolução que diga respeito às reais necessidades dos estudantes na luta contra Bolsonaro, Mourão, os cortes e ataques.

Por isso, nossa proposta a todos os setores que se colocam como oposição de esquerda da burocracia da UJS, PT e Levante, é que possamos construir um espaço unitário de debates, uma Plenária aberta da Oposição. Nela, podemos debater democraticamente como articular nossa luta desde as bases em cada universidade, potencializando o papel das entidades estudantis onde estamos para que estas possam fomentar a auto-organização dos estudantes. E, por essa via, colocar de pé um Comando Nacional das Federais, formado por delegados eleitos e revogáveis, que massifique e coordene nossa luta contra os ataques do governo Bolsonaro, para defender as universidades públicas e estarmos lado a lado com os trabalhadores contra os ataques, como a privatização dos Correios que vem sendo discutida nesse momento. Esse caminho possibilitaria colocar as decisões da luta nas mãos da base dos estudantes, o que é muito diferente tanto das reuniões de cúpula da direção majoritária da UNE quanto das “assembleias” Povo na Rua, que na realidade são verdadeiras lives para referendar as decisões das direções das organizações.

Deveria ser o papel da oposição de esquerda não referendar a forma anti-democrática desse congresso. A crise social se aprofunda no país e precisamos de propostas que possam ampliar a força do movimento estudantil frente ao Governo Bolsonaro. Os estudantes precisam ter direito a voz, assim como todas as organizações presentes. Chamamos também essas correntes a combaterem conosco para que esse seja um espaço aberto de debates e não uma chancela das posições da UJS.

Sabemos que politicamente existem diferenças na esquerda sobre a condução dos atos e qual deve ser a política para derrotar Bolsonaro, no entanto, acreditamos ser possível seguirmos discutindo essas diferenças e ao mesmo tempo conformar um polo antiburocrático que nos permita reunir aqueles que não compactuam com a lógica burocrática da direção majoritária da UJS e que querem de fato batalhar para que nossas entidades estudantis sejam ferramentas para impulsionar a mobilização dos estudantes desde a base. Esse é o chamado que fazemos a todos os estudantes e organizações da esquerda para esse Conune.

Por uma assembleia constituinte livre e soberana para enterrar o regime político fruto do golpe institucional

Diante da crise capitalista e para se enfrentar com todo regime golpista brasileiro, do qual Bolsonaro e Mourão são a expressão mais reacionária e conservadora, levantamos a necessidade de uma assembleia constituinte livre e soberana imposta pela luta, que eleja representantes do povo para decidir os rumos do país e que seja parte da batalha para que os capitalistas paguem pela crise.

Nós somos comunistas e lutamos por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo, mas como forma de fazer experiência com todos os setores que querem defender seus direitos diante desses ataques, nos propomos a lutar juntos para impor uma nova Constituinte, onde possamos redigir uma nova carta em novas bases, sem os entulhos autoritários da transição pactuada à democracia que nunca puniu os torturadores no Brasil. Nos inspirando na luta do povo chileno e combatendo cada uma das armadilhas, para que seja livre e soberana diante de todos os poderes previamente constituídos, como o congresso, o judiciário e o executivo.

Essa alternativa colocaria em xeque esse regime golpista e todas as instituições que hoje governam nosso país, elegendo representantes eleitos e revogáveis com o salário de uma professora, colocando a população para debater saídas de fundo para os grandes problemas do país, e podendo votar medidas como o não pagamento da dívida pública, um verdadeiro saque das nossas riquezas realizada pelos banqueiros, e a revogação de todas as reformas.

Para conquistar essas demandas seria necessário se enfrentar com a repressão dos capitalistas, que tentariam impedir a todo custo a implementação dessas resoluções, concretizando a necessidade de colocar de pé organismos de auto-organização e auto-defesa da classe trabalhadora, em aliança com a juventude e os movimentos sociais, onde pudéssemos nos preparar para defender nossos direitos, confiando apenas nas nossas forças, sem nenhuma aliança com os nossos inimigos de classe. E dessa forma abriria espaço para avançar em nossa luta pela construção de uma nova sociedade, através de uma revolução social, com um governo dos trabalhadores que ponha fim a esse sistema de opressão e exploração, abrindo caminho para uma sociedade comunista.

Por uma universidade à serviço da classe trabalhadora e de toda população

UFRJ, UFF, UFES, UFBA, UFPE são algumas das universidades ameaçadas de fechamento em setembro, os ataques de Bolsonaro e o Congresso na LOA de 2021, somados aos anteriores, de Temer e dos cortes que Dilma Rousseff implementou, fizeram com que o orçamento de 2021 seja praticamente o mesmo de 2004, com o dobro de alunos, de 574 mil para 1,3 milhão e 69 instituições. Estes dados e a realidade de dezenas de campi sem residências estudantis e restaurantes universitários, comprovam a expansão em chave precária dos anos de lulismo, onde até hoje os tubarões do ensino sugam dinheiro público para seus próprios bolsos e a dívida pública é paga religiosamente. A conquista da composição em 50% de estudantes filhos de trabalhadores e das escolas públicas nas universidades federais não foi acompanhada de uma política que permitisse a permanência estudantil, muito menos uma expansão que permitisse vagas para toda a juventude, hoje por volta de 37 milhões em todo o país.

Os ataques às universidades e institutos federais são parte de um plano de ataques implementados por Bolsonaro e Mourão junto ao Congresso e ao STF, e frente à calamidade instaurada no país com a pandemia, o desemprego e toda a crise social combinada e decorrente, todas as universidades deveriam estar à serviço do combate às grandes mazelas sociais, produzindo desde vacinas até cursos de formação profissional. Para isso, defendemos que seja garantido o financiamento das universidades através do não pagamento da dívida pública e que o orçamento desta seja revertido para a educação, saúde e moradia e outras necessidades mais urgentes.

Diante dos ataques bolsonaristas, defendemos as cotas raciais e sociais com toda força, sendo parte daqueles setores do movimento estudantil que batalham pela ampliação das vagas nas universidades, acabando com o filtro social do vestibular que mantém a imensa maioria da juventude de fora. Também defendemos o imediato perdão e anulação de todas as dívidas de estudantes nas universidades privadas e a estatização destas sob controle dos trabalhadores e estudantes.

Defendemos a autonomia universitária diante de cada ataque, como os interventores de Bolsonaro, como Bulhões na UFRGS, que expulsou mais de 190 estudantes cotistas. Diante da autoritária implementação do Ensino Remoto e das demissões de milhares de trabalhadores terceirizados, fica cada vez mais claro o caráter das Reitorias, até daquelas que se diziam democráticas, mas agora ameaçam de expulsão estudantes que não obtiverem rendimento suficiente em plena pandemia, como na UFABC. Ou aquelas que pretendem votar estatutos de condutas que servirão de base para avançar em repressão e punição daqueles que lutam dentro das universidades, como na USP e UFMG. Para varrer os entulhos da Ditadura Militar na estrutura de poder universitária, que até hoje homenageiam torturadores como Jarbas Passarinho, como aconteceu na UNICAMP e UFRN, que dá mais poder de decisão aos empresários e políticos burgueses por meio dos Conselhos Universitários, defendemos novos processos estatuintes, que sejam livre e soberanos, onde cada cabeça da comunidade universitária valha um voto, incluídos os trabalhadores terceirizados.

Em todas as universidades estivemos ombro a ombro com os trabalhadores, como na luta dos trabalhadores terceirizados da UNB pelos seus direitos e na greve do Hospital Universitário da USP por direito à vacina. Defendemos a efetivação de todos os trabalhadores terceirizados, majoritariamente mulheres negras, sem a necessidade de concurso público. Acreditamos que essa bandeira precisa ser tomada pelo conjunto do movimento estudantil, sendo essa uma marca histórica da nossa luta para que a universidade e o conhecimento que produzimos esteja de fato à serviço da classe trabalhadora e das maiorias populares.

Sem justiça, sem paz: basta de morrer pelas mãos da polícia

Kathlen Romeu, três meninos desaparecidos em Belford Roxo, Nego Beto, Geovane Gabriel. Em cada canto deste país continental, gritamos forte o nome de jovens negros assassinados pela polícia. No Rio de Janeiro, operações policiais seguem arrasando vidas em meio à pandemia e seguimos perguntando: quem mandou matar Marielle Franco? Por isso, defendemos o fim das operações policiais e dos autos de resistência. Punição aos policiais e mandantes! O Estado e o governo são responsáveis! Nós não criamos nenhuma ilusão na polícia, ou que a polícia civil seria mais inofensiva: é toda a instituição, braço armado do Estado, cuja serventia é garantir a dominação burguesa e defender a propriedade privada, no Brasil diretamente herdeira da Guarda Real. Nos somamos à juventude estadunidense e francesa pela abolição da polícia!

Buscar nas lutas internacionais as lições para combater o capitalismo no Brasil

A resposta na luta contra um sistema capitalista em crise é internacional e está por todos os continentes. Cada um dos processos contêm lições a serem tiradas e é o que nós, marxistas revolucionários, buscamos fazer para aprender com cada um dos movimentos dos povos oprimidos no mundo, assim como buscar intervir onde podemos a partir de nossas forças.

A Juventude Faísca é impulsionada pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores, grupo brasileiro da Fração Trotskista pela Quarta Internacional que constrói organizações em 14 países e edita o Esquerda Diário em 8 idiomas. Temos como estratégia construir organizações pelo mundo para combater a burguesia, as burocracias e disputar os setores da classe trabalhadora, da juventude, negros, mulheres e LGBTQI+, povos originários para a construção de um partido revolucionário, que possa confluir com todo o ódio espraiado nos distintos países e ser ferramenta política de um combate decidido ao capitalismo, passando da revolta à revolução, a tomada do poder para um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.

Foi com esses objetivos que desde as nossas organizações-irmãs como no Chile, na França e na Argentina, atuamos decididamente nos processos de luta de classes para levantar organismos de auto-organização dos trabalhadores em aliança com a juventude. Alguns exemplos que trazemos como inspiração para pensar as lutas no Brasil, são o Comitê de Emergência e Resguardo de Antofagasta que atuou na imensa revolta chilena de 2019, sendo a ponta de lança de um chamado a uma greve geral por todo o país; a Coordenação RAPT-SNCF (ônibus, metrô e trens urbanos de Paris), que unificou e organizou trabalhadores contra a reforma da previdência de Macron; e a batalha em defesa dos trabalhadores da saúde de Neuquén na Argentina, onde atuamos junto ao povo mapuche, estudantes e trabalhadores de fábricas sob controle operário, uma unidade que conquistou através da luta a vitória dos profissionais da saúde contra os ataques do governo.

Esses são alguns exemplos atuais de que o movimento de trabalhadores e estudantes, seja em qual país for, pode avançar nas suas demandas quando se auto-organiza e vai além dos limites impostos tanto pela burguesia quanto pela burocracia e seus acordos. Diferente da tradição stalinista, nós como marxistas revolucionários sabemos que se o capitalismo é internacional, nossa luta contra ele também precisa ser. Por isso, levamos o internacionalismo à frente como teoria e prática, resgatando as lições históricas da luta de classes internacional para enfrentar os desafios hoje.

- O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista

Chamamos todos estudantes a conhecerem a Fração Trotskista e travarem essas batalhas junto com a gente, construindo o Esquerda Diário para impulsionar a luta da juventude e da classe trabalhadora no país e no mundo.

Aos capitalistas, não devemos nada; eles nos devem tudo! Conheça e construa a Juventude Faísca e o grupo de Mulheres Pão e Rosas

Pandemia, desemprego, devastação ambiental, precarização da educação, do trabalho e das nossas vidas. Os capitalistas destroem cada vez mais nosso presente e futuro, tentando nos fazer acreditar que não há perspectivas de mudanças. Mas a história e os ventos internacionais mostram o contrário: não temos nada a perder e não devemos nada aos capitalistas, mas eles nos devem tudo!

Somos uma juventude que batalha por uma perspectiva marxista, anti-imperialista e antiburocrática, lutando lado a lado da classe trabalhadora, dos movimentos sociais, como os indígenas, as mulheres, negros e LGBTQI+, para vingar cada uma das vidas perdidas, barrar os ataques da burguesia e batalhar pela revolução social em aliança com a classe trabalhadora, que demonstrou novamente na pandemia ser a base essencial de toda a sociedade. Nos espelhamos na juventude que balançou a ditadura militar há 53 anos das greves de Osasco e Contagem e da passeata dos 100 mil em 1968, que fizeram ecoar pelas ruas brasileiras o grito que se ouvia na França: “sejamos realistas, exijamos o impossível”.

- Podcast Feminismo e Marxismo: ferramenta de luta do grupo de mulheres Pão e Rosas

Hoje, em meio a um mundo capitalista que já matou milhões de pessoas devido a uma pandemia e conseguiu até mesmo atear fogo no oceano, mais do que nunca é preciso ser realista e exigir o único caminho possível para dar um fim à devastação ambiental, às opressões e à exploração: batalhar por uma sociedade comunista, sem estado e sem classes. Por isso, nos inspiramos no legado da teoria revolucionária de Marx, Engels, Lenin, Trotski e Rosa, nas lições da Revolução Russa e no combate à degeneração stalinista para traçar uma estratégia e programa que intervenha na realidade com o objetivo de construir uma alternativa revolucionária no século XXI, que libere as potencialidades da humanidade, da arte, do conhecimento e do trabalho, contra toda exploração e opressão.

“Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!” Leon Trotsky

Assinam esta tese:

1) Alice Caumo Soster Paskulin - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
2) Caio Lima dos Reis - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
3) Camila Galvão dos Santos - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
4) Fabricio Romano Gonzalez - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
5) Gabriela Mueller Danieli - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
6) Giovana de Souza Pozzi - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
7) Guilherme Silva Garcia - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
8) Lucas Pires dos Santos - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
9) Railin Gonçalves da Silva - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
10) Samuel Santos da Rosa - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
11) Ana Paula Santos Carvalho - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
12) Ângelo Alexandre Delazeri - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
13) Cassiano Silva Vilella - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
14) Izabella Torres Pains - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
15) Marlon de Oliveira Fidelix - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
16) Mayte Rocha da Silva - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
17) Ricardo Cechin Bergamaschi - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
18) Victoria Heller Gordon Zani - Universidade Estadual de Campinas
19) Gabriel Brisighello - Universidade Estadual de Campinas
20) Juliana Andrade Begiato - Universidade Estadual de Campinas
21) Laura Rossi Baraldi - Universidade Estadual de Campinas
22) Luiz Carlos Caetano jr - Universidade Estadual de Campinas
23) Bianca Barboza Lino - Universidade Estadual de Campinas
24) Vitória Camargo Baggio - Universidade Estadual de Campinas
25) Ana Vitoria Cavalcante Santos - Universidade Estadual de Campinas
26) Júlia da Silva Oliveira - Universidade Estadual de Campinas
27) Gabriel Rodrigues Resende - Universidade do Estado de Minas Gerais
28) Julia Santana de Melo - Universidade Federal de Minas Gerais
29) Lina Hamdan Resende Morais - Universidade Federal de Minas Gerais
30) Leidilaine Miranda Galdino - Universidade Federal de Minas Gerais
31) Maria Fernanda de Macedo Costa Rabello - Universidade Federal de Minas Gerais
32) Thaís Silva de Paula - Universidade Federal de Minas Gerais
33) Maria Eliza de Souza Nogueira - Universidade Federal de Minas Gerais
34) Pedro Lucas Viana Gronga - Universidade Federal de Minas Gerais
35) Odete Cristina Aristides de Assis - Universidade Federal de Minas Gerais
36) Elisa Dias de Carvalho Campos - Universidade Federal de Minas Gerais
37) Lara Flaviana Zaramella Guimarães - Universidade de São Paulo
38) Natalia Farias - Universidade de São Paulo
39) Laura Sandoval de Lucca - Universidade de São Paulo
40) Stephanie Sousa Oliveira - Universidade de São Paulo
41) Laura Lemos Scisci - Universidade de São Paulo
42) Pedro Pequini Ferreira - Universidade de São Paulo
43) Pedro Barros e Silva Costa - Universidade de São Paulo
44) Camila Begiato - Universidade de São Paulo
45) Weckson Vinicius Dantas de Souza Oliveira - Universidade de São Paulo
46) João Guidugli de Mendonça - Universidade de São Paulo
47) Juliane Aparecida Santos - Universidade de São Paulo
48) Pedro Soares de Lima Oliveira - Universidade de São Paulo
49) João Pedro Coelho de Oliveira Neves - Universidade de São Paulo
50) Kenzo Sasaki - Universidade de São Paulo
51) Mathias de Oliveira Nery Santos - Universidade de São Paulo
52) Mariana Piteri Duarte - Universidade de São Paulo
53) Aline Cristina de Souza Neto - Universidade de São Paulo
54) Giovana Maria de Souza - Universidade de São Paulo
55) Clara Fodor Gomez - Universidade de São Paulo
56) Yuri Marcolino Angelo – Universidade de São Paulo
57) Jessica Antunes - Universidade de São Paulo
58) Leandro Lanfredi de Andrade – Universidade de São Paulo
59) Beatriz Pelegrini de Oliveira, Universidade de São Paulo
60) Willian Garcia Dos Reis, Universidade de São Paulo
61) Mateus Giantomazzo Manucci, Universidade de São Paulo
62) Rafael de Andrade Neves, Universidade de São Paulo
63) Bianca Coelho Balbino de Azevedo, Universidade de São Paulo
64) Flávio Costa Vieira Junior, Universidade de São Paulo
65) Vanessa de Fátima Dias, Universidade de São Paulo
66) Renan Somogyi Rodrigues da Silva, Universidade de São Paulo
67) Seiji Seron Miyakawa, PUC-SP
68) Vitoria Gomes de Barros - Universidade Federal do Rio de Janeiro
69) Ana Carolina Bondezan Nogueira - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
70) Ana Carolina Santos de Jesus- Universidade do Estado do Rio de Janeiro
71) Luiz Gustavo Lontra Ferreira - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
72) Bárbara Nicodemos Martins - Universidade Federal Fluminense
73) Miguel Gryner de Moraes - Universidade Federal Fluminense
74) Calvin Monteiro Borges - Universidade Federal Fluminense
75) Flavia Vitória Vieira da Silva- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
76) Luisa Santos do Amaral Matos - Universidade Federal Fluminense
77) Alexandre Alves Miguez – Universidade Federal do Rio de Janeiro
78) Natália Martins Alexandre - Universidade Estadual do Rio de Janeiro
79) Jade Penalva Nascimento Skroch – Universidade Federal do Espírito Santo
80) Virgínia Guitzel - Universidade Federal do ABC
81) Danilo almeida da Silveira - Universidade Virtual do Estado de São Paulo
82) Thiago de Barros Oliveira - Universidade Virtual do Estado de São Paulo
83) Jenifer Coutinho Felix - Universidade Federal do ABC
84) Odilon do Nascimento Batista - Universidade Federal do ABC
85) Victoria Santelo Silva - Universidade Federal De São Paulo
86) Caio de Godoi e Silva - Universidade de Brasília
87) Luiza Eineck Alcântara - Universidade de Brasília
88) Julio Camargo - Universidade de Brasília
89) Marie Castañeda - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
90) Cássia Silva - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
91) Ítalo Dias - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
92) Jojo de Paula - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
93) Júlia Panequi Geografia - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
94) João Paulo Almeida - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
95) Emilly Vitoria Freitas de Oliveira - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
96) Julia Canario - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
97) Miguel Mendes Melo - UFRN
98) Vinícius Pedro Silva - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
99) Kleyton Wagner - Universidade Federal de Campina Grande
100) João Vitor dos Santos Letras – Universidade Federal de Pernambuco
101) Steffany Cerqueira de Oliveira - Universidade do Estado da Bahia
102) Valéria Beatriz Muller Rocha - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
103) Erika Thuanny - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
104) Antônio Duarte Pereira - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), RS
105) Maria Luiza Oliveira Gonçalves - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
106) Mariana da Silva Ferraz - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
107) Júlia Cardoso Gonçalves - Universidade de São Paulo
108) Thais Dantas de Freitas - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
109) Paula Dias Costa - Universidade Federal de Minas Gerais
110) Lucas Alves Martins Felipe - Universidade Federal de Minas Gerais
111) Melina da Africa Silva Vitorino - Uniasselvi RS
112) Guilherme Passos Avelar - Universidade Federal de Minas Gerais
113) Dieison william antunes dos santos - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
114) Samuel Assad Castro Coury - Universidade Federal de Minas Gerais
115) Beatriz Gabino Diniz - Universidade Estadual de Minas Gerais
116) Yago Magalhães Lopes - Universidade de São Paulo
117) Vítor Emídio de Mendonça - Universidade Federal de Minas Gerais
118) Lucas Filipe Alves de Oliveira - Universidade Federal de Minas Gerais
119) Hudson Donovan Lima da Silva - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
120) Georgia Colovini Dutra - PUCRS
121) Marina Cosmelli - UnB
122) Isabel Ávila de Souza Lima - UFMG
123) Clara Borba Strack - UFRGS
124) Mariana Gonçalves de Freitas - Universidade Federal de Minas Gerais
125) Sophia Neves Gomes - UFMG
126) Mateus Lima Veras - UFMG
127) Fernanda Messina Saad - USP
128) Gabriel Vollet Coelho - USP
129) Daiane Cristina Santos Rodrigues de Souza - FMU
130) Tiago dos Santos Carneiro - USP
131) Danna Teodoro Ferreira - UFRGS
132) João Gabriel Basili Ansolin - Instituto Federal do Rio Grande do Sul
133) Daniel Leiria - UFRGS
134) Lily Hellen Santos Momisso - Unicamp
135) Carol Ribas - UFRGS
136) Marcelo dos Santos Lana - UFMG
137) Raissa Coelho de Souza - UFMG
138) Gustavo Mendes - UnB
139) Gabriel Malta Xavier - UFMG
140) Marcos Paulo do Nascimento Figueiredo - USP
141) Rodrigo José Sousa da Silva - UFMG
142) Rildo Frederico Ferreira - UnB
143) Jessika Yasmin Silva Santos - UFBA
144) Ingrid Mariano Gondim - FAFOPST-PE
145) Paula Dias da Cunha - Unifal
146) Gabriel Girão - UFPE
147) Guus Tupinambá - UFRN
148) Joecy Ellen Maia de Souza - UFRN
149) Arthur Medeiros dos Santos - UFRN
150) Tawane Lima da Silva - UFRN
151) Luana Carelli Reis - UFMG
152) Francine Oliveira Tassoni - Unisinos RS
153) Arthur Verona Ferreira - UFRGS
154) Guilherme Dias Ferreira - UFMG
155) Renan Macedo Santana - UNICAMP
156) Isabelli Anjos da Silva - UNILA




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