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MOVIMENTO ESTUDANTIL | Contra os cortes, o desemprego e a fome: a UNE deveria construir seu Dia de Luta pela base

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está divulgando em suas páginas que amanhã (25/2) será um Dia de Luta contra os cortes no orçamento da educação, em defesa da vacina e pelo Fora Bolsonaro. É preciso debater como esse dia deveria estar sendo construído, com qual perspectiva e o que de fato defender.

quarta-feira 24 de fevereiro | Edição do dia

O presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM) indicou que a PEC Emergencial (PEC 186/2019), que se trata de um conjunto de diversos ataques aos trabalhadores, utilizado pelos políticos e representantes da burguesia para “viabilizar” a continuação do auxílio emergencial através do programa “Renda Cidadã”, poderá ser votada já em dois turnos amanhã, dia 25. No mesmo dia, a União Nacional dos Estudantes (UNE) indicou a realização de uma mobilização nacional contra os cortes de cerca de R$1 bilhão para universidades e institutos federais, previstos pelo Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021. Frente a isso, é necessário debatermos qual deveria ser o caminho para enfrentarmos essa situação de conjunto e como fortalecer nossa luta.

Entenda a PEC Emergencial aqui e aqui.

A verdade é que, diante do cenário de crise econômica e sanitária aguda, a possível prorrogação do auxílio emergencial por Bolsonaro, Paulo Guedes e as instituições do regime golpista vem sendo conduzida, em meio a disputas, por via de uma chantagem. Querem atacar nossos direitos, como a educação e a própria saúde, em um momento em que sistemas de saúde estão colapsando no país, como no Acre, e vender a ideia de que o problema são os trabalhadores "privilegiados", com supostamente muitos direitos no país, como o funcionalismo público. Com isso, trabalham para dividir a classe trabalhadora e jogar com o desespero de milhões que perderam seus empregos e enfrentam a miséria, a fome e a completa ausência de direitos. Fazem isso para manter os lucros dos verdadeiros privilegiados, doa grandes empresários, dos banqueiros internacionais, dos latifundiários e os privilégios dos próprios políticos e juízes, verdadeiramente intactos.

Com isso, utilizando-se do desespero justificado de milhões pelo auxílio emergencial, querem avançar definitivamente num projeto de país que rebaixe as condições de vida dos trabalhadores de conjunto, que nos ajoelhe cada vez mais ao imperialismo e que aprofunde tudo o que nos trouxe a essa crise econômica e sanitária, após anos de precarização da saúde e educação que o PT já administrava. Isso vem também das alas pretensamente racionais do regime, que dizem defender a ciência contra o negacionismo bolsonarista, mas desde sempre atacam a educação e as pesquisas, como mais uma vez querem fazer agora.

Enquanto agora os de cima brigam e disputam sua narrativa do golpe, é inegável que foi a esse serviço que o STF, o Congresso e as Forças Armadas se articularam à Lava Jato e garantiram o golpe que depois levou Bolsonaro ao poder. Precisamos ver que querem ainda mais, preparando a Reforma Administrativa, a PEC Federativa e mais privatizações, ao mesmo tempo em que escondem a dívida pública que suga nossos recursos para os grandes banqueiros internacionais e não aprovam a proibição das demissões nessa crise.

Por isso, é urgente uma resposta à altura desses ataques, de maneira unificada. A juventude, que também sente na pele o peso da precarização do trabalho, os ataques à permanência estudantil geridos pelas reitorias e burocracias acadêmicas e a evasão, precisa se colocar lado a lado aos interesses dos setores mais precarizados da classe trabalhadora, desmascarando aonde leva essa chantagem dos de cima. Nossa luta precisa mostrar que não vamos deixar que nos dividam.

Mas esse dia nacional de lutas que a UNE está chamando não vem sendo construído desde a base em cada universidade e instituto federal desse país como deveria ter sido, nem vem apontando para a unificação das nossas demandas com os trabalhadores. Pelo contrário, sua construção não passa de tweets e postagens nas redes sociais. Isso quando o papel da entidade nesse momento deveria ser buscar romper com a fragmentação imposta pela pandemia e o ensino remoto, organizando reuniões e assembleias de base para que os estudantes pudessem votar um plano de lutas contra esses ataques de forma unificada com os trabalhadores.

A questão é que o PT, que está na direção da UNE, apoiou Rodrigo Pacheco e seu projeto aberto de ajustes no Senado, e junto ao PCdoB (UJS), nos sindicatos, vêm desarticulando as lutas, como contra as demissões na Ford e contra o retorno inseguro de Doria, em São Paulo. No movimento estudantil, também constroem sua estratégia de pressão institucional e saída eleitoral, preparando sua via conciliatória para 2022. Seu Fora Bolsonaro, canalizando para a saída do impeachment, levaria ao poder justamente o general Mourão, e fortaleceria o regime que articulou esse projeto

Por isso, seria preciso que os setores que se colocam no campo da Oposição de Esquerda à majoritaria da UNE, como as correntes do PSOL, a UJC e a Correnteza, fossem parte de exigir e denunciar as armadilhas dessa lógica política que leva à pressão institucional em um regime que vai cada vez mais à direita contra os trabalhadores e à passividade no movimento estudantil, e não se adaptassem a ela. Com os DCEs e CAs que dirigem, poderiam dar exemplos de auto-organização, em oposição ao burocratismo da UNE. Precisamos que o dia 25 e todo o "calendário" que propõe a UNE fossem construídos de fato por cada estudante pela base, passando por um 8 de Março que mostre que a juventude pode apontar a uma saída para que os capitalistas paguem pela crise, contra o patriarcado e ao lado das mulheres que estão na linha de frente dessa crise.

Precisamos estar lado a lado às duras lutas que se dão no país, como os petroleiros que fizeram greve na Bahia e as professoras de São Paulo contra Covas e Doria. Precisamos nos inspirar na juventude espanhola que se enfrenta com a repressão da monarquia, nos jovens da Amazon no Alabama e nas operárias têxteis contra o golpe em Mianmar. Assim, pelo fora Bolsonaro e Mourão, contra a PEC Emergencial, os cortes na educação e os interventores de Bolsonaro, podemos nos levantar para defender também a proibição das demissões, a manutenção de um auxilio emergencial de 2 mil reais para trabalhadores sem renda, informais ou desempregados. Isso também passa por questionarmos e lutarmos por uma resposta de fundo, como o fim do teto de gastos e o não pagamento da dívida pública. A luta por vacina para todos só será possível até o final levantando a quebra de patentes e a disponibilização das pesquisas, em um momento em que a ciência mostra seu potencial.

Assim, se Bolsonaro, STF, militares e o Congresso buscam nos dividir, que a juventude seja a primeira a colocar na necessidade de unificação, se aliando com o conjunto da classe trabalhadora. Com isso, seguiremos fortalecendo essa luta, pois acreditamos no potencial que a juventude pode ter através de sua mobilização, frente à chantagem de Bolsonaro, e contra todo o regime golpista. Essa é a perspectiva da Faísca Revolucionária.




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