Gênero e sexualidade

29M

Contra o machismo de Bolsonaro e Mourão, nós mulheres vamos às ruas no dia 29

Em um cenário em que a população brasileira é atravessada pela pandemia, desemprego e fome, os novos ares de mobilização internacional mostram que se as mulheres, estudantes e trabalhadores se unificam contra a miséria imposta pelo regime golpista e os capitalistas, é possível almejar uma sociedade livre de toda exploração e opressão. Nos inspiramos nas meninas em Myanmar, nas mães linha de frente na Colômbia, nas mulheres palestinas contra o exército sionista de Israel.

quinta-feira 27 de maio| Edição do dia

No próximo sábado, 29, está sendo chamado um dia nacional em defesa da educação pública, contra os cortes e ataques à educação pelo governo Bolsonaro, que vem ameaçando fechar universidades federais, precarizando a educação e o futuro da juventude. Temos que ocupar as ruas do país demonstrando toda a força das mulheres, da juventude, do movimento estudantil, aliado aos trabalhadores e à população.

O Brasil já passou de 450 mil mortes por covid-19, pelos dados oficiais, por responsabilidade de Bolsonaro e dos governadores, que não realizaram e não realizam testes massivos, isolamento racional, liberação remunerada para os serviços não-essenciais e grupos de risco. Em meio ao negacionismo frente à pandemia do coronavírus, Bolsonaro, Mourão, militares e golpistas atacam juntos estudantes e trabalhadores, aprovando um orçamento R$4,2 bilhões menor que o de 2020, via Lei Orçamentária Anual, que atinge em cheio 69 universidades federais.

Bolsonaro segue também em sua cruzada reacionária para atacar todos os direitos das mulheres, onde vimos ser impedida uma menina de 10 anos vítima de estupro a realizar um aborto permitido por lei. A realidade é que Bolsonaro e Damares Alves, junto ao Congresso e Senado, buscam aumentar o contingente de meninas mortas, seja por terem tido que recorrer à insegurança da clandestinidade ou por terem tido que seguir com uma gestação que coloca sua vida em risco. Ao mesmo tempo, vimos Eduardo Bolsonaro, numa pura misoginia, chamando as mulheres de “portadoras de vagina”.

Para a extrema-direita os corpos das mulheres devem estar à serviço de produzir e reproduzir a força de trabalho que gera lucro para os capitalistas. As mulheres carregam nas costas a dupla jornada, o desemprego, os piores salários, a precarização do trabalho. Não poder se vestir sem ser violentada, não poder respirar sem antes garantir casa limpa, comida feita e roupa lavada, receber menos que um homem trabalhando mais, ter seu suor roubado pelo patrão, seus anos de vida roubados pelo estado e ver seu prazo de validade expirar antes dos 50 anos e morrer porque disse não ao marido, ao namorado ou a um estranho? Porque no capitalismo a vida das mulheres vale quase nada. Seu trabalho, seu corpo, sua vida valem menos do que o direito ao pão. O capitalismo se combinou ao patriarcado, adotando suas ferramentas de opressão, porque nós meninas e mulheres representamos uma gigantesca ameaça a ele.

As consequências da pandemia, que aprofundou os efeitos de uma crise capitalista, recaem principalmente sobre os ombros das mulheres, sobretudo as mulheres negras, maioria na linha de frente dos hospitais em colapso, enfrentando também o sucateamento do SUS. Na educação são em sua maioria mulheres as professoras que estão sendo colocadas a adoecer e morrer com a reabertura irracional das escolas públicas e privadas. Em cada local de trabalho que segue funcionando, os setores mais expostos são justamente os mais precarizados, como as terceirizadas da limpeza, uma massa composta principalmente por mulheres negras. Nos aplicativos de entrega de comida há também mulheres jovens trabalhando sob sol e chuva para garantir os lucros milionários de multinacionais como Rappi e IFood.

As mulheres foram um dos setores que, nos últimos anos, se ergueu em diversos países contra a opressão e a violência machista, estando na linha de frente de distintas revoltas e rebeliões, como foi o caso das manifestações do Black Lives Matter, que romperam com a passividade das quarentenas, das mulheres argentinas que conquistaram a legalização do aborto como fruto de uma luta histórica do movimento feminista, das trabalhadoras têxteis de Mianmar que se colocaram na linha de frente na resistência ao golpe militar. Elas lutam pela vida enquanto os governos planejam a morte.

Os cortes na educação são parte do plano de ataques contra toda a juventude e os trabalhadores. Por isso mesmo, nossas lutas não podem ser divididas. A CUT, maior central sindical do país dirigida pelo PT e que organiza cerca de 7 milhões de trabalhadores, está chamando uma manifestação no dia 26 por vacinas e auxílio emergencial, enquanto a UNE, majoritariamente dirigida pelo PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude, chamam atos para o dia 29 em defesa da educação. Não podemos aceitar essa separação que só enfraquece ambos os movimentos que são importantíssimos e têm os mesmos inimigos a serem golpeados por nós!

Em meio à pandemia e o isolamento social, sabemos do medo de sair de casa e do vírus. Entretanto, durante mais de um ano de pandemia, a maioria da população não teve direito à quarentena, seguiu se expondo em trabalhos precários, pegando transporte lotado, sem EPIs e com ameaça de demissões e flexibilização dos contratos. Isso foi o que os governos reservaram à maioria, e não planos de emergência, quarentena organizada, rastreio do vírus, testes massivos e agora vacinas para todos.

Apenas lutando nas ruas, nos locais de estudo e de trabalho é que as mulheres e todos os oprimidos poderão se organizar para derrotar todos esses ataques que estão à serviço somente dos capitalistas e de toda burguesia. Temos que nos inspirar na luta da população na Colômbia e no Paraguai, que mostram que a população vai para a rua porque os governos capitalistas se mostram mais letais que o vírus.

É fundamental batalhar por uma política de massificação das manifestações do dia 29 buscando que seja organizado através de assembleias de base em todos os locais de trabalho e estudo. Que o primeiro motor dessas manifestações, que foi o ataque às universidades e institutos federais, se unifique com a luta contra toda a agenda de privatizações e ataques aos trabalhadores, unindo juventude e classe trabalhadora em uma só batalha. Que se dispute a bandeira do movimento e não seja Fora Bolsonaro, para abrir espaço a um general da ditadura militar, garantindo um rearranjo deste mesmo regime podre, mas que seja Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, deixando claro nosso rechaço ao STF, Congresso Nacional e governadores, que são parte do golpismo que nos trouxe até o reacionário governo Bolsonaro.

Com máscaras é possível erguer nossa força, exigindo o fim dos cortes nas universidades e de todos os ataques aos trabalhadores que estão anunciados, vacinação para todos com a quebra de patentes e sem indenização para as empresas, a proibição das demissões, contra a precarização do trabalho e a fome, por um auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo. Lutando para que as centrais sindicais saiam da sua quarentena e se coloquem de corpo nessa luta para unir a nossa classe por essas demandas e, para isso, criem mecanismos de coordenação e unificação deste processo. O dia 29 não pode ser um dia de protesto datado, deveria ser o início de uma mobilização real coordenada contra todos os ataques que nossa classe está sofrendo.

É a mobilização da classe trabalhadora, em aliança com as mulheres, negros, indígenas e todos os setores oprimidos que pode enfrentar não somente Bolsonaro, mas todas as instituições do regime político golpista. Muito mais do que colocar Mourão no poder através de um impeachment, é preciso derrubar todo esse regime cada vez mais autoritário e impor uma assembleia constituinte livre e soberana, que coloque nas mãos da maioria da população as principais decisões do país e onde possamos impor um combate real à pandemia, estatizando a saúde privada e batalhando por um sistema de saúde 100% estatal e controlado pelos trabalhadores, além de girar a indústria para a produção de insumos e outras medidas. Assim poderíamos reverter por exemplo, o orçamento pífio destinado às casas abrigo, ao passo que mais de R$ 1 trilhão vai para o bolso dos banqueiros.

Nós mulheres somos maioria da classe trabalhadora e temos que seguir batalhando para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, não a classe trabalhadora!




Tópicos relacionados

29 de maio   /    Gênero e sexualidade   /    Juventude

Comentários

Comentar