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INDÚSTRIA E PANDEMIA | Contra mortes na indústria, é preciso organizar Comissões de Higiene e Segurança Sanitária

Recentemente, recebemos um relato de um operário da Zona Oeste de São Paulo com uma denúncia das precárias condições, que eles são obrigados a trabalhar adoecidos . É mais urgente que nunca que em cada local de trabalho sejam organizadas Comissões de Segurança Sanitária e Higiene para barrar as contaminações.

segunda-feira 29 de março | Edição do dia

Foto: Agência Brasil

"Ontem mesmo um companheiro amigo nosso voltou do afastamento da Covid na entrada do primeiro turno, 5:45. Ele tava andando devagar e pálido, tava tossindo uma tosse seca do caramba. Chegou na máquina, apoiou no painel, andou um pouco mais e sentou com a cabeça baixa em uma plataforma. Fomos conversar com ele preocupados e descobrimos que a empresa disse que já tinha dado o limite dos dias de afastamento e que ele tinha que voltar, entrar no primeiro turno e ir no ambulatório as 8:00 pra a médica avaliar. Tentamos fazer a chefia liberar ele pra casa mas não fizeram, ele teve que ficar lá esperando o ambulatório abrir. Organizamos entre nós o trabalho pra ele não precisar fazer nada, mas não importa, essa situação é absurda".

Essa é a realidade a que os patrões empurram os trabalhadores, na verborragia de que são serviço essencial, produzindo revistas de luxo, folheto de supermercado, que é o caso dessa fábrica. Inclusive, como indica o relato, os trabalhadores organizaram entre si o trabalho para liberar o colega. Seria fundamental se houvesse uma Comissão de Segurança Sanitária e de Higiene nessa fábrica e em todos os locais de trabalho, auto-organizada pelos trabalhadores contra a pandemia.

Confira o relato completo: "Chegou as 5:50, tossiu seco e sentou com a cabeça baixa em uma plataforma", assim funciona a indústria na pandemia

Diante dos recordes de mortes por Covid pela qual passamos no país, de responsabilidade de Bolsonaro, Mourão, governadores e todos os golpistas, que não garantem liberação remunerada para setores não essenciais, é central que os trabalhadores se auto-organizem, para que os próprios possam discutir medidas que diminuam os riscos à contaminação e estejam mais fortes para exigir das direções, seja dos sindicatos e das centrais ou das empresas, as medidas necessárias.

As centrais sindicais, dirigidas pelo PT e o PCdoB, como a CUT e a CTB, devem organizar já os trabalhadores para isso, assim como para a exigência de vacina para todos, pela quebra de suas patentes. A Força Sindical, que apoiou ataques como a Reforma da Previdência, lava as mãos nos sindicatos que dirige, relegando a vida dos operários à exposição ao vírus no pior estágio da pandemia.

Assim como pela reconversão industrial, com a reincorporação de todos os demitidos, que seria uma saída essencial para o fechamento da Ford, por exemplo. Se a classe trabalhadora prova que é o setor essencial que move o mundo, e não a salvação dos lucros dos capitalistas, para combater a pandemia e impor uma saída de fato que supere a demagogia de governadores como Doria, é urgente a reconversão industrial para produção de insumos básicos, e para que os brasileiros parem de morrer na fila de espera por leitos. Leitos, equipamentos hospitalares, respiradores, medicamentos, oxigênio, máscaras, álcool em gel, testes para Covid. Essa é a capacidade produtiva poderosa da classe trabalhadora que, tomando o controle da produção, poderia salvar vidas de milhões.




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