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Que os capitalistas paguem pela crise | Contra alta de preços, confiscar e distribuir estoques de alimentos sem indenizar agronegócio

O agronegócio cresce na exportação de commodities em dólares, enquanto a população vive uma sinuca de bico entre pagar R$35,00 no arroz, R$100,00 no gás e passar fome. Contra Bolsonaro, Mourão, militares e Centrão que ajudam a encher os bolsos dos empresários do agronegócio, é necessário que os trabalhadores e o povo pobre defendam um programa que se enfrente com os lucros dos capitalistas.

quarta-feira 11 de agosto | Edição do dia

Foto: reprodução

A inflação de julho (0,96%) bateu o recorde para o mês de 2002. No acumulado de 12 meses, atingiu 8,99%. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) calcula que alguns itens de consumo básico do brasileiro subiram muito acima da média.

O óleo de soja lidera a lista da inflação em 12 meses, com alta de 84,3%, ou seja, quase dobrou de preço desde agosto de 2020. O botijão de gás subiu 29,3% em 12 meses na média nacional. Em Recife, capital pernambucana, a inflação do botijão chega a 41,6%, a maior alta entre as cidades pesquisadas pelo IBGE no país.

No Brasil, o agronegócio bate recordes e a fome cresce entre a população. Isso se deve ao beneficiamento do governo Bolsonaro e Congresso para os grandes fazendeiros, em forma de isenção de impostos, por exemplo. Enquanto que quem paga a conta são os trabalhadores e o povo pobre.

Em 2020, em meio ao aprofundamento da crise econômica pela pandemia, o agro foi o único setor a crescer, teve aumento recorde de 24,31% no PIB do setor. E Bolsonaro, governo fruto do golpe institucional de 2016, realizado pelos atores políticos como Judiciário e Centrão, que está fisiologicamente ligado ao agronegócio, beneficia brutalmente o setor, em detrimento da produção do país não ser voltada para a alimentação, mas sim para commodities, principalmente o cultivo de grãos usados em ração para animais.

As commodities são produtos que funcionam como matéria-prima e têm seu valor atrelado ao dólar. No caso do agro, são itens como soja, trigo, milho e café, que também têm sua exportação voltada para a China, país competidor dos EUA em escala internacional.

O agrônomo e pesquisador Paulo Petersen disse ao G1 que, atualmente, o Brasil ainda tem que importar alimentos nos quais antes era autossuficiente. Um exemplo é o arroz, que teve um aumento de 39,7%, segundo o IPCA.

Bolsonaro e o Centrão estão em consonância com países que são grandes potências imperialistas. Eles estão a serviço de amenizar a crise econômica em alguns países, como os Estados Unidos, que injetam dólar no mercado financeiro, que alimenta o agronegócio, para tentar equilibrar o preço da moeda, como explicou Felippe Serigati ao G1, professor e coordenador do mestrado profissional em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Enquanto isso, o pequeno agricultor opta por arrendar hectares para plantar grãos, como a soja, afirma o frei Sérgio Gorgen, dirigente nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Isso acontece junto ao favorecimento dos bolsos dos grandes fazendeiros com isenção de imposto por parte do governo.

Fica cada vez mais evidente que somos nós, os trabalhadores e a população mais pobre, que estamos pagando pela crise que eles mesmos criaram. As reformas, como a trabalhista e da previdência, além das medidas emergenciais da pandemia ou diretamente o aumento nos preços dos itens básicos para a sobrevivência, atacam diretamente a classe trabalhadora às custas da manutenção do lucro dos patrões e dos privilégios de políticos e militares.

A situação de miséria e fome escancara mais uma vez a podridão do capitalismo. Pessoas morrem de frio, pessoas morrem de fome, toneladas de comida são jogadas fora. Esse é o retrato mais cruel desse sistema. Contra a irracionalidade capitalista e para enfrentar a fome, é necessário lutar pelo congelamento dos preços dos alimentos imediato, para que não continue aumentando, e pelo confisco e distribuição de todos os estoques do agronegócio, sem indenização. Assim como a taxação das grandes fortunas desse setor.

A luta por essas demandas deve ser parte do enfrentamento não só ao reacionário governo Bolsonaro, mas também contra todo o regime político fruto do golpe institucional e seus ataques aos trabalhadores. Isso não se dará através de novas eleições, muito menos pelo impeachment, que colocaria no poder Mourão, racista adorador da ditadura. Precisamos exigir isso dos nossos sindicatos e entidades estudantis, dirigidos pelo PT e pelo PCdoB, que tanto alimentou o agronegócio nos anos de governo de Lula e Dilma.

É necessário um plano de luta que prepare uma greve geral, reivindicando direitos básicos, como teto e comida, mas também para ir por mais, derrubar Bolsonaro, Mourão, enfrentar todo o regime e impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que lá batalhemos por uma reforma agrária radical e pela nacionalização das terras. Colocando nas mãos dos pequenos produtores, dos trabalhadores e dos consumidores o controle da produção e a distribuição de alimentos. E também para que nos permita de fato questionar o governo burguês, por um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.




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