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USP | Contra a separação entre os 3 setores, é preciso unidade contra o retorno inseguro na USP

Nos últimos dias, a comunidade universitária da USP foi surpreendida com o anúncio autoritário do retorno presencial das atividades. É fundamental a mais profunda unidade entre os 3 setores para impor que a comunidade universitária defina quando e como será o retorno.

Clara GomezEstudante | Faculdade de Educação da USP

sábado 21 de agosto | Edição do dia

(Foto: Agência USP/Divulgação)

Depois da decisão da Reitoria da USP de que as aulas e o trabalho deveriam retornar de maneira presencial, no dia de ontem (20/08) a Reitoria deu um passo ainda maior em seu autoritarismo.

A decisão foi tomada de maneira unilateral, sem sequer consultar as entidades representativas de estudantes, professores e trabalhadores, definindo que as atividades presenciais possam ser retomadas sem que todos tenham tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, contrariando recomendações de médicos formados pela própria USP.

Essas atitudes estão a serviço de embelezar o governo de Doria, que quer fazer parecer que já venceu a pandemia em São Paulo com seu anúncio do "Dia da Esperança" e o retorno de diversas atividades que estavam restringidas, ou sendo feitas remotamente.

Foi seguindo esse caminho que o reitor Vahan Agopyan determinou o retorno presencial, mostrando sua face mais anti-democrática, ao colocar em risco até mesmo as vidas da comunidade universitária, como vimos com as dezenas de mortes de trabalhadores terceirizados da USP que não tiveram um dia sequer de quarentena, ou a quantidade de professores da educação básica que se contaminaram no retorno inseguro das escolas promovido por Doria.

Neste contexto, foi permitido às unidades que definissem como se daria esse retorno. O diretor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuaria (FEA), Fábio Frezatti, criou uma comissão assessora para discutir o assunto, formada majoritariamente pelos chefes de departamento.

Também ontem, e também de maneira anti-democrática, a diretoria da FEA decidiu que as aulas permanecerão remotas durante todo o semestre, mas os trabalhadores que já estiverem vacinados terão de voltar ao trabalho presencial ainda no mês de agosto.

Esta decisão é na verdade uma armadilha, pois divide os setores que precisam se unir para garantir um retorno seguro, enfraquecendo a resistência a essa medida, e sem sequer fechar definitivamente a porta para uma possibilidade de retorno presencial dos estudantes mesmo a curto prazo.

A única maneira de garantir um retorno seguro é com a própria comunidade universitária, estudantes, professores e trabalhadores, incluindo terceirizados, definindo, conjuntamente, quando retornar, e em que condições, criando comitês de higiene e segurança responsáveis por elaborar protocolos e inspecionar seu cumprimento.

A plenária dos 3 setores convocada para esta segunda deve ser o início deste processo de auto-organização para buscar isto. O DCE, como entidade que representa os estudantes, deve cumprir um papel importante sendo parte de construir essa mobilização de forma unificada, uma vez a imposição do retorno aos trabalhadores pode fragmentar estudantes e trabalhadores que precisam se unir contra os ataques à universidade, ao passo que essa imposição também pode afetar a qualquer momentos os alunos.

Nesse sentido, é fundamental que o DCE, dirigido pelo PT e PCdoB, utilize toda a sua capacidade de mobilização para ser parte de construir uma mobilização desde as bases em aliança com os outros setores. Isso significaria uma mudança na sua atuação que tem sido majoritariamente institucional, baseada somente em dialogar com a reitoria e outros órgãos, problema esse que se expressa em outras mobilizações como o despejo do Bloco D no CRUSP, o qual essa entidade sequer organizou espaços para sensibilizar e massificar os estudantes contra essa política da SAS e da reitoria, como seria uma Assembleia Geral.

Agindo dessa maneira, o DCE termina por ter uma posição corporativista, que divide a potência da luta unificada contra a Reitoria e o retorno autoritário que não discute com os três setores os protocolos de segurança sanitária.

Essa unidade dos 3 setores é fundamental pra lutar não apenas contra o retorno inseguro, mas contra todo o projeto elitista de universidade de Vahan e de Doria, que precariza o trabalho das funcionárias terceirizadas, e não garante permanência para os estudantes.

Leia também: Retorno presencial na USP: a comunidade universitária deve decidir e unir sua luta com a população




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